Formação docente: Artes no município de Araioses/MA

Katricyane de Maria Santos da Silva

Licenciada em Linguagens e Códigos (UFMA), itegrante do grupo de pesquisa Educação, Arte e Formação de Professores (UFMA)

Janine Alessandra Perini

Professora de Artes Visuais do curso de licenciatura em Linguagens e Códigos (UFMA), doutora em Artes Visuais (Udesc), coordenadora do grupo de pesquisa Educação, Arte e Formação de Professores (UFMA)

Este artigo surgiu a partir de um trabalho de conclusão de curso (TCC) apresentado ao curso de licenciatura em Linguagens e Códigos da Universidade Federal do Maranhão, Centro de Ciências de São Bernardo, tendo como objetivo pesquisar a formação inicial e continuada dos professores que ministram a disciplina de Artes nas escolas públicas do município de Araioses/MA.

O artigo divide-se em duas seções. Primeiramente, uma reflexão sobre o ensino e a formação de professores de Artes. E, em seguida, uma análise da práxis e da formação dos professores de artes do município de Araioses/MA.

A arte está presente no mundo desde os primeiros registros do ser humano. Na Pré-História, o homem já se expressava por meio de gravuras, pinturas rupestres, esculturas, objetos e adornos. “Para o homem pré-histórico, o que hoje entendemos como fazer artístico tinha a força da magia e era cercado de rituais rigorosos" (Osinski, 2002, p. 11). Para o autor, o homem da Pré-História era carregado de traços artísticos que se manifestavam de forma ritualística.

Pode-se observar no livro História da Arte, de Gombrich (2000) e outros, que a arte ao longo da história passou por vários períodos distintos, com estilos próprios em cada momento. Percebe-se que a função da arte se transformou ao longo do tempo, mas de uma coisa podemos ter certeza: a arte se faz presente na vida do ser humano desde antes do processo de desenvolvimento da escrita até os dias atuais.

De acordo com Ferraz e Fusari (2009), a arte está presente em nossas vidas desde o processo de civilização e, no decorrer da história, verifica-se quão grande é sua importância para o desenvolvimento social e cultural da sociedade.

Mesmo surgindo junto com os seres humanos, o seu ensino não aconteceu concomitantemente ao surgimento da educação. Levou séculos para se concretizar a Arte-Educação. Conforme Osinski (2002, p.11), “as origens da arte coincidem com as do próprio homem. Mas a história do ensino de arte sistematizado, ocorrendo em instituições organizadas, é algo relativamente recente na história da humanidade”. Assim, no decorrer dos séculos, ela vem passando por uma contínua transformação, sendo vista hoje como área de conhecimento.

Formação dos professores de Artes

As questões sobre a formação inicial e continuada dos professores de Artes não é um assunto novo. “Se o problema da formação de professores se configurou a partir do século XIX, isso não significa que o fenômeno da formação de professores tenha surgido apenas nesse momento” (Saviani, 2009, p. 148). Ao longo dos anos, vem se discutindo muito sobre a formação de professores e o ensino de Artes.

De acordo com Barbosa e Cunha (2010, p. 249), “o ensino da Arte, apesar da conquista de sua inserção como disciplina obrigatória no currículo escolar, não garante sua qualidade”. Ao longo dos anos, o ensino de Arte vem se tornando bem contraditório, pois, mesmo com a lei que exige sua obrigatoriedade, muito falta para uma educação de qualidade em Arte.

A qualidade da educação para todos exige compromisso e responsabilidade de todos os envolvidos no processo político que o projeto de nação traçou por meio da Constituição Federal e da LDB, cujos princípios e finalidades educacionais são desafiadores: em síntese, assegurando o direito inalienável de cada brasileiro conquistar uma formação sustentada na continuidade de estudos, ou seja, como temporalização de aprendizagens que complexifiquem a experiência de comungar sentidos que dão significado à convivência (Brasil, 2013, p. 14).

Para uma educação de qualidade, são necessários compromisso e responsabilidade. Muitos fatores afetam a realidade das escolas, mas é indispensável uma formação inicial e continuada dos professores, além da valorização da área. “O ensino da Arte continua a ocupar um lugar subalterno no chamado ensino primário e secundário, apesar das reformas e renovações propostas ao longo do tempo” (Biasoli, 1999, p. 66). Apesar de tantas mudanças na trajetória histórica do ensino da Arte, ela ainda continua para muitos como sendo apenas atividade auxiliar sem importância, como mostra Biasoli (1999, p. 80):

Ao longo de sua trajetória histórica – e ainda hoje --, a Arte e seu ensino sofrem a ação de dois fatores distintos: o político e o conceitual. O político, pela determinação e pela orientação da vida educacional e pelo descaso e pelo preconceito da classe dirigente em relação ao ensino da Arte nas escolas. E o conceitual, pela desvalorização da Arte como área de domínio específico do conhecimento humano por parte da classe dominante e, talvez, por uma fração dominada da classe dominante -- a dos próprios professores da Arte.

O descaso com o ensino de Arte vem sendo vivenciado ao longo dos anos. Esse conceito errôneo vem tornando esse ensino cada vez mais prejudicado e desafiador. Mas o que se pode fazer para mudar isso? Essa é uma questão já discutida ao longo dos anos. A Arte precisa ser vista como uma área de conhecimento, uma disciplina que auxilia o aluno a desenvolver competências e habilidades que serão de grande importância para seu desenvolvimento cultural, social, cognitivo e estético.

Biasoli (1999) apresenta a Arte como necessidade no currículo escolar e não como adereço. Para sua valorização, ela precisa ser vista como qualquer outra disciplina no currículo escolar, possuidora de suas particularidades, sendo necessária. Barbosa e Cunha (2010) também acreditam numa arte-educação necessária, além de acreditar na formação inicial dos professores, influenciada pelo pós-modernismo, por meio da experimentação, decodificação e informação.

Considera a formação inicial do professor como preparação profissional e que essa preparação passa a ter um papel importante no contexto contemporâneo que possibilita aos professores experimentarem em sua própria aprendizagem o desenvolvimento de competências necessárias para atuar neste novo cenário de transformações [...]. Toma para si o conceito de experiência a partir do pragmatismo deweyano e amplia consideravelmente o próprio sentido de formação inicial do professor, já que a ela se acrescenta não só o conceito, mas sua dimensão educativa e formativa mais ampla que é exatamente o fato de que o aluno-professor em formação chega a estabelecer as relações e conexões tanto dentro de seu próprio processo de aprendizagem como a partir de seu encontro com as situações geradas nos momentos de pôr em pratica suas primeiras iniciativas como docente na escola (Barbosa; Cunha, 2010, p. 134-135).

Portanto, Barbosa e Cunha (2010) fazem uma (re)contextualização da formação inicial de professores de Arte na Pós-Modernidade, falando da importância do sistema educacional superior para a sociedade, salientando que cada um possui suas próprias especificidades e colocando a formação inicial em foco por ser uma preparação essencial, que desenvolve competências e habilidades profissionais para acréscimo na vida profissional.

Silva (2009) afirma que é na prática docente que o professor vai adquirindo saberes essenciais para utilizar na sala de aula. No cotidiano escolar, o professor vai criando métodos de ensino e se aperfeiçoando em sua prática docente. “Assim, com o passar do tempo, os professores vão incorporando certas habilidades sobre seu saber-fazer e saber-ser, ou seja, é com a própria experiência que o aluno de outrora, o qual possuía apenas saberes teóricos, aprende a ser professor” (Silva, 2009, p. 25).

É notória a importância da experiência docente para uma boa prática, mas também deve ficar claro que a teoria aplicada nos cursos de graduação e especialização é norteadora para a formação dessa prática, pois é a partir dessa teoria que se buscam aperfeiçoamento profissional e bases estruturadoras na atuação docente. Com ela, o professor adquire conhecimento em sua trajetória profissional.

É importante que se possa refletir sobre novas metodologias nos cursos de formação inicial e continuada de professores de Arte, discutindo se entendem tais premissas e sugerindo outras. Os professores, em sua formação, necessitam de conhecimento consistente para transpor suas vivências para a sala de aula (Ferraz; Fusari, 2009, p. 140).

A formação inicial e continuada é de extrema importância e deve ser feita com muita reflexão; “ensinar Arte é construir conhecimento” (Biasoli, 1999, p. 23). Esse ensino requer conhecimento estruturador, pois não dá para ensinar algo que não se conhece. “A prática pedagógica em arte pressupõe, então, uma relação dialética entre teoria e prática, uma unidade entre sujeito e objeto do conhecimento em um lugar de construção do saber e do fazer artístico” (Biasoli, 1999, p. 23). O professor tem o papel de mediador de conhecimento, por isso a importância de ter conhecimento estruturado em um processo contínuo de busca do saber.

O professor precisa rever sua formação inicial e continuada; “portanto, é preciso pensar na formação (inicial e continuada) como momentos de um processo contínuo de construção de uma prática docente qualificada e afirmação de identidade, da profissionalidade e de profissionalização do professor” (Brasil, 2006. p.15). Desse modo, o professor passa a pensar mais na sua construção de conhecimento e vai complementar com a formação continuada a ampliação do conhecimento e a exploração das práticas docentes na sua formação e na sua identidade como professor.

“Na formação inicial e contínua do professor que trabalha com Artes precisa ser bem clara a amplitude desse fazer, que emerge de experiências em que o pensamento, a sensibilidade e a emoção concorrem para a criação” (Ferraz; Fusari, 2009, p. 28). Para as autoras, é essencial que o professor de Arte tenha sensibilidade ao trabalhar com seus alunos, possibilitando-lhes a criação e o desenvolvimento.

Para um bom desenvolvimento dos educandos, é essencial que os educadores trabalhem em suas áreas de formação e que sempre procurem se aperfeiçoar, buscando formação continuada, para que essa realidade da educação no Brasil possa deixar de existir, principalmente em relação à educação da Arte, pois encontramos ainda professores ministrando aulas de disciplinas completamente diferentes de sua formação.

A formação continuada possibilita aos professores a reestruturação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos na formação inicial, bem como a produção de novas informações e técnicas que vêm sendo desenvolvidas para o ensino da Arte.

A escola também é um espaço de formação continuada do professor, por ser um ambiente em que o educador começa a fazer as primeiras reflexões sobre sua própria prática e o que foi ensinado na sua formação inicial, utilizando suas vivências para criar sua práxis e suas técnicas. O saber da experiência começa nas atividades diárias de cada professor, do conhecimento dessa realidade; por meio dele, são validados seus conhecimentos e as técnicas desenvolvidas. Dessa maneira, não podemos deixar de lado ou até mesmo ignorar as experiências adquiridas por meio de sua vivência na sala de aula (individual e/ou coletiva). “Ainda hoje, a maioria dos professores aprende a trabalhar na prática, às apalpadelas, por tentativas e erro” (Tardif, 2002, p. 261). Dessa forma, não se pode deixar de valorizar os saberes da experiência e da prática do professor, uma vez que esses saberes vão dar suporte para a construção do saber científico.

A formação de professores é um processo contínuo, que tem início em sua entrada na universidade e continua por toda a vida profissional. Podemos dizer que ela tem como tarefa a ampliação e a alteração, de maneira crítica, da prática docente, permitindo a reflexão sobre os trabalhos e estratégias para melhor ensinar Arte.

A educação continuada deve representar uma aquisição de conhecimento pelos educadores, no sentido de aprimorar suas técnicas, conhecimentos sobre Arte para o aprimoramento de seu trabalho ao longo da carreira pessoal e profissional. Considerando

a formação continuada como proposta intencional, planejada, que visa à mudança do educador através de um processo crítico e criativo, conclui-se que deva motivar o professor a ser ativo agente na pesquisa de sua própria prática pedagógica, produzindo conhecimento e intervindo na realidade (Falsarella, 2004, p. 50).

O autor destaca que a formação continuada favorece no professor de Arte o aprimoramento constante frente às mudanças ocorridas ao longo da história da educação, motivando-o, assim, a buscar novas ideias e técnicas do ensino da Arte e fazendo-o refletir sobre a sua própria prática e a teoria.

Esse conhecimento também pode ser adquirido em congressos, no ambiente escolar, em seminários e em cursos na área de Artes. Essas experiências têm o objetivo de dar continuidade à formação inicial, que deixa algumas lacunas durante a formação acadêmica.

A formação continuada não pode ser concebida como um processo de acumulação (de cursos, palestras, seminários etc., de conhecimento ou de técnicas), mas sim como um trabalho de reflexões-crítica sobre a prática de (re)construção permanente de uma identidade pessoal, profissional, em interação mútua (Candau, 2002, p. 150).

De acordo com a autora, a formação continuada não é apenas um acúmulo de cursos, mas sim uma continuação do processo de formação por meio de cursos que possibilitem reflexões críticas sobre a própria prática e, a partir dela, fazer troca de experiências, conhecimentos e técnicas.

Na realidade, esse aperfeiçoamento e a formação permanente devem acontecer de várias maneiras, começando no início da formação e se perpetuando ao longo de sua carreira profissional. Portanto, o processo de formação é uma construção inacabada, ou seja, vive em constantes transformações.

Santa Rosa e Scaléa (2006) ressaltam que, com o passar do tempo, os professores tendem a acomodar-se e param de buscar conhecimento, ficando estagnados. É como se parassem no tempo, limitando-se apenas ao conhecimento que foi adquirido durante a formação superior. Para as autoras, os professores precisam ter acesso a uma vida cultural enriquecedora para que isso se reflita na sua prática, mas muitos fatores levam o educador a essa comodidade, pois faltam recursos materiais e financeiros e lugares adequados; muitos outros fatores vêm deixando-os de mãos atadas, sem muitas alternativas para atuar de modo mais eficiente e condizente com a realidade em que vive. “Em síntese, é desejável que os professores sejam valorizados e incentivados e que possam ter a melhor formação inicial, a melhor formação continuada e em serviço as melhores condições de trabalho” (Ferraz; Fusari, 2009, p. 150).

Esse desejo é grande, mas na realidade percebemos que falta incentivo e valorização dos professores para se aperfeiçoar e buscar formação contínua, sistemática e progressiva, como pudemos perceber na práxis dos professores do município de Araioses/MA.

Práxis e formação dos professores de Artes de Araioses/MA

Acreditando na formação inicial e continuada, esta pesquisa analisou a real situação dos profissionais da Arte-Educação de Araioses/MA. Trabalhou-se com a pesquisa qualitativa, pois ela aproxima o pesquisador de fatos reais do sujeito da pesquisa, facilitando a compreensão de como acontece a formação do professor de Arte e como são realizadas suas aulas. O levantamento de dados ocorreu por meio de pesquisas bibliográficas (em livros, artigos, monografias) e com uma pesquisa de campo, com oito professores do Ensino Fundamental do 6º ao 9º ano que ministram aulas de Artes em duas escolas públicas na zona urbana de Araioses/MA, que passou a ser cidade em 29 de março de 1938. Seu nome tem origem indígena, ligada aos índios Araios. Araioses é um município do Estado do Maranhão e possui população estimada, em 2015, de 42.505 habitantes.

O espaço da pesquisa foi escolhido dentre as onze escolas de Araioses que ofertam o Ensino Fundamental do 6° ao 9° ano. Apenas duas se localizam na zona urbana; foram as escolhidas para realizar a pesquisa de campo. Elas atendem nos períodos matutino e vespertino. Possuem 62 professores e aproximadamente 1.000 alunos distribuídos nos dois espaços escolares.

A pesquisa se iniciou em dezembro; nesse período, muitos professores já estavam de férias, apenas oito se disponibilizaram em contribuir com a pesquisa. A coleta de dados iniciou com uma conversa informal com cada participante explicando a pesquisa, sua contribuição e sua importância. Também destacamos para os entrevistados que a coleta de dados se daria por meio da aplicação de um questionário impresso, entregue em mãos a cada professor, que deveria devolver por escrito. Recebemos de volta o questionário respondido por todos os oito professores. Nesse questionário estruturado foram perguntadas as seguintes questões: qual a metodologia e os recursos didáticos utilizados em sua aula? O que fazer para aprofundar seus conhecimentos teórico-metodológicos sobre Arte-Educação? Você acredita que a não formação na área de Artes pode prejudicar os alunos no ensino-aprendizagem? A formação continuada resulta em uma prática com qualidade?

Com base nas respostas, começamos a analisar os dados coletados e, para manter em sigilo os nomes dos professores, foram atribuídos pseudônimos, em que eles receberam nomes de pintores famosos.

Analisando as respostas, percebemos que, para alguns professores, as Artes Visuais dentro da Educação servem para decorar a escola e a Dança e o Teatro, para fazer apresentações:

Pintura, colagem, desenho, confecção de cartões, brinquedos, cartazes, enfeites juninos e natalinos, usando matérias recicláveis. Representações de teatro e danças (Professor Picasso).

Pintura, colagem, confecção de cartazes, paródias, apresentações de danças e artes cênicas (Professora Tarsila).

A Arte é vista como um fazer prático e não como uma teoria vinculada a uma prática. De acordo com Osinski (2002), muitos professores têm esse pensamento errôneo sobre o que é arte e generalizam-na como um laissez-faire. Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte registram que, “no ensino de Arte no Brasil, observa-se um enorme descompasso entre as práticas e a produção teórica na área” (Brasil, 1998, p. 19). Assim, as aulas tornam-se um “fazer qualquer coisa”, talvez por falta de formação na área ou de preparo adequado para conseguir utilizar a teoria e a prática concomitantemente para que as aulas se tornem produtivas e com mais sentido para os alunos, porque arte vai muito além de fazer um simples desenho.

Acreditando numa Arte-Educação com qualidade, planejada, levando em conta a natureza peculiar da arte e seu ensino-aprendizagem, questionou-se como aprofundar os conhecimentos teórico-metodológicos. Uma professora respondeu:

Busco planejamentos prontos na internet e, para fazer minhas aulas, sempre uso vários recursos didáticos (Professora Tarsila).

Na fala dessa professora fica claro o uso da internet para pesquisar suas aulas, retirando dali o planejamento pronto, sem refletir e questionar sua prática docente, para saber se está condizente com a realidade de onde atua. Outro professor afirmou:

Procuro conhecer um pouco os conteúdos dos PCN/Artes e tento sempre inovar as atividades, apesar da falta de recursos (Professor Aleijadinho).

Nas duas respostas, percebemos que os professores se restringiram a falar apenas dos recursos didáticos e não dos conhecimentos teóricos adquiridos. Na última resposta, o professor também diz que recorre aos PCN de Arte para a escolha dos conteúdos abordados, tentando inovar apesar da falta de recursos, que limita a dinâmica de suas aulas.

O que se observou foi que os professores, mesmo sem formação na área, buscam maneiras para tentar melhorar suas aulas, mas na realidade faltam lugares adequados, materiais didáticos e a própria formação na área para desenvolver as aulas com qualidade.

Ferraz e Fusari (2009) comentam que, para preparar e desenvolver bem as aulas, o educador que trabalha Arte precisa conhecer bem as noções e os fazeres artísticos e estéticos dos estudantes, além de atuar como auxiliar na diversificação sensível e cognitiva dos alunos. Deve-se planejar e orientar as atividades pedagógicas de maneira a ajudá-los a aprender a ver, olhar, ouvir, tocar, sentir e comprovar os elementos que estão presentes em seu mundo, os da natureza e as diferentes obras artísticas e estéticas.

Ao planejar as aulas, os educadores, então, devem levar em conta as noções e os fazeres artísticos, as potencialidades e realidades dos alunos e do meio cultural e social da comunidade escolar para, assim, atender aos objetivos da disciplina.

Na questão levantada sobre se a formação influencia o planejamento e a prática pedagógica, os professores comentaram que o que prejudica mesmo não é a falta de formação, e sim a falta de recursos didáticos. Para alguns, a formação não define a qualidade da aula, pois, mesmo sem serem formados na área, têm por ela afinidade e gosto pela prática pedagógica da disciplina de Arte.

Garcia (1999) afirma que os saberes que são transmitidos pelas instituições de formação inicial devem ser concebidos e adquiridos em estreita relação com a prática docente. Assim, percebe-se que a formação inicial proporciona um saber-fazer racional e fundamentado para agir em situações complexas na escola. Portanto, o conhecimento base não está ligado somente à teoria e sim à vivência e à análise de práticas concretas que permitem argumentar entre prática profissional e formação teórica e, ainda, às pesquisas entre os professores e os formadores universitários.

Com base na autora, os conhecimentos teóricos e práticos devem ser adquiridos na universidade e no campo de trabalho, mas o que se percebe na realidade dos professores pesquisados é que eles não tiveram essa formação universitária na área e que para eles os conhecimentos estão atrelados apenas ao material didático e à afinidade com a disciplina.

Acreditamos que a falta de recursos por si só não prejudica a aprendizagem dos alunos. O que prejudica de fato não são coisas isoladas, mas um conjunto de problemas e falhas na educação.

A formação de professores é um processo contínuo, que inicia com a entrada na universidade, com disciplinas teóricas e práticas, com o estágio supervisionado obrigatório e continua por toda sua atuação profissional. Não basta apenas a formação inicial; é importante também a formação continuada, pois esta contribui para a ampliação e a alteração crítica de sua prática.

Ao perguntar sobre suas formações continuadas, alguns responderam que não fizeram nenhuma na área nem têm interesse em complementar seus conhecimentos. Só atuam nessa disciplina para complementar sua carga horária. Outros mostraram-se interessados em fazer uma formação continuada na área, já que não são formados em Artes e ministram a disciplina. No entanto, o que os faz desistir é a falta de tempo e a distância que teriam que percorrer para chegar à universidade, já que não há cursos em sua cidade.

Dentro dessa ótica, Barbosa e Cunha (2010) afirmam que só um trabalho de formação continuada no ensino de Arte pode dar condições para que os professores de Educação Infantil e do Ensino Fundamental possam exercer, de fato, as funções que lhes são atribuídas, zelando pela aprendizagem dos alunos. “O professor é o grande responsável pela aprendizagem dos seus alunos, por esse motivo ele precisa ter um conhecimento estruturador para de fato atingir qualidade na educação escolar” (Brasil, 2010, p. 17). Para conseguir o verdadeiro objetivo da disciplina de Arte, que é o desenvolvimento afetivo, social, cultural e estético dos seus educandos, o professor, o grande responsável pelo ensino, precisa do conhecimento adquirido na formação inicial e na continuada.

Considerações finais

Observa-se, na pesquisa realizada, que a disciplina de Artes não é valorizada dentro das escolas do município de Araioses/MA. Os professores não têm formação inicial nem continuada na área. Faltam recursos e suporte aos professores para que possam vir de fato a exercer as funções que lhe são atribuídas. A maioria desses professores só está ministrando aula de Artes para complementar sua carga horária.

Diversos educadores deixam muito a desejar em relação à sua prática pedagógica por falta de conhecimento, interesse e até mesmo de oportunidades para qualificação profissional. Assim, esses profissionais acabam vendo a Arte como uma disciplina sem importância, utilizando-a apenas como fazer artístico e não como área de conhecimento.

Este estudo realizado na cidade de Araioses/MA, por meio de leituras e observações, constatou que a realidade pesquisada não difere da educação de outras regiões, deixando lacunas, principalmente na não valorização do professor. Muitas leis são criadas a fim de melhorar a educação, mas não são postas em prática ou não têm suporte necessário e adequado para sua execução.

Percebe-se então, com a pesquisa, a necessidade dos professores de buscar formação e dos governantes de traçar estratégias de formação adequada que atendam às reais necessidades e possibilidades dos professores de Arte, com fins de ampliar o conhecimento teórico e prático para uma possível práxis de qualidade.

Referências

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TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002.

Publicado em 02 de julho de 2024

Como citar este artigo (ABNT)

SILVA, Katricyane de Maria Santos da; PERINI, Janine Alessandra. Formação docente: Artes no município de Araioses/MA. Revista Educação Pública, Rio de Janeiro, v. 24, nº 23, 2 de julho de 2024. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/24/23/formacao-docente-artes-no-municipio-de-araiosesma

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