Diversidade cultural na escola

Italo Antônio Amaral de Brito

Licenciado em Pedagogia (UFPA)

Sabrine Caroline da Silva Carvalho

Licenciada em Pedagogia (UFPA)

Este estudo resulta das análises realizadas em trabalhos acadêmicos que abordam a importância e a necessidade de estabelecer a integralização entre a escola e a diversidade social para que assim os sujeitos em formação não adquiram ou perpetuem preconceitos e discriminações para com os outros e aprendam a respeitar as diferenças de forma a entender que todos são iguais, independente de cultura.

Inegavelmente, a escola contemporânea está diante de constantes variações sociais que impulsionam a busca por novos posicionamentos referentes a uma mudança de paradigma nas concepções de escola e dos processos de ensino-aprendizagem que precisam se adequar às necessidades do alunado, principalmente pelo fato de que as desigualdades sociais acentuam o fracasso escolar na atualidade.

Nesse sentido, observamos a necessidade de que a escola atual corresponda às demandas da sociedade acerca do enfrentamento das desigualdades sociais, econômicas e raciais para que as disparidades causadas por esses fatores sejam amenizadas e se estabeleça um ambiente escolar de forma acolhedora, livre de preconceitos e injustiças, pois, como afirmam Gentili e Alencar (2007, p. 11),

a maneira como a escola trata a pobreza constitui uma avaliação importante do êxito de um sistema educacional. Crianças vindas de famílias pobres são, em geral, as que têm menos êxito, se avaliadas através dos procedimentos convencionais de medida, e as mais difíceis de serem ensinadas através dos métodos tradicionais. Elas são as que têm menos poder na escola, são as menos capazes de fazer valer suas reivindicações ou de insistir para que suas necessidades sejam satisfeitas, mas são, por outro lado, as que mais dependem da escola para obter sua educação.

Dessa forma, as exigências do mundo contemporâneo indicam a necessidade de uma educação diferenciada, deixando clara a necessidade de uma formação e informação dos educadores de qualidade para que, dessa forma, o ensino proporcione aos estudantes transformação nos aspectos sociais nos quais estão inseridos.

Diversidade, diferenças e desigualdades: esclarecendo conceitos

É notória a importância de que as escolas trabalhem as diversas culturas, o que é algo simples e ao mesmo tempo complexo. A cultura é cultivo; ou seja, antes de tudo, cultura é trabalho, trabalho humano transformando a natureza, de forma mais explícita transformando o amplo conjunto de resultados adquiridos coletivamente pelos homens no transcorrer do processo de transformação que exerceu sobre a natureza, sobre resultados culturais anteriores ao seu momento histórico. Entender que existem formas distintas de pensar, sentir, viver e agir é importante para conhecer a própria história e assumir uma postura respeitosa diante do outro. Isso precisa ser estimulado desde a infância para que as crianças cresçam empáticas e sem preconceitos, o que contribui para garantir o seu pleno desenvolvimento; ao tratar de diversidade cultural na escola, Freitas (2011, p. 90) afirma:

A escola e, consequentemente, a educação, como espaço em que as contradições sociais se manifestam, convertem-se em um dos cenários do multiculturalismo. A presença das múltiplas culturas não é uma invenção escolar, mas a convivência entre as múltiplas culturas existentes no ambiente escolar é fator importante no contexto de que estamos tratando. Essa convivência é resultado das interações humanas, seja por processos de colonização, migração, êxodo, guerras etc.

A cultura é a identidade de um grupo e o que faz com que ele seja único no mundo. Como o planeta tem muitos povos com os respectivos costumes e tradições, podemos dizer que convivemos rotineiramente com a diversidade cultural. Existem muitos elementos que fazem parte da representação de um povo, como religião, idioma, costumes, folclore e manifestações culturais, entre outros. Com isso, as pessoas que pertencem a determinado grupo conseguem se identificar com essas características comuns e, com base nisso, construir suas próprias identidades.

No Brasil temos uma riqueza cultural extraordinária, estando longe de ser um lugar homogêneo culturalmente; todos falam a mesma língua, além da linguagem de sinais, porém, com sotaques diferentes, incluindo na linguagem de sinais esses sotaques, dependendo da cidade em que se vive; isso marca o encontro de diferentes grupos, que veem a vida de maneira diferente, baseados em suas particularidades, mas que podem perfeitamente conviver em harmonia.

As diferenças fazem parte de um processo social e cultural e que não servem para explicar que homens e mulheres, negros e brancos, se distinguem entre si; são antes para entender que, ao longo do processo histórico, as diferenças foram produzidas e usadas socialmente como critérios de classificação, seleção, inclusão e exclusão. A diversidade cultural está presente diariamente no contexto brasileiro, expressando-se na música, na dança, na culinária, na língua e em inúmeras atividades no cotidiano. Por isso, a escola precisa estimular as diferenças e dar significados para oportunizar e produzir saberes em diferentes níveis de aprendizagens.

Repensando as práticas escolares

Tendo em vista que a escola sofreu alterações no que tange ao currículo e seus conteúdos ao longo da história, é perceptível uma abordagem com ênfase nas condutas; partindo desse ponto, houve modificações que retratam a "alquimia" dos conhecimentos escolares, uma vez que a escola passa a abarcar não só os conteúdos, mas o sujeito na condução de sua própria conduta. A escola é um mecanismo que contribui e sempre contribuirá para a harmonização dessas particularidades da sociedade; por meio dela, podem ser introduzidas ou discriminadas, explícita ou implicitamente, as diferenças culturais. Houve um tempo em que a escola servia para homogeneizar as pessoas, para pensar o mesmo, falar da mesma forma, seguir as mesmas crenças, ou seja, desligava o indivíduo e sua diferença cultural para seguir um padrão regrado e imposto por uma cultura dominante. Hoje em dia, há grandes mudanças no comportamento de homogeneização cultural na escola.

Apesar de a escola ser um local em que a diversidade é muito presente, desde ha´muito tempo as instituições escolares influenciavam a homogeneização dos indivíduos, mesmo sabendo que cada aluno tem seus costumes, seus princípios e suas crenças.

Historicamente falando, a escola tem dificuldades para lidar com a diversidade. As diferenças tornam-se problemas ao invés de oportunidades para produzir saberes em diferentes níveis de aprendizagens. A escola é o lugar em que todos os alunos devem ter as mesmas oportunidades, mas com estratégias de aprendizagens diferentes (Paim; Frigério, 2004).

O trabalho que envolve a diversidade cultural pode abranger atividades grupais e/ou individuais, tanto pré-planejadas pelo professor como de escolha própria e livre do aluno. Diversificar a escola não quer dizer que irão se formar grupos homogêneos, mas sim que se beneficiará a transferência de experiências, além do crescimento e do amadurecimento de cada um dos alunos.

Para que uma instituição de ensino trabalhe bem com a diversidade cultural, é de maestria dos professores objetivar resultados que pretendem alcançar com atividades e planejamento, para que os conteúdos e a aprendizagem cheguem da mesma forma, mas de maneiras diferentes, que incluam a todos.

Para compreender seu desenvolvimento, é preciso considerar o espaço em que as pessoas vivem, a maneira como constroem significados (Paim; Frigério, 2004).

Considerações finais

Analisando o papel da escola e da educação como meio de orientação do indivíduo na atualidade, é de extrema necessidade repensar as práticas escolares, para que de fato ocorra a efetivação do conhecimento das diversidades culturais, que se ensine aos alunos a criticidade, a compreensão, a observação e, como resultado, ajudá-los a perceber o valor da sua cultura, do seu sotaque, da sua religião, do seu gênero, e que não se deixem ser silenciados e menosprezados por uma cultura dominante que, aos poucos, vem sendo vencida pelo esclarecimento histórico da evolução da sociedade. Charlot (2005) não descarta a influência da cultura e dos hábitos repassados pelo meio familiar, principalmente por aqueles que sofrem com o peso das desigualdades presentes na sociedade e que, pela falta de acesso a um processo educacional bem-sucedido, não têm como repassar aos filhos o incentivo necessário para a construção e o entendimento de uma cultura acadêmica, o que infelizmente contribui para a perpetuação das discrepâncias sociais ao longo dos tempos e que ainda estão presente na da sociedade contemporânea.

Com isso, a investigação sobre os impactos que a relação entre a educação e a diversidade cultural causa na instituição escolar contemporânea e na formação do sujeito permeia uma pedagogia diferenciada que inclui no objetivo da escola oferecer a todos uma boa base cultural e conseguir que todos os alunos tenham acesso a essa cultura e dela se apropriem, além de obter um papel social mais abrangente.

Referências

CHARLOT, Bernard. Relação com o saber, Formação dos professores e globalização: questões para a educação hoje. Porto Alegre: Artmed, 2005.

FREITAS, Fátima Silva de. A diversidade cultural como prática na educação. Curitiba: Ibpex, 2011.

GENTILI, P.; ALENCAR, Chico. Educar na esperança em tempos de desencanto. 7ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.

MICHALISZYN, Mario Sergio. Educação e diversidade. Curitiba: Ibpex, 2008.

PAIM, Eliane Rosário; FRIGÉRIO, Neide Aparecida. O desafio de trabalhar a diversidade cultural na escola. Universo Acadêmico, Nova Venécia, nº 5, p. 15-28, 2004.

RAMALHO, Lays da Silva. Diversidade cultural na escola. Revista Diversidade e Educação, Rio de Janeiro, v. 3, nº 6, p. 29-36, jul./dez. 2015.

Publicado em 06 de setembro de 2022

Como citar este artigo (ABNT)

BRITO, Italo Antônio Amaral de; CARVALHO, Sabrine Caroline da Silva. Diversidade cultural na escola. Revista Educação Pública, Rio de Janeiro, v. 22, nº 33, 6 de setembro de 2022. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/22/31/diversidade-cultural-na-escola

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