O impacto da aprendizagem humanística na adesão de alunos em escolas nas comunidades de baixa renda da cidade do Rio de Janeiro

Dijiane Alves Candiano Ribeiro

Bacharel em Psicologia (Unesa)

Joseane Peçanha

Bacharel em Psicologia (Unesa)

Laís Onofre Paz da Silva

Bacharel em Psicologia (Unesa)

Rodrigo Santos Henrique da Silva

Bacharel em Psicologia (Unesa)

Camila Maia Franco

Mestra, professora da Unesa

Definir aprendizagem é algo complexo e que tem várias teorias que enfatizam seus diferentes aspectos. Segundo Bock e Furtado (2018), a Psicologia converte a aprendizagem como um objeto de estudo a ser investigado e que de forma tradicional trabalhou em duas correntes, as teorias cognitivistas e a de condicionamento. Moreira (2004) afirma que aprendizagem é uma forma humana de sistematizar um conhecimento e que existem três tipos gerais de aprendizagem em consideração ao ensino: a cognitiva, a humanística, e a comportamentalista. O autor ainda relata que a aprendizagem humanística coloca os aprendizes como pessoa, alguém livre para fazer suas escolhas nas diversas situações e que no caso do ensino deve facilitar a autorrealização e seu desenvolvimento pessoal.

Torna-se importante contextualizar a realidade em que essa aprendizagem no ensino acontece: nas escolas, pois, conforme os dados da Secretaria Municipal de Educação (SME) existem 190 escolas de 6º a 9º ano na cidade do Rio de Janeiro; o Relatório do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (2016) aponta que 42% delas estão em situação precária. Ainda há dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que apontam que a evasão escolar entre jovens de 11 a 14 anos chega a 12,5%, a falta de interesse representa quase 30% dos motivos de abandono (IBGE, 2019).

Por isso, Camurça (2010) aponta que é necessário buscar alternativas para diminuir a evasão escolar, seja pelo uso de metodologias significativas no processo de aprendizagem dos estudantes, ou seja, pelo uso de uma teoria pedagógica que torne o ser humano mais humano, capaz de se ver no outro e enfrentar os desafios que se colocam à sua frente.

A partir das informações citadas a aprendizagem humanística, construída por Carl Rogers (1972), apresenta-se como alternativa para aproximar jovens alunos a aderirem à educação como forma de se desenvolverem e concluírem o Ensino Fundamental. De acordo com Rogers (1972) quando a criança dá significado a algo, que a envolve, a sua aprendizagem não se perde. Rogers (1972) salienta também que o aluno tem uma vontade natural de aprender, sua abordagem envolve deixar o aluno livre para aprender, o professor se torna, então, um facilitador, com a capacidade de aceitar o aluno como uma pessoa e de se colocar no lugar do aluno, desta forma criam-se maiores condições para que o aluno aprenda de modo diferente do ensino tradicional que é centrado no professor e no conteúdo.

Nesse sentido existe também a contribuição de Henri Wallon que diz que o desenvolvimento da pessoa está ligado ao contexto em que ela está inserida e que, ainda, o conjunto afetivo pode deliberar as emoções, sentimentos e paixões, tendo na relação de ensino-aprendizagem, o ponto de vista afetivo como facilitador que permite expressões e discussões acerca das questões que a pessoa traz no seu contexto (Almeida; Mahoney, 2005). De acordo com Bonfante (2011), pode-se considerar que a relação afetiva é uma parte importante para entender o processo de aprendizagem nos indivíduos e que é um ponto de partida no desenvolvimento de habilidades nos jovens. A autora sinaliza ainda que os aspectos afetivos podem ser motivadores e um importante elemento para compreender situações como abandono. Ela afirma também que o educando necessita estar envolvido no ambiente escolar sentindo-se acolhido em todos os sentidos.

Contudo, Pinto (2014) considera que o ensino deva também visar à aquisição de conhecimentos de forma qualitativa e não só quantitativa e entende que a educação é uma atividade criativa, que deve levar a pessoa a exercer suas potencialidades, favorecendo a aprendizagem de forma mais efetiva.

Trazendo os conceitos da aprendizagem humanística apresentados, os dados das questões que existem no ensino-aprendizagem, no sentido de adesão dos alunos no processo de conhecimento, tal abordagem pode ser aplicada como forma de colocar o aluno no centro da construção de novos saberes, bem como traz Rogers (1972) dizendo ser esta abordagem uma facilitadora para os processos pedagógicos na dimensão da realidade contextualizada do aluno, impactando na forma como a aprendizagem acontece.

A qualidade dos processos de aprendizagem se torna importante para impactar o desenvolvimento de jovens na periferia do município do Rio de Janeiro. A aprendizagem humanística é inovadora e pode contribuir para estabelecer interesses mais profundos entre os jovens e a sala de aula, já que “a compreensão empática faz com que o aluno se sinta compreendido, ao invés de julgado ou avaliado” (Moreira, 2004, p. 147).

O problema da pesquisa é: De que maneira o processo de aprendizagem humanística pode impactar na adesão de alunos de comunidades de baixa renda da cidade do Rio de Janeiro?

Como hipótese inicial, o problema será respondido através do levantamento do referencial bibliográfico a respeito da aprendizagem humanística e de como essa aprendizagem pode trazer impactos positivos na sala de aula, identificando as causas pelas quais os estudantes não alcançam uma aceitação escolar, evidenciando assim a importância da relação afeto e comunicação entre os professores e alunos, como um caminho promissor de engajamento por parte dos alunos através da aprendizagem humanística.

O presente trabalho tem como método a revisão de literatura baseado na pesquisa bibliográfica, utilizando como investigação inicial, dados qualitativos, tendo como referências artigos acadêmicos, científicos, livros, publicações de revistas periódicas e trabalhos de conclusões de cursos que tenham relação com o tema aqui proposto, com a finalidade de responder o problema de pesquisa de forma mais assertiva.

Para a aquisição do referencial teórico do conteúdo bibliográfico foram utilizadas plataformas de pesquisas acadêmicas como SciELO (Scientific Electronic Library Online), Pepsico (Portal de Periódicos Eletrônicos de Psicologia) e biblioteca virtual e física da Universidade Estácio de Sá. Foram utilizados dados de estudos publicados por instituições públicas como IBGE e o Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.

Na elegibilidade do estudo foram utilizadas seleções de pesquisas como ano de publicações para livros e artigos entre 1972 a 2021, pesquisas realizadas por autores que são autoridades em aprendizagem, e aprendizagem humanística, publicados em livros acadêmicos, além de autoridades em desenvolvimento humano com publicações em artigos.

Os descritores utilizados foram as seguintes palavras-chave: “aprendizagem humanística”, “ensino aprendizagem”, “evasão escolar”, “afetividade”, “aprendizagem significativa”.

Conceitos de aprendizagem e aprendizagem humanística

As dimensões que definem a aprendizagem podem ser complexas e com vários aspectos, porém é possível destacar três aspectos da aprendizagem: cognitivos, comportamentais e humanísticos. Illeris (2013) define que toda aprendizagem está ligada a um processo externo entre a pessoa e seu ambiente social, cultural, dos processos psicológicos internos, elaboração e aquisição.  Moreira (2004) sinaliza que a aprendizagem comportamentalista está relacionada aos eventos observáveis e mensuráveis; já a cognitivista está ligada aos processos de significação na medida em que o aluno aprende e a humanística tem o aluno como pessoa, livre nas suas escolhas no que diz respeito ao estudo. Santos (2006) também enfatiza que a aprendizagem humanística tem como base a autorrealização do aluno, levando em conta os aspectos cognitivos, comportamentais e afetivos dos estudantes.

Rogers (1972) foi o ícone da visão humanística, ele explica a aprendizagem humanística traz facilitação na aprendizagem do ensino como um processo de relação entre o mediador e o aprendiz de forma autêntica, um caminho de encontro real, onde sentimentos são comunicados e podem servir de estímulos para que a aprendizagem aconteça. Esse autor ainda traz a importância da aceitação empática da pessoa para uma relação de confiança, apreço pelo aprendiz como ser humano dotado de potencialidades, dando uma expressão operacional na capacidade como ser vivo. Uma de suas principais ideias é a da atualização humana, pois acredita que os seres humanos, em particular, têm forte tendência para atualizar e fazer esforços contínuos para se sentirem realizados. Dessa forma, o ser humano vai construindo gradativamente quem ele realmente é.

No livro Tornar-se pessoa, Rogers e Lamparelli (2001) conceituam a aprendizagem significativa como sendo aquela que traz uma modificação no individuo,

Por aprendizagem significativa entendo aquela que provoca uma modificação, quer seja no comportamento do indivíduo, na orientação da ação futura que escolhe ou nas suas atitudes e na sua personalidade. É uma aprendizagem penetrante, que não se limita a um aumento de conhecimentos, mas que penetra profundamente todas as parcelas da sua existência (Rogers; Lamparelli, 2001).

Para Pinheiro (2018), a aprendizagem significativa tem por objetivo deixar a pessoa que aprende, o aprendiz, dotada de qualidade de forma individual, social e emocional correlacionados com suas potencialidades, seja para construir, transformando o objeto de aprendizado, ou dando a ele novas formas e funções, isso sempre ligado a algo relevante para essa pessoa e seus propósitos.

De forma mais objetiva coloca-se que a aprendizagem humanística proposta por Rogers (1972) é tida como um modelo que está relacionado ao ensino, porque o aluno se torna protagonista do seu aprendizado, não somente dirigido, mas com um processo de facilitação realizada por um mediador, que de forma autêntica apresenta as estruturas capazes de modificar a vida do aprendiz, sempre relacionando os métodos de comunicação àquilo que tenha significado com a sua vida.

Aprendizagem humanística no ensino

O processo de ensino-aprendizagem é uma área de investigação em que muitos autores, de diferentes linhas, têm se debruçado, aonde se destaca a humanística, abordagem que tem como objetivo, na relação de ensino- aprendizagem, o foco no aluno, dando a ele o sentido para aprendizagem, criando nele o senso de autenticidade (Castaman; Tommasini, 2020). O mediador, ou especificamente o professor, nesta abordagem, tem o papel de incentivador, cooperador. E não só no que diz respeito à aquisição de novos conhecimentos, mas, também, na maneira que o indivíduo significa o objeto a ser aprendido (Silva, 2019).

Rogers (1972) diz que a educação facilitada é de suma importância e pode contribuir de forma positiva no processo educacional. O ser humano é curioso e possui uma predisposição para aprender e aumentar o seu conhecimento, a curiosidade natural do indivíduo cairia por terra, caso fosse neutralizada pelo sistema de educação. De acordo com Rogers (1972), o aprendiz alcança o conhecimento na sua completude, de modo que, ele e o educador possam crescer mutuamente, pois, descentraliza o educador, tirando dele o papel de quem detém todo o saber, para que ambos busquem o conhecimento e aprendam juntos. O modo como esse processo acontece é dinâmico, o aluno participa da aprendizagem não mais de forma passiva, mas ativa, sendo capaz de assimilar a temática trabalhada naquele momento.

O aluno deve ser ativo, não passivo. Ela ou ele tem que aprender a interpretar, a negociar significados, tem que aprender a ser crítica (o) e aceitar a crítica. Receber acriticamente a narrativa do “bom professor” não leva a uma aprendizagem significativa crítica, a uma aprendizagem relevante, de longa duração; não leva ao aprender a aprender (Rogers, 1969, apud Moreira, 2010. p. 4).

Para considerar uma aprendizagem apropriada faz-se necessário um processo em que o aluno aprenda a aprender, para além da relevância dos conteúdos (Rogers, 1972). Carl Rogers valoriza a capacidade da pessoa de interiorizar o conhecimento fazendo com que o processo se torne constante e não se limite apenas no momento do conteúdo apresentado.

O impacto das emoções na aprendizagem e a relação com a aprendizagem centrada no estudante

A emoção marca as bases da inteligência, ela abre para a possibilidade de uma primeira comunicação, sendo indispensável para o acesso ao mundo da razão. Wallon (1941) confirma que, no contexto em que se diz que a criança não aprende sem vínculo afetivo, a afirmação procede, pois, a emoção é o agente mediador da ação pedagógica. Ainda na perspectiva de Wallon, as relações não são simples e unidirecionais entre a emoção e a razão, existe não somente uma ligação positiva, porém, há, também um espaço para as oposições, o que abre caminho para o acesso ao mundo cultural do outro, nesse caso do aluno (Almeida; Mahoney, 2005).

Para que ocorra a aprendizagem, dada à importância que tem a emoção em relação à cognição, é muito importante que se crie no cenário escolar um ambiente de segurança e de conforto. Pois, só em um clima de segurança afetiva que o cérebro humano age satisfatoriamente, desse modo, as emoções estimulam as cognições (Fonseca, 2016).

Para Henri Wallon, a emoção antecipa a linguagem. O aluno que não está bem emocionalmente, não se socializa, não interage no ambiente educacional. Wallon apresenta três emoções que impedem que a aprendizagem aconteça: a cólera, o medo e a euforia. Nessas três condições pode-se perceber a dificuldade do aluno em interagir e em assimilar o conteúdo ensinado. A emoção para Henri Wallon é uma relação de confiança, e quando o aluno confia na família (no pai, na mãe etc.), no professor, nos amigos de escola, ele está em uma relação saudável, e em uma relação saudável pode haver trocas, conflitos, discordâncias, concordâncias, interação. Tudo isso faz parte do processo saudável no qual uma criança precisa estar inserida, sempre, durante a aprendizagem (Almeida; Mahoney, 2005).

Nesse contexto, Castaman e Tommasini (2020) mostram que a teoria humanística vem ajudar a pessoa no ensino, pois, baseia-se nas relações interpessoais, na individualidade da pessoa como inteira, apoiando sua autorrealização, superando e alcançando todas as aprendizagens citadas (afetiva, cognitiva e comportamental). Essas autoras ainda afirmam que é necessário que os processos educacionais estejam consonantes com o desenvolvimento psicológico do estudante e que os conteúdos estejam de acordo com as evidências que eles trazem de interesse.

Silva (2019) traz à tona a avaliação da importância de os alunos expressarem suas emoções na sala de aula, explicando que a educação emocional e a escola podem ter papel de facilitador de forma positiva no processo de aprendizagem. Para Fonseca (2016) é impossível separar a aprendizagem das emoções, porque nesse processo, alunos e professores interagem e acontecem trocas entre eles. Para esse autor, a aprendizagem não é isolada, nem neutra, e sim um processo que interliga emoções e cognição.  Ele, em suas pesquisas, constatou que as emoções facilitam a construção de aquisição de novos conhecimentos.

Para Rogers (1972), os alunos devem ter confiança, o processo de ensino deve ser organizado para o aluno; os esforços dos educadores servem para criar uma relação de significado, motivando o aluno. Segundo Santos (2016), o que motiva o aluno é a coerência do que está no conteúdo com as expectativas dos alunos e que a escola precisa ter a compreensão de que o estudante tem potencial para aprendizagem e seu papel é facilitar que o processo de aprendizagem ocorra.

Assim, para que a aprendizagem humanística aconteça é necessário que o conteúdo apresentado seja revelador e esteja para aquele que está na condição de aprendiz de maneira concisa (Pinheiro, 2018). O autor afirma que, para que a aprendizagem humanística aconteça no ambiente escolar, se faz necessário contextualizar as realidades de cada local, porque os alunos precisam mais do que dar importância aos conteúdos, sobretudo, dar significado ao processo contínuo da aquisição desses conhecimentos.

Os estudantes neste processo se sentem livres, podendo expressar seus sentimentos e ações sem ser julgados. O ambiente da sala de aula é livre e sem pressões emocionais, um ambiente mais democrático (Rogers, 1972). Para Cicuto e Torres (2017), a aprendizagem centrada no estudante é essencial para o desenvolvimento da autonomia dos alunos, porque se sentem mais motivados a estudar.

A aprendizagem humanística vem para quebrar a maneira tradicional da sala de aula, dando alternativas para um ambiente positivo de aprendizagem, evidenciando o potencial do aluno, mas, também exige do professor planejamento (Cicuto; Miranda; Chagas, 2019).

Moreira (2004) diz que o professor quando atua no modelo tradicional pode ser ameaçador, o autor traz a oposição desse modelo de transmissão de conhecimentos pelo professor, diz que o professor deve ser alguém que facilita o aluno em sua autonomia para a aprendizagem.

O aluno nas comunidades e a aprendizagem humanística como alternativa

Os moradores das comunidades (favelas) convivem com a violência cotidianamente, realidade que tira o direito de ir e vir do cidadão carioca. Fato que prejudica as crianças moradoras dessas regiões que utilizam o sistema público de educação (Santos; Garcia, 2018). Segundo estes autores, esse ambiente escolar, o qual está tomado pela experiência de violência, prejudica o aluno a desenvolver-se, pois, sua atenção, por consequência dessa realidade, não se encontra equilibrada ou até mesmo estável. As autoras explicam como os alunos que moram nas comunidades da cidade do Rio de Janeiro apresentam consequências do medo pela violência latente nesses locais, e como se sentem desmotivados, sem interesse pela escola e ainda sem perspectivas para encontrarem na educação uma forma de mudança de vida.

A aprendizagem humanística e significativa salienta a vida do aluno e proporciona condições adequadas para que ele se desenvolva. Este pensamento humanístico irá captar a pessoa do aluno como um ser humano que pensa, age e sente de uma forma única e pessoal. Por isso, amplia-se o entendimento de que a aprendizagem não se concebe somente com a ampliação de sua capacidade cognitiva, mas, a um todo, principalmente em relação ao meio em que ele vive (Moreira, 2010).

Rogers (1969) pontua sobre a capacidade natural que o homem possui para aprender, e na sua perspectiva, à medida que o facilitador dessa aprendizagem permite ao aluno o contato com situações-problemas da vida, do seu cotidiano, em um clima de liberdade e expressão de sentimentos, o aluno consequentemente se sentirá motivado a aprender, a descobrir e a inventar, reinventando-se.

Diante do caos devido à violência e a falta de estímulos para aprendizagem, uma possibilidade de abrir o campo da criatividade, subjetividade e ideias desse mesmo aluno seria atuar com a aprendizagem humanística como alternativa.

Encontramo-nos em face de situação educacional inteiramente nova, cujo objetivo é a facilitação da mudança e da aprendizagem. Educado é tão-somente, a pessoa que aprendeu como aprender, a pessoa que aprendeu como se adaptar e mudar, a pessoa que se deu conta de que nenhum conhecimento é seguro, que somente o processo de procurar o saber fornece embasamento sólido. Mudança, confiança num processo, de preferência a um conhecimento estático, é a única atitude a ter sentido como alvo para a educação no mundo de hoje (Rogers, 1969, p. 104).

É possível considerar que toda pessoa, independentemente de suas limitações, pode aprender com o outro, e a aprendizagem humanística promove a possibilidade da aprendizagem significativa, porque o aluno se torna capaz de se adaptar às mudanças que o mundo traz que ocorrem no decorrer de sua vida. O facilitador (professor-educador) contribui no auxílio de trabalhar a visão positiva sobre a capacidade dos estudantes, mostrando que aprender é um movimento de crescimento pessoal (Lima, 2018).

De acordo com essa autora, nesta relação de aprendizagem, o estudante se torna o protagonista do seu conhecimento e o professor alguém que o ajuda a entrar em contato com seus interesses, encontrar seus objetivos e expectativas, motivados a buscar sempre mais saberes, não sendo armazenador de informações, mas, assimilador de conhecimentos significativos para sua vida.

Considerações finais

Diante do que foi exposto, considera-se que a aprendizagem humanística coloca o educando como figura central do aprendizado. Este tem um papel fundamental em seu aprendizado e o professor é visto como um facilitador no processo. Dessa forma, cria-se um clima maior de liberdade e responsabilidade com os alunos, proporcionando a conquista da autonomia do aluno. O educador deverá aceitar o aluno como ele é, e compreender os sentimentos que ele possui. O conteúdo apreendido vem das experiências do aluno. E a educação, com foco no aluno, o coloca como sujeito de iniciativas, de responsabilidades e de autodeterminação.

Evidencia-se neste estudo que a teoria humanista pode tornar-se um achado no processo de ensino aprendizagem, possuindo ideias e fundamentos com bases humanas, no aprender a aprender, na liberdade para aprender, no ensino centrado no aluno e no crescimento pessoal. Nesta perspectiva, a pessoa do aluno consegue fortalecer suas habilidades e torna o ensino expressivo e refletido. A aprendizagem humanística enfatiza a importância da formação crítica dos estudantes e o professor se torna o facilitador dessa aprendizagem significativa.

Tendo em vista a realidade das escolas, o ambiente em que a aprendizagem acontece de forma mais efetiva, principalmente nas escolas das comunidades, o modelo proposto por Rogers é uma alternativa para se agregar à relação de professores e alunos.

Percebe-se ainda o uso da pedagogia tradicional de ensino em muitas escolas brasileiras, em que o aluno precisa memorizar os conteúdos que são apresentados no currículo escolar, não levando em questão a realidade que o aluno está inserido, diferentemente, da aprendizagem progressista construtivista da teoria humanística em que a aprendizagem expõe significados diante do aprendiz, tornando-o motivado e interessado no processo de aprender e de se relacionar com o conhecimento.

Nesta sociedade contemporânea, em que o conhecimento de uma educação que liberta tem sido tão atacado por pessoas que se dizem autoridades, mas não compreendem nada do processo de aprendizagem, estimular aprendizes que pensem de forma crítica, autônoma, motivada e com interesse em aprender, se torna não só uma alternativa, mas uma necessidade de se viver melhor na sociedade atual. Todavia, é preciso que não seja só uma proposta isolada, mas, sim um processo de construção de políticas públicas e pedagógicas, que haja um diálogo com a sociedade, com o corpo escolar, com a família e principalmente, com os estudantes. 

Conclui-se com este estudo que a aprendizagem humanística não deixa de considerar os outros tipos de aprendizagens, e, sim, colabora na criação de um ambiente, dentro da sala de aula, que considera o potencial dos alunos que fazem parte do processo de aprendizagem. Além disso, a teoria humanística faz com que o ambiente da sala de aula se torne um espaço onde a detenção do poder não está centrada numa única pessoa, mas é construída de forma coletiva, livre de preconceitos e estimulando o crescimento das pessoas, com condições muito mais eficazes para o aprendizado dos alunos.

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Publicado em 09 de agosto de 2022

Como citar este artigo (ABNT)

RIBEIRO, Dijiane Alves Candiano; PEÇANHA, Joseane; SILVA, Laís Onofre Paz da; SILVA, Rodrigo Santos Henrique da; FRANCO, Camila Maia. O impacto da aprendizagem humanística na adesão de alunos em escolas nas comunidades de baixa renda da cidade do Rio de Janeiro. Revista Educação Pública, Rio de Janeiro, v. 22, nº 29, 9 de agosto de 2022. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/22/29/o-impacto-da-aprendizagem-humanistica-na-adesao-de-alunos-em-escolas-nas-comunidades-de-baixa-renda-da-cidade-do-rio-de-janeiro

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