Educação Infantil em tempos de pandemia: desafios no ensino remoto emergencial ao trabalhar com jogos e brincadeiras

Lucimar da Silva Pereira Junior

Licenciando em Pedagogia (Isepam) e em Ciências Sociais (Unicsul); tecnólogo em Marketing (FacRedentor), especialista em Libras (UCAM) e Atendimento Escolar Especializado (FESL)

Joana Bartolomeu Machado

Licencianda em Pedagogia (Isepam)

Distanciamento social, e agora? O que vamos fazer com nossas crianças da Educação Infantil? Como vamos dar aula? Como vão ser feitas as atividades individuais e coletivas? Como vamos trabalhar as brincadeiras e interações como pede a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)? Como vamos trabalhar com jogos no ensino remoto emergencial para as crianças tão pequenas? Como estimular a interação em tempo real?

Em meio ao momento difícil de pandemia causado pelo novo coronavírus, que estamos vivendo coletivamente, o ensino remoto se tornou a saída para que os alunos não deixassem de estudar. No entanto, com a necessidade de suspensão das aulas presenciais, muitas questões foram surgindo a respeito do ensino remoto para as turmas da Educação Infantil, pois o período escolar da Educação Infantil é visto como uma das etapas mais importantes presentes no processo da Educação brasileira.

Sendo considerada a “primeira etapa da Educação Básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até cinco anos, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade” como mostra o Art. 29 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN nº 9.394/96).

A Base Nacional Comum Curricular (2017) diz que a Educação Infantil deve “ampliar o universo de experiências, conhecimentos e habilidades dessas crianças, diversificando e consolidando novas aprendizagens, atuando de maneira complementar à Educação familiar” (p. 36). A mesma complementa, dizendo que cabe ao educador “refletir, selecionar, organizar, planejar, mediar e monitorar o conjunto das práticas e interações, garantindo a pluralidade de situações que promovam o desenvolvimento pleno das crianças” (p. 39).

Portanto, é nesse momento escolar em que as crianças começam a interagir e descobrir o mundo a sua volta, fora do seu ambiente familiar, fazendo amigos e aprendendo a conviver e respeitar as diferenças culturais. Dessa forma, o ambiente escolar da Educação Infantil é o primeiro local em que as crianças terão contatos fora de suas zonas de conforto e passarão a socializar com outras crianças e adultos de forma mais intensa e frequente.

Pois os primeiros anos de vida das crianças são de extrema importância para o desenvolvimento das habilidades sociais e expressivas. Assim, esse ambiente escolar passa a ser a porta de entrada de um novo conhecimento e de um mundo diferente para elas.

A partir disso na Educação Infantil se trabalham as potencialidades da criança como ser social, valorizando seus conteúdos e apresentando as cores, formas, letras, palavras, números, quantidades, sons, rostos e gostos. Por conseguinte, fazermos uso dos sentimentos e sensações das crianças que ao se misturarem acabam ocasionando um mundo de experiências, descobertas e de possibilidades diversas para elas. Por consequência, as mesmas passarão a desenvolver necessidades básicas que por sua vez serão fundamentais para esse indivíduo durante todo o processo de ensino e aprendizagem.

Mediante o exposto, para as escolas lidarem com as emoções das crianças precisam enxergá-las de forma única e individualizada visando entender as necessidades que precisam ser trabalhadas nelas. Para isso,

a instituição de Educação Infantil deve tornar acessível a todas as crianças que a frequentam, indiscriminadamente, elementos da cultura que enriquecem o seu desenvolvimento e inserção social. Cumpre um papel socializador, propiciando o desenvolvimento da identidade das crianças, por meio de aprendizagens diversificadas, realizadas em situações de interação.

Na instituição de Educação Infantil, pode-se oferecer às crianças condições para as aprendizagens que ocorrem nas brincadeiras e aquelas advindas de situações pedagógicas intencionais ou aprendizagens orientadas pelos adultos. É importante ressaltar, porém, que essas aprendizagens, de natureza diversa, ocorrem de maneira integrada no processo de desenvolvimento infantil (Brasil, 1998, p. 23).

Portanto, a escola tem como papel fundamental durante esse momento da Educação Infantil de despertar as crianças para a percepção de mundo dinâmico no qual elas estão inseridas.

Mas, como minimizar os impactos da pandemia no processo de ensino e aprendizagem das crianças de 0 a 5 anos? Como trabalhar com brinquedos e brincadeiras pelas telas dos celulares, tablets e computadores, visto que as brincadeiras fazem parte do processo de ensino e aprendizagem de crianças tão pequenas? E o brincar é um dos seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento propostos pela BNCC.

Para que as crianças aprendam em situações nas quais possam desempenhar um papel ativo em ambientes que as convidem a vivenciar desafios e a sentirem-se provocadas a resolvê-los, nas quais possam construir significados sobre si, os outros e o mundo social e natural (Brasil, 2017, p. 37).

Por isso, todos os momentos nos quais as crianças estão vivenciando dentro ou fora do ambiente escolar são educativos e envolvem cuidados. Visto que, na medida em que estão constantemente aprendendo, elas estarão compreendendo o mundo que as rodeia através de suas interações diárias. Dessa forma, a utilização dos jogos, brinquedos e brincadeiras quando bem conduzidas pelos professores conseguem modificar ideias, pensamentos, comportamentos e dizeres dessas crianças. Então, a brincadeira tem importância em si mesma e, por isso, deve ser valorizada pelos professores da Educação Infantil, fazendo com que todas as atividades e propostas pedagógicas sejam enriquecedoras. E percebendo nas atividades individuais e coletivas, nas brincadeiras, nos jogos, nos brinquedos, nos movimentos das crianças e nas atividades corporais momentos de ensino e aprendizagem tão importantes quanto. Por fim, cabe a nós, professores e professoras da Educação Infantil, termos conhecimento das inúmeras possibilidades que cada momento propicia para as crianças e aproveitá-las o máximo possível.

Jogos para o ensino remoto e a integração da família nos processos educativos

Com o método de ensino remoto, especialmente no caso da Educação Infantil, os professores precisaram se reinventar. A cada dia precisava-se ter uma ideia diferente para se trabalhar com as crianças pequenas desse segmento de ensino, ainda mais quando os meninos e meninas estão privados há meses do convívio escolar; com isso acabava-se sendo um desafio para os professores e para os familiares e responsáveis das crianças. Isso pelo motivo de que a principal atividade que se aplica durante o período da Educação Infantil, logo nos primeiros anos de vida da criança no ambiente escolar, é a socialização da mesma com outras crianças, professores e outros profissionais dentro da escola. Visto que, isso tudo só pode ser vivenciado se a convivência e a interação forem proporcionadas de modo presencial. Assim, somente o estar junto é capaz de proporcionar.

Daí que professores, familiares, responsáveis e qualquer um que seja responsável por uma criança pequena têm quebrado a cabeça para proporcionar diversos tipos de atividades lúdicas que instiguem a criança durante esse processo de isolamento social, pois é gigantesco o desafio de se realizarem atividades lúdicas como jogos e brincadeiras através dos smartphones, tablets e computadores a distância com crianças em pré-escolas e creches. Dado que, para as crianças bem pequenas presentes nesses segmentos de ensino, os jogos são atividades de reconhecimento de espaço, objetivos e lógica das brincadeiras.

Desse modo, cabe às instituições de ensino da Educação Básica com segmentos da Educação Infantil orientar os familiares e responsáveis com roteiros práticos e estruturados para que os mesmos possam estar acompanhados nos afazeres das atividades em casa feitas pelas crianças. Assim, os familiares e responsáveis passarão a ser vistos como mediadores nas rotinas diárias das tarefas escolares e terão a oportunidade de participar de forma ativa na Educação da criança. Por isso, a escola, os educadores, as famílias e os demais responsáveis deverão estar unidos pela jornada educacional dos alunos.

Entretanto, é importante salientar que os inúmeros professores da Educação Infantil também estão passando por um momento incomum e bastante desafiador no ambiente educacional. À vista disso, os sites Jornada Edu e Diário Escola publicaram algumas dicas de atividades para serem trabalhadas pelos professores e professoras com as crianças pequenas da Educação Infantil durante o ensino remoto. Assim, segundo o site Diário Escola, o professor ou a professora precisarão:

Enviar vídeos curtos – Crianças não devem passar muito tempo em frente a telas. Mesmo os mais importantes vídeos devem ser rápidos, claros e objetivos.

Produzir material assertivo – Os pequenos perdem o interesse rapidamente, clareza e objetividade são fundamentais na Educação remota de crianças.

Propor atividades factíveis – As atividades sugeridas devem ser possíveis de serem realizadas com objetos e materiais encontrados em casa.

Vídeos de psicomotricidade – Vídeos curtos com atividades de psicomotricidade, coordenação motora fina, coordenação global etc. Podem ser repetidos muitas vezes, em casa.

Vídeos para aproximar – Para manter a proximidade com os alunos, disponibilize vídeos com as músicas da entrada das aulas, da hora do lanche e do almoço. Assim, os pequenos não perdem o laço afetivo com os professores.

Atividades extras – A coordenação pode enviar vídeos com os passinhos novos da aula de balé, alguns movimentos da aula de capoeira, palavrinhas de inglês, por exemplo. No processo de Educação remota de crianças, solicite aos pais que filmem seus filhos e, até, façam com eles as atividades.

Experiências científicas – Proponha uma aula de ciências para os alunos entre 4 e 5 anos: a experiência do feijão. Crie um kit de ciências com um copo de plástico, três grãos de feijão, um chumaço de algodão e envie aos pais. Essa é uma maneira das crianças acompanharem o nascimento de uma vida e de interação, na qual toda a família pode participar.

Interação na Educação remota de crianças – Enviar fotos do ambiente escolar: do jardim, da pracinha, do refeitório, da sala de musicalização, da sala de aula… Também, dos profissionais da escola, da professora, da recepcionista, dos cuidadores, da pessoa que faz a limpeza, da cozinheira e da direção, por exemplo. A tarefa é pedir que a criança mostre aos pais os lugares que ela mais gosta, que fale o nome das pessoas, que conte o que lembra e do que tem saudades.

Ler e aprender – Sugira aos pais uma atividade de leitura Infantil. Peça que eles leiam um livro para os filhos e, depois, registrem em vídeo a interpretação desse livro pela criança. Ela também pode desenhar a história para contar aos coleguinhas na volta às aulas.

Meu nome é… – Combine com os pais dos pequenos o envio de uma foto do filho interagindo como um objeto que represente a primeira letra de seu nome. Para as crianças maiores, indique que elas façam o seu nome da forma que acharem melhor: pode ser uma colagem, pode ser de massinha de modelar ou de recortes de revistas e jornais.

Já o site Jornada Edu, além de explanar algumas dicas sobre como trabalhar as atividades com as turmas da Educação Infantil durante o ensino remoto, o mesmo dá dicas de como fazer pequenas experiências cientificas com as crianças, no intuito de prender a atenção das mesmas brincando e adquirindo conhecimento, sendo elas:

Areia movediça

Ingredientes: Amido de milho, água e corante (opcional).

Modo de fazer: Use a proporção de 2 copos de água para 1 de amido de milho. É só misturar em um copo, bacia ou outro recipiente e colocar corante para ficar mais divertido.

Quando a criança colocar os dedos ou objetos devagar, eles afundam até a base. Mas, se bater os dedos rapidamente, a mistura fica dura. 

Feijão no algodão

Ingredientes: Pote de vidro, um feijão e algodão.

Modo de fazer: Umedeça o algodão com água. Encha o vidro de algodão úmido e encaixe o feijão no algodão na lateral do vidro. Não deixe secar, todos os dias coloque um pouco de água. 

Em cerca de 3 dias, a raiz vai começar a aparecer. Quando o feijão tiver mais de 20 centímetros, pode ser retirado e plantado em um pote de terra. 

Vulcão em erupção 

Ingredientes: Massinha de modelar ou papel machê, garrafa PET, água morna, 2 colheres de sopa de bicarbonato de sódio, 6 gotas de detergente, vinagre e corante vermelho (opcional). 

Modo de fazer: Corte o bico da garrafa PET e use como base. Encha até a metade de água morna e misture com bicarbonato de sódio, detergente e corante. Depois, faça o modelo cônico de vulcão em volta da garrafa com massinha ou papel crochê.

Para fazer o vulcão entrar em erupção, é só colocar um pouco de vinagre.

Sem esquecer que, durante as aulas remotas, é importante relembrar das atividades de psicomotricidade. Por isso, é interessante que os professores proponham dinâmicas nas quais as crianças possam trabalhar a coordenação motora do corpo todo visando desenvolver a consciência corporal. Além disso, é importante aproveitar os espaços da varanda, quintal, sala, cozinha, quarto, e usar os recursos já disponíveis em casa pelas crianças. Por isso, atividades como bambolê, jogos com bola, de dançar, empilhar copos, andar sobre uma linha reta desenhada no chão, jogo (cabeça, ombro, joelhos e pés) entre outras atividades físicas são boas para as crianças, pois são excelentes para ajudar no desenvolvimento infantil, visto que é hora de tirar o foco dos eletrônicos e colocar o corpo em movimento.

Ressaltamos que os professores podem gravar vídeos curtos nos quais trabalharão a coordenação motora fina através da ludicidade, fazendo uso de brincadeiras como: separando grãos, argolas coloridas, pregando botões, dedoches, entre muitas outras brincadeiras. Por fim, nós, professores e professoras da Educação Infantil, devemos ter em mente que

são numerosas e variadas as experiências expressivas, corporais e sensoriais proporcionadas às crianças pelo brincar. Não se podem planejar práticas pedagógicas sem conhecer a criança. Cada uma é diferente, tem preferências conforme sua singularidade. Em qualquer agrupamento Infantil, as crianças avançam em ritmos diferentes (Kishimoto, 2010, p. 5).

[Assim,] as práticas pedagógicas devem possibilitar a expressão lúdica durante as narrativas, a apreciação e interação com a linguagem oral e escrita, para que a criança possa aproveitar a cultura popular de que já dispõe e adquirir novas experiências pelo contato com diferentes linguagens (Kishimoto, 2010, p. 6).

Portanto, durante a pandemia, é necessário que os professores reflitam sobre o local da interação e que passem a adotar estratégias para manter o contato com as crianças. Além disso, é importante lembrar que as crianças estão usando essa linguagem, e as possibilidades de códigos e interações limitam o contato físico e a proximidade umas das outras, sendo, portanto, essenciais para regular as interações sociais. Então, para finalizar, podemos perceber que a diversidade de possibilidades lúdicas aplicadas às crianças da Educação Infantil promoverão uma rica experiência na relação das crianças com o mundo.

Considerações finais

O intuito deste trabalho foi abordar a respeito dos desafios que os professores e professoras da Educação Infantil vem presenciando ao ter que trabalhar com as atividades lúdicas pelas telas dos computadores, tablets e smartphones com crianças tão pequenas durante o processo de ensino remoto em meio a uma situação de pandemia e isolamento social causadas pela Covid-19.

A partir disso, no decorrer do trabalho, buscou-se mostrar o quanto a presença da família ou dos responsáveis pelas crianças são primordiais para que as atividades lúdicas sejam aplicadas em suas residências. Pois, os familiares, responsáveis e educadores precisam estar unidos para proporcionar atividades como jogos e brincadeiras fora da escola.

Isso porque a atividade lúdica na Educação Infantil não pode parar. No ensino presencial, as atividades seguiam uma rotina aplicada pelos professores; entretanto, no ensino remoto não pode ser diferente, as rotinas devem permanecer. Diante disso, as atividades e os encontros podem estar acontecendo de forma remota, na qual os familiares e responsáveis irão assumir o papel de protagonistas nas práticas pedagógicas, com base no apoio dos professores.

Além disso, na medida em que as atividades se transformam em experiências, é necessário fornecer aos familiares e responsáveis os seguintes conceitos: ouvir, falar e pensar. E, por conseguinte, cabe ao professor explanar sobre a importância dos exercícios de imaginação e o quanto fazem parte da educação das crianças.

Em suma, ao longo deste período de pandemia, devem ocorrer algumas adaptações nas práticas metodológicas, para que possam ser aplicadas pelos familiares e responsáveis, sendo acompanhadas de maneira remota pelos professores e professoras das turmas da Educação Infantil, visando sempre ter em mente que as atividades sugeridas pelos educadores estejam contextualizadas às realidades das crianças.

Por fim, vale ressaltar que é necessário que os educadores tenham cuidados para não exigir um grande comprometimento dos familiares e responsáveis; afinal, nesse momento delicado que ambos estamos vivenciando, muitos estão com uma carga horária de trabalho elevada, muitas das vezes, tendo que trabalhar em home office. Assim, precisa-se ter cuidado ao proporcionar certos tipos de atividades para os familiares e responsáveis dessas crianças.

Referências

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDBEN. Lei nº 9.394/96. Brasília, 1996.

______. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2017.

______. Ministério da Educação. Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil. Volume 1: Introdução. Brasília, 1998.

DIÁRIO ESCOLA. Superdicas para a Educação remota de crianças. Disponível em: https://diarioescola.com.br/superdicas-para-a-educacao-remota-de-criancas/. Acesso em: 12 jan. 2021.

JORNADA EDU. Dicas de atividades de Educação Infantil no ensino remoto. Disponível em: https://jornadaedu.com.br/praticas-pedagogicas/atividades-de-educacao-Infantil/. Acesso em: 12 jan. 2021.

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Brinquedos e brincadeiras na Educação Infantil. I SEMINÁRIO NACIONAL: CURRÍCULO EM MOVIMENTO – PERSPECTIVAS ATUAIS. Anais... Belo Horizonte, novembro de 2010.

Publicado em 23 de fevereiro de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

PEREIRA JUNIOR, Lucimar da Silva; MACHADO, Joana Bartolomeu. Educação Infantil em tempos de pandemia: desafios no ensino remoto emergencial ao trabalhar com jogos e brincadeiras. Educação Pública, v. 21, nº 6, 23 de fevereiro de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/6/educacao-infantil-em-tempos-de-pandemia-desafios-no-ensino-remoto-emergencial-ao-trabalhar-com-jogos-e-brincadeiras