Pedagogia e Educação Física: concepções e perspectivas sobre os processos de regulação e atuação do pedagogo

Maykon Dhonnes de Oliveira Cardoso

Mestrando em Educação (UFT), licenciado em Pedagogia (IESC/FAG), especialista em Gestão, Orientação e Supervisão Escolar (FAEL), membro do Conselho Estadual de Acompanhamento e Controle Social do Fundeb

Claudionor Miranda de Farias

Licenciado em História (Unitins), especializando em Metodologia do Ensino Superior (Unitpac), professor da Educação Básica na Secretaria Municipal de Educação de Colinas do Tocantins

A pesquisa proposta tem como finalidade a compreensão da importância da Educação Física na vida do indivíduo nos anos iniciais do Ensino Fundamental e o papel do pedagogo diante dos processos históricos e conceituais da Educação Física. Diversos motivos levaram-nos a desenvolver essa temática, sobretudo a falta de profissionais da área nos anos iniciais do Ensino Fundamental em todo o país.

Compreende-se que o pedagogo e sua atuação docente têm o papel de ensinar todas as áreas de ensino, mas também é relevante destacar que não se sente capacitado para ministrar aulas de Educação Física; por isso, dá-se importância a um profissional ou formação para os docentes aplicarem essas aulas, contribuindo para o desenvolvimento integral de cada indivíduo. Diante dessa questão, surgiu uma pergunta notável: como se materializa o desenvolvimento do conhecimento instituído pelo profissional da Pedagogia ao desenvolver atividades profissionais de docência no componente curricular Educação Física nos anos iniciais do Ensino Fundamental em suas percepções históricas e conceituais? 

Salienta-se a importância desta pesquisa a fim de analisar se as metodologias, o conhecimento teórico e conceitual e as concepções regulatórias de legislação da Educação Física estão sendo proporcionadas de na educação nacional e se o pedagogo sente-se capacitado para atuar de forma satisfatória para que o processo de ensino-aprendizagem seja produtivo; assim, é necessário identificar os desafios encontrados pelos pedagogos diante dessa realidade, contribuindo para que haja uma formação do pedagogo frente às aulas de Educação Física, pois sabemos que muitas vezes o conteúdo da disciplina acaba ficando em segundo plano e em alguns momentos é substituída por atividades livres, sem objetivo significante para o indivíduo por falta de conhecimento do docente.

Para existir conexão significativa é relevante que o profissional da Pedagogia reflita sobre a relevância que a disciplina tem no desenvolvimento motor do estudante e que esteja em sintonia com a BNCC. É necessário que o docente estimule e encoraje os estudantes a participar e executar as atividades propostas; assim, constitui-se em uma aprendizagem de todas as partes.

Compreendemos que o profissional da Pedagogia se encontra despreparado em seus aspectos formativos para desenvolver todas as áreas de conhecimento, mas possui o papel de repensar sua pratica pedagógica e refletir sobre sua prática formativa, estimulando aspectos de desenvolvimento pessoal e profissional.

A abordagem utilizada na pesquisa é descritiva, sendo uma pesquisa bibliográfica e documental. A pesquisa bibliográfica teve como conceitos fundamentais de leitura legislações presentes no ordenamento jurídico vigente, além de artigos, revistas e livros que discutem a temática.

Legislação e organização estrutural do componente curricular Educação Física

A ideia de regulamentar as profissões no Brasil aconteceu dos anos 1940 aos anos 60, quando foram regulamentadas atividades como: advogado, artista, assistente social, corretor de seguros, dentista, economista, fisioterapeuta e terapeuta, geólogo, médico, veterinário, músico, nutricionista, conselheiro, psicólogo, piloto, publicitário, químico, relações públicas, atuário e jornalista, entre outros. Exatamente 30 profissões foram regulamentadas apenas nessas três décadas, sem mencionar as recentemente regulamentadas, como a Educação Física, nos termos da Lei nº 9.696/98.

O processo de regulação de uma profissão é notavelmente influenciado pela política de Estado que controla os trabalhadores; foi implementado pelo governo Getúlio Vargas. Um dos maiores problemas desse período foi controlar a classe média emergente, que era composta de diferentes profissionais. A solução era regular essas profissões, colocá-las no rebanho do Estado, onde poderiam estar monitoradas e controladas. “Uma série de legislações foi criada para ampliar os benefícios sociais, particularmente no campo de trabalho, aplicando e monitorando leis, bem como diferentes formas de controle de sindicatos e profissionais” (Goulart, 1990).

Levantou-se a bandeira em favor do regulamento, que culminou com a aprovação no plenário do Congresso Brasileiro de Educação Física, a mais alta autoridade representação de classe, em dezembro de 1994 (Steinhilber, 1998). Em 1987, a publicação do parecer jurídico levou à criação do bacharel em Educação Física, uma profissão que até então não era regulamentada pelo MEC. Na sequência desse reconhecimento, o movimento que apoiou o regulamento foi capaz de promover a passagem do projeto de lei 330-C, “com a Comissão de Constituição e Justiça, que mais tarde sofreu algumas alterações para se tornar a Lei nº 9.696/98“ (Monteiro, 2006).

Como marco legal que alterou o status de instrutores de Educação Física, tornou-se uma especial autarquia de regime e uma organização sem fins lucrativos sediada no Rio de Janeiro, cuja finalidade era regulamentar e monitorar as atividades dos profissionais de Educação Física. A lei que visa regulamentar o comércio da Educação Física em seu aspecto de instrutor e também qualificou o profissional como única pessoa autorizada a trabalhar nesse campo, em que ele ou ela foi solicitado a ser credenciado pelo Conselho Regional de Educação Física (CREF). Hess e Toledo (2011) afirmam que, mesmo modificando positivamente o status da Educação Física na escola, a LDBEN

não promoveu a especificação da existência das aulas de Educação Física em todos os ciclos da Educação Básica, nem que os professores que ministrassem essas aulas tivessem uma formação adequada. Conforme já tem ocorrido com muitas leis no país, elas são promulgadas e nem sempre efetivadas (Hess; Toledo, 2011, p. 4).

Outro aspecto importante refere-se à qualidade da entrega do conhecimento adquirido. Dizia-se que a qualidade das aulas de Educação Física era ruim porque muitos profissionais não possuíam educação para ensinar e monitorar atividades físicas. A regulamentação da profissão também seria importante para a sociedade, porque a partir de 1998 “apenas um indivíduo acreditado seria capaz de trabalhar como instrutor, estabelecendo assim ética para a profissão” (Reppold Filho, 2003).

Professor Barros diz que a legalização não é um instrumento que garanta um melhor profissional, isso só ocorreria por meio do desempenho do profissional, consciência, educação e princípios orientadores da ética. Dessa maneira, “o Conselho de Comércio teria muitas funções, uma das quais seria garantir nichos específicos e exclusivos para esse profissional” (Barros, 2000, p. 108-109).

Sob essa abordagem, pode-se tirar a conclusão de que os profissionais a favor da regulamentação apoiavam algumas “verdades”: em primeiro lugar, credenciamento é sinônimo de qualidade e competência; em segundo lugar, um grupo de monitoramento interferia na ética; e, por último, profissionais credenciados garantiam a segurança à população.

Concepção da Educação Física em seus aspectos histórico e científico

Segundo Darido e Rangel (2017), a Educação Fisica é entendida de três maneiras: como uma profissão dentro e fora da escola, como estudos cientificos e como elemento curricular das escolas. Ela passou por varios momentos de entendimento pela sociedade, até surgirem diversidades de movimentos os quais foram atribuidos e modificados ao longo do tempo, implementando a cultura corporal do movimento.

Em vista disso, a Educação Física é uma área que trabalha a cultura corporal, então se sabe que o temor central é a pratica pegadogica da Educação Física na Educação Básica, ja que, desde sua origem, o individuo produz cultura; portanto, é a partir dessa fase que o individuo começa a conhecer totalmente seu proprio corpo. Em consequência disso, os Parametros Curriculares Nacionais (Brasil, 1998) definem que

a história da humanidade é uma história de cultura, a capacidade que tudo o que o ser humano faz está introduzido num contexto cultural, produzindo e reproduzindo cultura. Ela é uma união de códigos simbólicos conhecidos por todos os individuos do grupo desde o momento da sua geração.

Dessa maneira, a Educação Física é uma área da cultura corporal de movimentos e um componete curricular que estabelece e engloba essa cultura corporal para os individuos, formando pessoas críticas.

Essa cultura do movimento trabalha atividades expressivas, como jogos, esportes, danças, ginásticas e luta. Em vista disso, a Educação Física acaba sendo complexa em todas as fases da educação, porém seu foco principal é o corpo em movimento, ou seja, áreas de conhecimento que podem ser chamadas de cultura corporal (Darido; Rangel, 2017, p. 32).

Essa concepção da Educação Fisica se fez pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, propostos pelo MEC como instrumento de trabalho para os professores das quatro primeiras series do Ensino Fundamental; foi de suma importância para o desenvolvimento dos individuos, porém em 2018 surgiu a BNCC, imposta para ser trabalhada em todas as instituições educacionais para uma educação mais significativa.

Em decorrência disso, a BNCC na Educação Física traz três elementos fundamentais de práticas corporais: movimento corporal, organização interna e produção cultural. Cada uma dessas práticas corporais aborda as seis tematicas trabalhadas ao longo do Ensino Fundamental: brincadeiras, jogos, danças, lutas, ginastica e esporte.

Essas temáticas são denominadas práticas corporais de aventura, porque são introduzidas de forma lúdica aos alunos; assim, conforme vão trocando ideias e informações, vão adiquirindo as dimensões de conhecimentos: experimentação, uso e apropriação, fruição, reflexão sobre a ação, construção de valores, análise, compreensão e protagonismo comunitário.

Educação Física e anos iniciais do Ensino Fundamental

Ao situar a Educação Física no Ensino Fundamental, o docente já deve estar ciente de sua tarefa, pois, além de ensinar as principais atividades, ler e escrever, o professor tem que se encarregar de todas as tarefas exigidas nessa faixa de ensino; o professor tem que se mostrar capaz e responsável para desenvolver toda e qualquer disciplina nessa fase de aprendizagem (Graber; Kim, 2014, p. 13).

Com essa postura, o profissional da Pedagogia depara-se com o componente curricular Educação Física, com o processo de desenvolvimento rejeitado por muitos docentes que não se sentem preparados para ensinar, mas independente disso o docente deve procurar se informar e desenvolver essas aulas, visto que essa disciplina é de suma importância para o desenvolvimento da autonomia do aluno.

A autonomia é contribuída aos estudantes se for vivenciada diariamente em diferentes tipos de aulas práticas, ou seja, ela pode ser apontada através da cultura corporal e seu papel na sociedade; dessa maneira, o indivíduo compreenderá a importância de manter uma boa alimentação, gostar de jogos, não usar a Educação Física para praticar quaisquer tipos de violência, mas sim posicionar-se criticamente quanto ao uso incorreto dos conhecimentos adquiridos sobre a Educação Física.

A autonomia dos alunos também pode ser causada quando o professor impõe a eles escolher seus times, criar e mudar regras, definir grupos, discutir sobre espaços etc. Em outros termos, a autonomia é dada pela estimulação para que o aluno participe das decisões e reflexões em sala. Nesse contexto, compreende-se que a Educação Física tem papel importante na escola, na formação inicial do estudante e em seu desenvolvimento futuro (Darido; Rangel, 2017, p. 40).

Dessa maneira, uma formação qualificada do professor seria fundamental para exercer essa disciplina de forma que “não posso passar despercebido pelos alunos, e que a maneira como me ajuda ou desajuda no cumprimento de minha tarefa de professor aumenta em mim os cuidados com o meu desempenho” (Freire, 1996, p. 97).

Ser educador constitui-se o papel crucial de auxiliar os estudantes na sua autoconstrução, de forma que estudem, sintam vontade de aprender, se dediquem aos estudos, buscando sempre mais motivações a desenvolver na aprendizagem. Por esse motivo, é considerável oferecer formação de qualidade aos professores. Desse ponto de vista,

indicamos, então, a necessidade de buscar alternativas metodológicas para a formação continuada ou capacitação docente dos professores, como um ponto estratégico para interferir, no âmbito de nossas possibilidades mais imediatas, na qualidade da prática pedagógica em Educação Física (Bracht, 2005, p. 62).

Em decorrência, a disciplina de Educação Física seria responsável por tornar o ambiente escolar mais prazeroso e garantir mais momentos agradáveis para as crianças. Considera-se que os profissionais de Educação precisam situar nas políticas educacionais, nas matrizes curriculares e carga horaria da disciplina tudo que prejudique como docente. É relevante que busquem sempre envolvimento e comprometimento de todas as classes para um desenvolvimento de qualidade, buscando desejar o reconhecimento da disciplina e da educação escolar como um todo.

O profissional da Pedagogia e sua atuação nos anos iniciais do Ensino Fundamental

A Pedagogia tem a perspectiva de origem, a arte de direcionamento da criança; foi desenvolvida em estreita conexão com a prática educativa, emergindo como a teoria ou ciência dessa prática e sendo identificada em contextos específicos com a maneira muito intencional de fornecer educação.

Ao longo de vários anos, a Pedagogia estabeleceu uma rica tradição teórica e científica sobre a prática educativa que deve continuar a ser desenvolvida, apesar das inúmeras objeções que tem enfrentado na história do pensamento humano (Aranha, 2012).

Compete ao educador, pela intervenção pedagógica, propiciar a realização de aprendizagens significativas, uma vez que ela nunca é completa; sempre é possível determinar alguma relação entre o que se pretende compreender e as capacidades de estudo, reflexão e conhecimento que o indivíduo já possui. Diante disso, Libâneo (2004) afirma que a percepção que se tem é que a formação do pedagogo escolar (PE) passa a ser entendida como um processo continuo de qualificação.

O professor deve ter segurança formativa concreta sobre o que, quando e como ensinar e avaliar os estudantes, assim ele estará planejando sua atividade de forma coerente com seus objetivos. É considerável essa reflexão do professor, porque assim ele estará preparando suas aulas diárias a fim de propor situações de aprendizagem que visam o desenvolvimento cognitivo da criança.

É de suma importância que os professores estejam em total concordância com a Base Nacional Comum Curricular ao ministrar suas aulas, visto que ela organiza propostas de aprendizagem por etapas e modalidades. O objetivo dessas propostas é fazer com que o estudante se desenvolva de forma significativa, em tempo escolar; para isso, é relevante a disponibilidade de aprendizagem de modo geral.

Em vista disso, Libâneo (2004) afirma que o papel do pedagogo é “planejar, coordenar, gerir acompanhar e avaliar todas as atividades pedagógico-didáticas e curriculares da escola e da sala de aula, visando atingir níveis satisfatórios de qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens dos alunos”.

Portanto, pertence ao docente a tarefa de aprimorar a aprendizagem, refletindo sobre sua prática docente e instituindo pontos de coalização entre o estudante e o conhecimento, apresentando os conteúdos e atividades para a plena compreensão do porquê e para que estejam aprendendo tal conhecimento e assim se desenvolvam positivamente e se sintam motivados para o exercício escolar.

A Educação Física tem a concepção de atividades que estimulem a coordenação motora; por esse motivo, tem necessidade da organização biológica dos alunos, como a aptidão física e o controle de energia, bem como as de ordem neurocomportamental próprias à aquisição de habilidades motoras e de controle de informações. Os conteúdos trabalhados na Educação Física são salientados em Freire (2003), que afirma que toda e qualquer manifestação cultural “deve corresponder à dimensão lúdica ou a construção de técnicas de desenvolvimento corporal”, traduzidas ainda nos PCN (1997) como cultura corporal, que vão ser categorizadas em atividade rítmica e expressiva, ginastica, jogos, lutas, esportes e conhecimento do corpo.

Contudo, com o objetivo de melhorar as práticas educativas nas escolas brasileiras, em 2018 constituiu-se a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que tem como objetivo desenvolver a aprendizagem dos alunos ao longo de etapas e modalidades da Educação Básica. A Base tem como importância o desenvolvimento dos alunos por meio de conhecimentos, competências e habilidades que irão estimula-los ao longo da escolaridade.

Portanto, ela traz na área da Educação Física um componente curricular muito relevante no desenvolvimento da criança, que são as práticas corporais em suas diversas formas e significâncias; o movimento humano sempre está presente no âmbito da cultura, por isso é de fundamental importância que o profissional tenha a consciência de aplicar suas aulas sempre abordando as normas que a BNCC impõe para que o processo de aprendizagem tenha resultados convincentes ao que se pretende ser alcançado (BNCC, 2018).

Como consequência disso, o pedagogo deve desenvolver práticas pedagógicas que visam estimular a autonomia dos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem na escola (professores e alunos), promovendo a conscientização e a apropriação, por parte dos professores, do que ensina e, por parte dos alunos, do que se aprende. Em discussão sobre isso, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional define que

os componentes curriculares Educação Física e Artes poderão estar a cargo do professor de referência da turma, aquele com o qual os alunos permaneçam a maior parte do período escolar, ou de professores licenciados nos respectivos componentes (Brasil, 2010, p. 9).

Em decorrência disso, existe o termo “polivalente”, que se refere a um professor que trabalha em várias áreas do ensino, com o objetivo de treinar e ensinar às crianças as disciplinas básicas (disciplinas): a língua nativa (alfabetização), História, Geografia, Ciências e Matemática.

No entanto, o objetivo de ensinar as disciplinas básicas mencionadas nas primeiras séries permanece; na realidade escolar brasileira, os professores ainda trabalham como “polivalentes”; segundo Lima (2007), seria polivalente, então, a pessoa com múltiplos saberes, capaz de transitar com propriedade em diferentes áreas.

Preparar docentes para o serviço na educação moderna é um desafio para as instituições de Ensino Superior; é compreensível que haja diferenças entre nações e culturas devido às suas tradições individuais e históricas, mas o aprendizado motor pode ser uma área muito complicada de ensino; assim, o pedagogo está capacitado a desenvolver o aprendizado. Aprender habilidades motoras simples não requer muito processamento intelectual, mas repetir o exercício para reforçar essas habilidades é um dos principais fatores que causam desmotivação e falta de envolvimento em longo prazo. Isso às vezes também leva a outros problemas relacionados à motivação, como agressão, violência ou mau comportamento, “embora os professores devam estar cientes das diferenças entre os vários esportes usados na Educação Física no número de situações conflitantes que podem surgir” (Bronikowski et al., 2006).

Um nível consciente de envolvimento pode envolver os alunos em profundidade e isso acontece porque as tarefas que os alunos enfrentam devem ser atraentes para que possam percebê-las como desafiadoras e merecem que invista sua energia nelas, é aconselhável desenvolver e manter a motivação e promover a participação, particularmente entre as crianças menos aptas e menos ativas. Para isso o educador precisa seguir os objetivos gerais da BNCC, como fazer com que o individuo conheça e cuide de seu corpo através de movimentos corporais, valorizando e criando hábitos saudáveis.

É importante perceber que, apesar da forte associação com aspectos físicos, o principal objetivo da Educação Física é preparar um jovem para entrar na idade adulta com o potencial mais desenvolvido (“talentos ocultos”), para que possa contribuir para a sociedade de forma abrangente.

Acreditou-se que a sociedade por muito tempo era um sistema altamente organizado de componentes relacionados (classe, família, gênero, partidos e governantes sendo governados). No entanto, mais recentemente, essa divisão tradicional da obrigação social (e de obrigações morais) foi enfraquecida, se não perdida.

De maneira interativa, “há famílias monoparentais que desempenham o papel de mãe e pai, não há classes nem mesmo o elenco dominante é claro, pois há tantas fontes de influências poderosas – mídia, negócios, tratados internacionais e alianças financeiras” (Grzybowski, 2002).

Compreende-se então que o educador deve intervir e estimular o aluno a prosseguir em seus conhecimentos e habilidades e, através de suas propostas, fazer com que o aluno crie condições para ser independente, participativo e com autonomia de pensamento e ação; dessa forma, o educador enfatiza o papel importante que têm as aulas de Educação Física no processo de ensino-prendizagem.

Considerações finais

A Educação Física é de suma importância no desenvolvimento motor e intelectual da criança, dentro do contexto teórico, metodológico e conceitual, observando suas concepções, pois o indivíduo estabelece funções e capacidades físicas para solucionar problemas e assim estabelecendo uma vida mais saudável.

Desse modo, a participação do pedagogo na vida desses estudantes é relevante nessa fase de ensino, pois percebe-se que há falta de profissionais de Educação Física nos anos iniciais e isso acaba afetando o desenvolvimento do aluno, já que o responsável pela sala de aula não se sente tão preparado para ministrar essa disciplina.

O indivíduo possui movimentos que devem ser estimulados dia a dia; isso deve ser trabalhado na escola por profissionais experientes; levando em conta a falta de educadores físicos nas escolas, é pertinente a busca de formação e conhecimento da disciplina pelos pedagogos.

O pedagogo tem conhecimento do currículo de Educação Física pela BNCC, que engloba todas as matérias, com isso ele trabalha em sala; mesmo tendo esse conhecimento, o pedagogo necessita de uma formação acadêmica e continuada mais voltada para o desenvolvimento cognitivo, desenvolvimento intelectual e processos, qualificando-se nesse componente curricular.

Por isso, capacitações são necessárias para que ele faça um trabalho mais significante para cada indivíduo, já que a Educação Física desenvolve a autonomia do estudante e o professor é à base desses estímulos diários.

A Educação Física, quando pensada em sua dimensão ampla, é o componente curricular que mais se associa ao desenvolvimento social; trabalha além dos movimentos corporais, trabalha também linguagem, raciocínio, soluções de problemas, atenção, aceitação de regras, respeito às culturas, como trabalhar em equipe e vários outros fatores importantes na sociedade. Justamente por isso, o pedagogo, mesmo sabendo e ciente da falta do educador físico nas instituições, deve promover essas aulas em sua carga horária.

Nesse caso, conclui-se que o pedagogo, sendo um profissional polivalente, deve conduzir o processo formativo em Educação Física e se apropriar dos pontos regulatórios, conceituais e das concepções pedagógicas da Educação Física, aprimorando sua didática, proporcionando sempre lazer e aprendizagem aos alunos, principalmente nas primeiras séries do Ensino Fundamental, em que os alunos estão descobrindo o mundo em si, pois é nessa fase que o aluno é curioso e demonstra interesse pelas descobertas do mundo. Dessa forma, a Educação Física traz essa curiosidade e o pedagogo acaba sendo responsável por contribuir diretamente na construção da identidade do indivíduo, de maneira significativa em todas as linguagens de ensino-aprendizagem.

Referências

ARANHA, Maria Lucia de Arruda. História da Educação e Pedagogia. São Paulo: Moderna, 2012.

BARROS, J. M. Educação Física, profissão regulamentada. Revista Brasileira de Ciência do Esporte, São Paulo, v. 21, nº 2/3, p. 108-109, 2000.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394, de 24 de dezembro de 1996. Brasília, 1996.

______. Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica. Parecer nº 16/99, de 5 de outubro de 1999. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico. Diário Oficial da União, Brasília, 26 nov. 1999.

______. Base Nacional Comum Curricular Educação Física. Brasília, 2019. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/#fundamental/educacao-fisica. Acesso em: 21 maio 2019.

______. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC, 1998. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf. Acesso em: 29 abril 2019.

BRONIKOWSKI M.; BINIAKIEWICZ, B. Comportamentos conflitantes durante as aulas de educação física. São Paulo: Sport, 2006.

BRACHT, Valter. Sociologia crítica do esporte: uma introdução. 3ª ed. Ijuí: Editora Unijuí, 2005.

DARIDO, Suraya Cristina; RANGEL, Irene Conceição Andrade.Educação Física na escola: implicações para a prática pedagógica/coordenação e editoras da série. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.

FARIA JUNIOR, A. Reflexões sobre a Educação Física brasileira: a carta de Belo Horizonte. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Campinas, v. 23, nº 1, p. 19-33, 2001.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

______. Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Ed. Unesp, 2003.

GOULART, S. Sob a verdade oficial: ideologia, propaganda e censura no Estado Novo. São Paulo: Marco Zero/CNPq, 1990.

GRABER, Kim C. Educação Física e atividades para o Ensino Fundamental. Trad. Marcelo de Abreu Almeida; revisão técnica: Carlos Eduardo Berwanger. Porto Alegre: AMGH, 2014.

GRZYBOWSKI, L. S. Famílias monoparentais – Mulheres divorciadas chefes de família. In: WAGNER, A. (Org.). Família em cena – tramas, dramas e transformações. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 39-53.

HESS, Cássia Maria; TOLEDO, Eliana. A atuação do professor de Educação Física nos anos iniciais do Ensino Fundamental: uma abordagem legislativa. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 24, nº 1, p. 167-178, 2011.

LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 5ª ed. Goiânia: Alternativa, 2004.

LIMA, Vanda Moreira Machado. Formação do professor polivalente e os saberes docentes: um estudo a partir de escolas públicas.2007. Tese (Doutorado em Educação), Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

MONTEIRO, R. A. Educação Física: história, política e atualidade incerta. Ef. de Esportes – Revista Digital, Buenos Aires, v. 10, nº 93, 2006.

REPPOLD FILHO, A. R. Código de ética profissional: considerações históricas e filosóficas. In: SEMINÁRIO DE ÉTICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA, 2. Foz do Iguaçu: Conselho Federal de Educação Física, 2003.

SCARPATO, Marta. Educação Física (Ensino Fundamental) - Estudo e Ensino. II Série. 1970.

SILVA, M.; LANDIM, R. Os impactos da regulamentação da profissão de Educação Física na prática pedagógica. Revista do Mestrado em Educação, Aracaju, v.7, p. 79-94, 2003. Disponível em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/ portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde/ 2013/2013_unicentro_ edfis_artigo_lusmary_jeane_nunes.pdf. Acesso em: 8 nov. 2021.

STEINHILBER, J. Pontos, contrapontos e questões pertinentes à regulamentação do profissional de Educação Física. Motriz, Rio Claro, v. 4, nº 1, 1998.

Publicado em 01 de fevereiro de 2022

Como citar este artigo (ABNT)

CARDOSO, Maykon Dhonnes de Oliveira; FARIAS, Claudionor Miranda de. Pedagogia e Educação Física: concepções e perspectivas sobre os processos de regulação e atuação do pedagogo. Revista Educação Pública, Rio de Janeiro, v. 22, nº 4, 1º de fevereiro de 2022. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/22/4/pedagogia-e-educacao-fisica-concepcoes-e-perspectivas-sobre-os-processos-de-regulacao-e-atuacao-do-pedagogo

Este artigo ainda não recebeu nenhum comentário

Deixe seu comentário

Este artigo e os seus comentários não refletem necessariamente a opinião da revista Educação Pública ou da Fundação Cecierj.