O uso consciente de água em espaços escolares: estudo de caso na Escola Municipal Infantil Mingau

Adna Marina Rubem da Silva

Graduada em Pedagogia (Anhanguera), licenciada em Artes Visuais (Famosp), pós-graduada em Educação Inclusiva e Especial e Políticas de Inclusão (UCAM)

Adriana Maria Rubem da Silva

Graduada em Pedagogia (Anhanguera), licenciada em Artes Visuais (Unijales)

É evidente que o consumo de água tem aumentado junto com o crescimento urbano. Este aumento, a longo prazo, pode levar à escassez deste recurso natural e, consequentemente, a uma diminuição na produção de alimentos. Além disso, o uso indevido da água acarreta poluição dos mananciais. Potencialmente, estes são problemas que podem atingir patamares alarmantes, não só regionais, mas mundiais. 

Nos lugares onde existe grande disponibilidade de água há maior índice de desperdício. De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a escassez de água no planeta é agravada pelas desigualdades sociais, somada à falta de manejo e ao uso não sustentável dos recursos naturais.

A provisão de alimentos, água e energia mantém o planeta Terra habitável e considerando o alto custo que o acelerado crescimento populacional está impondo ao meio ambiente, é necessário realizar mudanças drásticas, com finalidade de se promover um uso com menor impacto aos bens naturais. A demanda por água, alimentos e energia para atender uma população crescente representa um custo além do suportável para os ecossistemas. Mantida essa tendência, a infraestrutura natural vai se fragilizar ainda mais nas próximas décadas (Almeida, 2008).

Considerando a importância da água, devem ser fomentadas, dentro dos ambientes escolares, uma prática consciente no uso dos recursos hídricos com medidas, ações e projetos que garantam a qualidade de vida atual e das futuras gerações. Devido à forma capitalista de consumo que rege a economia, é preciso despertar o ser humano a preservação da água como um bem essencial para todas as formas de vida.

Justificativa

Em decorrência das atividades humanas, o atual contexto mundial aponta para a escassez de muitos recursos naturais no futuro, principalmente da água. Ao longo dos séculos, temos utilizado os recursos ambientais de modo intensivo e inconsciente. Estas atitudes contribuem inevitavelmente para a incidência de diversos desastres naturais. Do ponto de vista social é extremamente necessário propor mudanças imediatas que possam preservar a vida na Terra, pois a educação ambiental está intrinsecamente associada às mudanças de atitudes, de comportamento e de estilo de vida das pessoas.

É importante destacar as responsabilidades dos órgãos governamentais que devem promover políticas públicas alinhadas aos princípios de sustentabilidade. Educar, treinar e motivar todos os níveis da sociedade são ações primordiais e incontestáveis para o manejo dos recursos naturais, a fim de formar elos de compromisso com o meio ambiente, minimizando os impactos negativos no ecossistema.

Segundo dados apresentados em 29 de março de 2015 pela Sabesp (empresa responsável pelo abastecimento de água em São Paulo, o Sistema Cantareira), o índice marcado ficou em 18,6% do seu nível, porém, no primeiro dia deste mesmo mês, o nível era de 11,6%. A situação levou o governo a adotar medidas de racionamento de água em muitos bairros, assim como programas de bônus para quem a economizasse.

A figura abaixo apresenta as definições utilizadas pelo governo nos últimos meses para diferenciar volume útil e volume de reserva técnica dos mananciais.

Figura 1: Reserva dos mananciais – Sistema Cantareira
Fonte: http://www2.sabesp.com.br.

A Política Nacional de Recursos Hídricos, por meio da Lei nº 9.433/97, assegura à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água em padrões de qualidade adequados. Também assegura a sua utilização racional e integrada, incluindo o transporte aquaviário e a prevenção contra fenômenos hidrológicos críticos de origem natural ou decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais.

Por isso é tão necessário preconizar às crianças sobre o futuro do planeta, pois ações sustentáveis devem ser criadas e executadas para a preservação do meio ambiente. Desse modo, se pensou em um projeto trazendo discussões e propondo soluções para dentro do ambiente escolar sobre o uso racional da água.

Problema

A motivação para este trabalho parte de adversidades tão eminentes que afligem a sociedade atual, tais como, a diminuição da incidência de chuvas e a má utilização e distribuição dos recursos hídricos. Estes problemas acabam ocasionando a falta de água própria para o consumo.

É notório o desafio de trazer, para a prática cotidiana de cada cidadão, o conceito de sustentabilidade, pois o modo de vida e de produção atuais devem ter, como elemento norteador, a garantia de uma boa qualidade de vida para as próximas gerações. 

Objetivos

O objetivo geral do trabalho é verificar como se dá o uso da água nos ambientes escolares, em especial na Escola Municipal Infantil Mingau, localizada em Taboão da Serra/SP. Caso necessário, propor ações e projetos que contribuam para a utilização racional do recurso hídrico. Como objetivos específicos, relacionam-se: observar a infraestrutura da escola, verificar se o local possui ações e projetos que trabalham o uso consciente da água e identificar as principais necessidades referentes à infraestrutura e aos equipamentos.

Metodologia

O trabalho se baseia em uma pesquisa exploratória sob a forma de estudo de caso. Para se chegar aos objetivos propostos foram utilizadas fontes de pesquisa primárias e secundárias.

As fontes primárias se referem às entrevistas realizadas com a direção e a coordenação da escola. Já as fontes secundárias foram obtidas por meio de um levantamento bibliográfico em livros, em artigos científicos, em websites, em outras informações sobre o projeto pesquisado e em conteúdos envolvendo a água como recurso natural tão necessário para a manutenção da vida no planeta.

Procedimentos

Foi realizada uma visita à Escola Municipal Infantil Mingau em março de 2015. A visita serviu de modelo de observação para a análise da estrutura e para a verificação de projetos e/ou de ações compatíveis, com o tema do trabalho, em busca de possíveis soluções, de forma consciente, para a preservação dos recursos hídricos.

Caracterização geral da E. M. I. Mingau

A escola está localizada na região central no município de Taboão da Serra e atende cerca de 240 crianças, com idade entre quatro e cinco anos. Possui cinco salas de aula com capacidade para 25 alunos. Há sanitários adaptados e rampas de acesso para pessoas com mobilidade reduzida. A escola também possui um parque infantil, uma quadra poliesportiva, uma sala de vídeo, uma sala de professores, uma secretaria, um refeitório, um almoxarifado, uma despensa e uma cozinha. Além disso, a escola está inserida em uma área bastante arborizada com árvores frutíferas, tais como, limoeiros, abacateiros, bananeiras e goiabeiras.

Como equipe técnico-pedagógica, a escola conta com uma diretora, uma coordenadora, um assistente administrativo e 14 professores, dentre eles, alguns titulares e especialistas, como os de Artes, Inglês e Educação Física. Há, também, quatro assistentes de Educação Infantil, duas merendeiras e três auxiliares de limpeza.

Diagnóstico

De acordo com as entrevistas informais realizadas (com a direção e a coordenação), constatou-se que ainda há grandes melhorias a serem realizadas. Atualmente, a escola possui uma caixa d’água de 5.000 litros compartilhada com os prédios da Secretaria de Assistência Social e da Secretaria de Esportes, pois elas se encontram localizadas no mesmo espaço. Devido a isso, não é possível, mensurar de forma exata o consumo da água na escola. Ainda se observou que há alguns vazamentos nas torneiras dos bebedouros, o que aumenta o desperdício da água. Está prevista uma reforma na escola a partir do 2º semestre de 2015 para prover filtros de água em todas as salas de aula, diminuindo o desperdício dos bebedouros externos.

Observou-se que na sala de vídeo há tatames que se sujam constantemente. Dessa forma, há a necessidade constante de manutenção do espaço, ou seja, maior utilização de água para lavar os tatames.

Ao analisar o projeto político-pedagógico (PPP) da escola, foi visto como necessário o desenvolvimento de planejamentos envolvendo trabalhos ligados à questão ambiental. Eles são importantes para despertar o sentimento de preservação da natureza e, até mesmo, de cuidados com o próprio corpo, com o foco na importância da água para a higiene pessoal. Por exemplo, no momento de escovar os dentes, as crianças podem ser orientadas a não deixarem a torneira aberta, evitando o desperdício.

Figura 2: Bebedouros

Figura 3: Caixa d’água

Figura 4: Tatames na sala de vídeo

Considerações finais

Inquestionavelmente, a água é um recurso natural indispensável para a manutenção da vida, por isso, se faz necessária à sua preservação, a fim de evitar desperdícios e contaminações que a tornem imprópria ao consumo.

Segundo Leão (1999), a atual geração tem assistido a um intenso progresso tecnológico que provoca graves consequências para a vida no Planeta Terra. A preocupação com a degradação e a exaustão dos recursos naturais deixa de ser tema apenas de ambientalistas, passando a ser prioridade de toda a sociedade. Esta mudança está fortemente evidente nos grandes debates do cenário mundial.

Embora existam previsões de melhorias na E. M. I. Mingau, também são necessárias outras mudanças igualmente importantes, tais como: a substituição das torneiras comuns pelas que contém temporizadores, a troca dos tatames da sala de vídeo por um piso vinílico ou de cerâmica, facilitando a limpeza, a disponibilização de puffs para as crianças, a reutilização da água usada para lavar frutas e verduras da cozinha em outras dependências da escola, a instalação de uma cisterna para o aproveitamento da água da chuva, projetos pedagógicos que envolvam palestras e debates com os pais e a comunidade, atividades, jogos e gincanas que motivem os alunos a adotarem práticas conscientes no cotidiano, excursões a parques ecológicos, sistemas de abastecimentos, aquários e outros locais onde se possa observar concretamente a importância da água.

Outra sugestão é a criação de um “espaço ecológico” na escola, onde deverão ser promovidos trabalho com reciclagem de materiais, construção de um aquário com o fito de proporcionar uma maior compreensão da vida aquática, criação de jogos e de brincadeiras, apresentação de vídeos educativos, dramatização, leituras, músicas e demais atividades ligadas à preservação do meio ambiente. Este espaço também pode ser integrado a uma horta onde as crianças podem plantar, regar e colher os alimentos orgânicos a serem introduzidos no cardápio escolar.

É necessário que projetos sejam desenvolvidos dentro do ambiente escolar, a fim de contribuir para a preservação da água própria para consumo, principalmente nos centros urbanos.

No sentido de trabalhar com problemas ambientais atuais considerando a vivência do aluno e acreditando na possibilidade de fazer inter-relações entre a escola e outros elementos da cultura e na capacidade do professor de direcionar reflexões críticas que possam se pautar em práxis transformadora (Trivelato; Silva, 2013, p. 55).

Nesse contexto, a escola torna-se ambiente favorável para promover discussões, apresentar propostas e encontrar soluções para amenizar os problemas que envolvem a água.

Referências

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VICTORINO, C. J. A. Planeta Água morrendo de sede: uma visão analítica na metodologia do uso e abuso dos recursos hídricos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007.

Publicado em 02 de agosto de 2022

Como citar este artigo (ABNT)

SILVA, Adna Marina Rubem da; SILVA, Adriana Maria Rubem da. O uso consciente de água em espaços escolares: estudo de caso na Escola Municipal Infantil Mingau. Revista Educação Pública, Rio de Janeiro, v. 22, nº 28, 2 de agosto de 2022. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/22/28/o-uso-consciente-de-agua-em-espacos-escolares-estudo-de-caso-na-escola-municipal-infantil-mingau

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