Andares da nova existência

Marcela Caroline Albuquerque Horta

Professora de Língua Portuguesa (SME/BH), licenciada em Letras (UFMG), especialista em Educação Especial (Claretiano) e Tradução, Interpretação e Docência (Uníntese), graduanda em Pedagogia (UEMG)

Tal como o pássaro engaiolado,
ao perceber a portinhola aberta,
primeiro se esconde no canto de sua cela,
para depois alçar voos libertos.
Também humanos engaiolados,
terão o medo a assombrar-lhes.

Seja na manhã ensolarada
ou na tarde chuvosa,
quando libertos anunciarem que estarão
ainda assim, suas almas
prisioneiras viverão.

Mas no exato momento
que perceberem que podem mergulhar
nas profundezas oceânicas,
nas profundezas cinzentas das ruas agitadas,
o choro se fará livre:
alívio da esperança não finda.

Comemoram, riem, 
desfrutam o novo viver.
Fazem festas, sorrisos, amabilidades.
Agora, já finda a orquestra da agonia
e tocam as novas melodias,
de cada nova vida, de cada nova batida
cardiorrespiratória, cardioviva.

Publicado em 14 de junho de 2022

Como citar este artigo (ABNT)

HORTA, Marcela Caroline Albuquerque. Andares da nova existência. Revista Educação Pública, Rio de Janeiro, v. 22, nº 22, 14 de junho de 2022. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/22/andares-da-nova-existencia

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