Dentro da caixa: Arqueologia na Educação Básica
Elton Laurindo da Costa
Doutor em História (UFSC), professor de História no Ensino Fundamental
O município de Itajaí está localizado no encontro do Rio Itajaí-açu com o mar. Itajaí fica situada no litoral norte de Santa Catarina, estado da Região Sul do Brasil. Cidade portuária, Itajaí faz parte de um território que possui um mosaico de sítios arqueológicos que perpassam todo o litoral sul do Brasil. Esses sítios contemplam diferentes momentos da história de seres humanos que habitaram o continente americano, antes da chegada dos europeus. Nesse sentido, o projeto busca contemplar noções básicas de meio ambiente, de processos migratórios e de identidade espacial. Essa última permite adentrar nos aspectos da cidadania e da sustentabilidade. O entorno do bairro, assim como a cidade, abrange problemáticas de várias ordens, como: a questão das cheias do Rio Itajaí-açu, a poluição das águas e o fluxo migratório, devido à oferta de emprego na região portuária.
As demandas atuais possibilitam ao presente projeto ser uma ferramenta para a conscientização de um olhar voltado às políticas públicas futuras, implantadas no entorno da escola e no município. Uma vez que os estudos históricos das ações antrópicas em um território são imprescindíveis para ações e intervenções humanas futuras no local, o aluno, ao se perceber como integrante de um espaço com uma longa história, cria vínculos cognitivos e afetivos com o seu entorno. A identidade espacial permite, dentro de um processo consciente, a valorização do patrimônio histórico e ambiental da sua cidade e do seu bairro.
A ação teve como motivação principal a escavação de um sítio arqueológico didático. Esse recurso didático foi montado em uma área externa das dependências da escola, de maneira que o espaço fosse o mais próximo de um sítio arqueológico real. A experiência foi programada para as aulas de História, com turmas de 6°ano, na Escola de Educação Básica Municipal Professora Maria José Hülse Peixoto, proporcionando aos alunos a oportunidade de vivenciarem na prática a coleta de vestígios materiais. Os vestígios materiais são fontes históricas que se inserem dentro da proposta curricular municipal. Por meio de uma proposta de letramento científico, o projeto foi articulado de maneira interdisciplinar com os componentes curriculares de Geografia e Ciências.
A relação do trabalho pedagógico do projeto com o entorno da escola foi pensada desde a sua concepção. O levantamento das características geográficas, ambientais e históricas da cidade e do bairro em que a unidade escolar está inserida é um eixo estruturante da presente ação. Portanto, essa prática teve como objetivo comparar as diferentes formas de ocupação, adaptação ecológica e de subsistência de grupos históricos para que os alunos criassem identidade e afetividade espacial com o lugar no qual habitam de forma lúdica e consciente. Ao mesmo tempo, os alunos foram introduzidos no letramento científico.
Introdução ao tema
Inicialmente, elaboramos o conteúdo relativo ao uso de fontes históricas, dentro do planejamento do primeiro trimestre, no trabalho do historiador, com enfoque na arqueologia. Para isso, apresentamos aos alunos as principais atribuições de um arqueólogo e as especificações de um sítio arqueológico. Em sala de aula, por meio de aulas expositivas e dialogadas, os alunos refletiram acerca da metodologia arqueológica que acontece durante as escavações. Também focamos nos objetivos e nos resultados de alguns trabalhos arqueológicos realizados em solo catarinense.
Exposição arqueológica
Com a aquisição dessa bagagem mínima acerca da construção do conhecimento histórico, realizado por pesquisadores profissionais, os alunos passaram para a etapa condizente ao material didático produzido pelo Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Santa Catarina. O material foi exposto no ambiente escolar.
A exposição, composta de um catálogo didático do Museu de Arqueologia e Etnologia Oswaldo Rodrigues Cabral (MArquE/UFSC), apresenta pesquisas produzidas e sistematizadas de maneira interdisciplinar a respeito de populações pré-coloniais e coloniais. O catálogo traz, de forma didática, a produção arqueológica com informações e fotos de alta qualidade expostas em um varal, num material dupla face. Os alunos visualizam como é o cotidiano de um pesquisador por meio das imagens contidas no catálogo e da explanação do professor.
As anotações realizadas durante a exposição seguem um breve roteiro textual. Os alunos completam as frases ao longo de um texto que trata de arqueologia, oficinas líticas, arte rupestre, sambaquis, cerâmica indígena e cerâmica colonial. Nessa etapa, chama-se a atenção para diferentes estratégias encontradas por populações pré-coloniais para sobreviver em um determinado ambiente.
Como no caso das oficinas líticas (oficinas de pedra) onde grupos humanos, para conseguirem polir com sucesso uma pedra em fricção à outra pedra, era necessário o uso de água e areia (água + areia) criando um sistema abrasivo. O polimento era realizado para obtenção de utensílios como machados de pedra. Lembramos aos alunos que atualmente utiliza-se água e areia (que auxiliado por um equipamento de jato) para retirar a ferrugem de materiais metálicos, como portões ou carros. Foi enfatizado pelo professor acerca da necessidade da interdisciplinaridade dentro do centro de pesquisa. Elencou-se ainda os trabalhos realizados por profissionais de outras áreas como biólogos, botânicos e químicos.
Uma caixa organizadora transparente com a proposta de escavação foi apresentada com a ajuda de um cartaz, ilustrando as camadas estratigráficas e os materiais históricos em cada uma delas. Convidamos os alunos a pensarem nessa relação entre a profundidade, os materiais enterrados e a temporalidade dos objetos ali inseridos, pois no cartaz há a sinalização de cada material e de seu respectivo tempo histórico.
Escavação arqueológica
A metodologia da escavação, propriamente dita, consistiu na utilização de uma área externa delimitada de areia nas dependências da escola (figura 1). A ideia foi evidenciar o trabalho em equipe e o entendimento da arqueologia, como um processo interdisciplinar. Durante o processo de escavação, os alunos utilizaram ferramentas como pás, pincéis, trena, escalas e paquímetro, conforme o procedimento arqueológico padrão. Além disso, os arqueólogos (alunos) preencheram uma ficha de trabalho adaptada, segundo a própria metodologia arqueológica.
Levou-se em consideração: a localização do material encontrado (quadrícula), as dimensões do artefato, o tipo de sítio, o tipo de material e profundidade do objeto encontrado. Além desses dados, os alunos assinalaram em um croqui, presente na ficha, as informações acerca da localização do artefato - encontrado na forma de um desenho a mão livre. Dessa maneira, os alunos puderam entender minimamente como se dá a pesquisa e as anotações de campo. Ao final da ficha os alunos assinaram como arqueólogos responsáveis pela escavação.
Figura 1: Escavação
Análise de solo e fósseis
Análises que complementam a escavação aconteceram de maneira articulada e interdisciplinar junto aos componentes curriculares de Geografia e Ciências. A área de escavação é utilizada nas aulas de Geografia, em que ocorrem análises de solo e reconhecimento de vegetação. Após a escavação, os alunos fizeram o reconhecimento dos fósseis durante as aulas de Ciências, como a identificação do sexo e da graduação etária dos ossos encontrados.
Conteúdos curriculares
Entre os conteúdos abordados está o uso das fontes históricas pelos historiadores. Nessa etapa, sublinhamos como os diferentes tipos de fontes são utilizadas pelos profissionais do campo da História – com destaque para o trabalho do arqueólogo que por meio da busca de fontes históricas materiais humanas compreende o passado. Outro conceito importante e abordado foi a ideia de construção do conhecimento histórico. O conhecimento histórico não pode ser visto apenas dentro de uma chave narrativa, mas precisa ser compreendido em um sentido mais amplo.
A colaboração de outros profissionais na construção do conhecimento histórico reforça a interdisciplinaridade a ser alcançada no trabalho educacional. Como em um trabalho de investigação policial, o historiador necessita da articulação com outros profissionais para que proceda à análise de suas fontes históricas. Um exemplo são as análises laboratoriais realizadas por especialistas, envolvendo a datação feita por carbono 14. Outro destaque são os sujeitos históricos – bases do objeto e da compreensão da História. As populações originárias do continente americano, por exemplo, quando conhecidas e estudadas tornam-se sujeitos históricos que possibilitam uma ligação entre o passado e o presente.
Essa ligação está na base da identidade espacial, tornando a apropriação do patrimônio histórico e cultural possível no plano local, global e regional dos estudantes. Nesse quesito, as populações originárias são aqui compreendidas sob a perspectiva da História e da cultura indígena, presentes no componente curricular da disciplina de História, implementada com a Lei n°11.645/08. A análise das camadas históricas que se sobrepõem aos territórios dos quais os alunos fazem parte, ajuda a compreender a formação desses povos indígenas, anterior à chegada dos europeus no continente americano.
A exposição e a escavação tiveram como objetivo realizar ações museológicas e didáticas, visando levar uma ampla compreensão da realidade a partir da região na qual o aluno está inserido, a fim de que reflita criticamente a respeito da diversidade sociocultural. O percurso da exposição leva o aluno a perceber os sentidos e os significados da História pré-colonial e colonial do território catarinense, inserindo componentes curriculares da História local e regional, presentes na BNCC. A mobilidade das populações e a construção dos sujeitos históricos, nesses espaços, implicam nos procedimentos básicos quando alinhados às propostas curriculares para o 6° ano.
Objetivos de aprendizagem
Os alunos foram incentivados a identificar as populações pré-coloniais que habitavam o continente americano em diferentes escalas: no plano do que hoje é o território americano, brasileiro e catarinense. Comparar as diferentes formas de ocupação, adaptação ecológica e de subsistência desses grupos históricos contribui para que os alunos criem uma identidade espacial com o lugar em que habitam, de forma lúdica e consciente.
A apropriação histórica de um espaço cria vínculos afetivos com seu território, levando os alunos a compreenderem o conceito de patrimônio. Ao abordar o conceito de patrimônio, integramos outras dimensões do patrimônio cultural, inseridas no universo do alunado, como: as manifestações culturais, realizações e representações que a população de seu país, de seu estado, de sua cidade e de sua comunidade manifestam. Essas conexões trabalham os aspectos ligados às práticas de cidadania, identidade cultural, memória e a preservação do patrimônio material, imaterial e ambiental dos estudantes.
O território ocupado pela escola e a dinâmica que possui em meio a comunidade, potencializa o aprendizado de saberes não-formais. Esses saberes não-formais ocorrem em espaços cotidianos da comunidade, fazendo parte de suas tradições históricas. Os espaços cotidianos de uma comunidade fazem parte dos territórios educativos. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, n° 9.394/1996, o Artigo 1º prevê que “a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”. Dessa maneira, entendemos que todo contexto social, cultural e/ou econômico no qual encontramos o sujeito, faz parte de seu processo formativo.
Formas de avaliação e mapeamento das aprendizagens
O projeto foi realizado em dois blocos de três espaços: 1) sala de aula; 2) exposição; e 3) área externa de escavação. Em cada bloco/espaço foram realizadas formas diferentes de avaliação e de mapeamento das aprendizagens. Na sala de aula, realizamos um levantamento dos conhecimentos prévios e o mapeamento das experiências dos estudantes em relação ao patrimônio histórico e ambiental do seu entorno. Além disso, observamos o conhecimento prévio da temática arqueológica e da História pré-colonial.
Nesse sentido, utilizamos a aula expositiva dialogada e o uso de ferramentas como estratégias para o trabalho em croqui. Essa etapa permitiu aparar algumas arestas do conteúdo trabalhado e amarrá-la à etapa seguinte. Uma exposição é, por excelência, um local de observação, interação e reflexão. Diversas histórias que são contadas ali, são de outras épocas, de outros povos, com diferentes maneiras de agir e pensar. É um lugar simbólico que oferece experiências. Viajar pela arte, pelas pinturas e pelas esculturas é ler histórias, histórias de um povo, de uma nação, de uma cultura.
Como a segunda e a terceira etapas envolveram a prática da escavação e a observação da exposição didática, mapeamos os conhecimentos a serem mobilizados para essa etapa, dentre eles, conceitos de patrimônio, adaptação ecológica, meio ambiente, cultura pré-colonial e povos originários. A primeira etapa contou com o diálogo e a produção dos conteúdos factuais referentes à proposta curricular. No segundo bloco, por meio das experiências, dos afetos, dos valores, de comportamentos e atitudes mobilizados pelos estudantes, mapeamos e avaliamos processualmente os dois blocos. Nessa etapa, os conceitos e os conteúdos factuais foram colocados a contrapelo junto aos conteúdos atitudinais que, por suas características potenciais, levaram os estudantes a protagonizarem o seu próprio aprendizado.
Os alunos, como observadores e pesquisadores na área de escavação, de forma lúdica e interativa demonstraram autonomia na busca de respostas frente aos questionamentos propostos. A avaliação processual (relatório) levou em consideração: os conhecimentos mobilizados previamente, a atitude, a autonomia, o senso crítico (oralidade) e o preenchimento das fichas de atividades. Podemos considerar, como evidências de aprendizagens diretas, o somatório de resultados diagnosticados ao longo da aplicação do projeto: as avaliações escritas e orais, dentro da dinâmica de introdução dos conteúdos inseridos ao longo do processo; o entendimento e a compreensão histórica, patrimonial, espacial e ambiental das ocupações humanas em diferentes territórios e épocas; as observações, interações, os questionamentos e as análises realizadas durante o preenchimento das fichas didáticas, na exposição arqueológica e na escavação do sítio arqueológico (Figura 2). Nesse sentido, os conceitos tratados no projeto foram avaliados em diferentes etapas, pois eram compreendidos de diferentes maneiras, conforme o projeto acontecia.
Figura 2:Ficha de escavação
Os conceitos-chave, como conhecimento histórico, fontes históricas. patrimônio e meio ambiente, ressignificaram-se dentro da metodologia do projeto. A observação de diferentes tipos de sítios arqueológicos levaram os estudantes a refletirem acerca das ocupações passadas e das diferentes interações com as paisagens e o meio ambiente.
A terceira evidência de aprendizagem direta fica por conta das atitudes demonstradas pelos alunos, atitudes voltadas à participação de forma consciente e autônoma tanto da exposição como da escavação. Os alunos se interessaram em realizar questionamentos e em tomar decisões. Por meio dessas decisões, pudemos verificar o processo de escavação, pois os alunos tiveram que escolher em qual quadrícula seria iniciada a escavação. Essas atitudes decisórias eram feitas sempre em pequenos grupos, pois a escavação era realizada por equipes de alunos/arqueólogos. Para as evidências de aprendizagem indireta, realizamos reflexões e questionamentos acerca da jornada realizada. A etapa aconteceu oralmente e os estudantes puderam relatar, em um espectro mais amplo, conexões com o seu cotidiano e as curiosidades a respeito dos diferentes tipos de ocupações de suas cidades e de suas implicações.
Dificuldades enfrentadas
Dentre as dificuldades enfrentadas durante o projeto, destacamos a adequação e a articulação entre a estrutura curricular estadual e a municipal e as diretrizes da BNCC junto à proposta do projeto. Para isso, repensamos as articulações já realizadas em torno da Base implantada no município. Desengessar uma estrutura curricular já posta, demandou reflexão, articulação e muitas horas de planejamento.
O projeto, depois de pensado, foi articulado junto à equipe de gestão escolar. Foi preciso organizar a ida dos alunos ao laboratório de Ciências e a disponibilidade dele para a efetivação da prática. Com o envolvimento da equipe gestora tivemos um compartilhamento das dificuldades, pois um projeto escolar nunca é realizado por apenas um indivíduo. Feita a articulação inicial, preparamos o planejamento para a consolidação do projeto. Por fim, o ponto de maior dificuldade foi trabalhar com os educandos acerca dos princípios comportamentais necessários à situação prática do projeto.
Aprendizagem docente e autoavaliação
No conjunto de habilidades mobilizadas no projeto destacamos duas especialmente fundamentais: as noções de tempo e as noções de espaço. Essas duas noções são focos a serem alcançados em praticamente todos os anos do Fundamental. As noções de tempo e espaço foram alcançadas multidimensionalmente no decorrer do projeto e ensejaram outras habilidades. A multidimensionalidade da noção de tempo, alcançada no processo ensino/aprendizagem, foi verificada na identificação pelos alunos de diferentes ocupações, adaptações e interações ecológicas em um mesmo ambiente. O tempo deixa de ter apenas um sentido subjetivo (a experiência do passar dos anos para cada um) para ter um sentido social, com rupturas, continuidades e descontinuidades. Elas acontecem em determinado espaço de interação humana.
Descrever as modificações da natureza e da paisagem ocasionadas por diferentes ocupações ao longo do tempo instrumentalizam os alunos a compreender processos mais complexos que acontecem em seu território. Essa aprendizagem extrapola a descrição de um espaço e avança para novos conceitos, como os de identidade espacial e territorialidades. As identidades e os afetos mobilizados nessa aprendizagem se conjugam para práticas de cidadania e como comprometimento com o patrimônio cultural e ambiental, já estabelecidos socialmente. Outros objetos de aprendizagem compõem o mosaico que envolve as noções de tempo e espaço, no contexto do projeto aplicado: a periodização do próprio tempo histórico, do registro e dos vestígios deixados pela humanidade; a não menos importante prática historiográfica da experiência de pesquisa; a compreensão do objeto de estudo; a coleta dos vestígios históricos, os registros, a catalogação, a análise e a produção do conhecimento histórico ao final dessa etapa do processo.
Inserimos na autoavaliação a aprendizagem decorrente não apenas do projeto colocado em prática, mas do contexto que envolveu uma pandemia na qual a educação e a escola demandaram especial atenção em busca de conhecimentos acerca de novas tecnologias educacionais.
Por outro lado, uma atualização profissional rápida e ao mesmo tempo autônoma foi necessária. A linha entre o projeto proposto e a qualificação profissional tecnológica é estreita. Nesse sentido, observamos uma série de pormenores que precisarão ser melhor trabalhados no futuro. Um deles é a ampliação do projeto para que efetivamente possa ser interdisciplinar. Ao final da sua aplicação, acessamos o curso EaD ofertado pelo Museu de Arqueologia e Etnologia Oswaldo Rodrigues Cabral (MArquE/UFSC).
O curso Arqueologia para Docentes da Educação Básica contou com uma etapa inicial, O que é Arqueologia, com 20 horas-aulas. Um curso extremamente proveitoso que aponta para novas possibilidades de ações dentro do projeto. No primeiro módulo introduziu-se a Ciência Arqueológica geral; no segundo módulo, foram apresentados três campos específicos de pesquisa: a Arqueologia experimental lítica, a Arqueologia com esqueletos humanos (Arqueologia Funerária e Bioarqueologia) e a Zooarqueologia.
O curso reajusta o planejamento, tornando possível um projeto entre as disciplinas de História e Ciências, proposta já aceita pela equipe gestora e a docente da disciplina. Uma segunda etapa do curso foi constituída por 40 horas-aula, abordando a ocupação humana no território de Santa Catarina, tanto no período colonial quanto no período pré-colonial. Foram 60 horas-aula de curso que contribuíram efetivamente para os resultados do presente trabalho, ampliando a visão da arqueologia acadêmica e sua adequação ao projeto didático para o ensino no fundamental, nos anos finais.
Considerações finais
Entre os anos de 2021 e 2024, participaram do projeto cerca de 420 alunos do 6° ano. Considerando o caráter interdisciplinar do projeto, pensamos que esse é um pequeno passo em direção ao pensamento crítico e ao letramento científico. Há muito o que fazer em se tratando de trabalho interdisciplinar e aulas lúdicas. O componente curricular de História abarca uma gama de conteúdos que exigem competências e habilidades que quase sempre são tratadas dentro das quatro paredes da sala de aula. Colocar os alunos na área externa da escola para realizarem um procedimento típico de uma pesquisa de campo ajuda a dinamizar e a potencializar as competências e habilidades exigidas dos alunos. O presente projeto, longe de esgotar o processo de ensino-aprendizagem no Fundamental II, pretende contribuir para diversificar e colaborar para novas vivências e convivências na escola.
Referências
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BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Educação é a Base. Brasília: MEC/Consed/Undime, 2017.
BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, 2008.
GASPAR, Madu. Sambaqui: arqueologia do litoral brasileiro. 2ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.
PELLEGRINI, Marco César; DIAS, Adriana Machado; GRINBERG, Keila. Vontade de saber História. 6º ano. 2ª ed. São Paulo: FTD, 2012.
RIBEIRO, Pedro Augusto Mentz. Os mais antigos caçadores-coletores do sul do Brasil. Pré-História da Terra Brasilis, 1999.
ROHR, João Alfredo. Sítios arqueológicos de Santa Catarina. Anais do Museu de
Antropologia, v. 16, n° 17, p. 77-168, 1984.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC). Catálogo didático Arqueologia em Questão. Florianópolis: UFSC, 2014.
Publicado em 02 de abril de 2025
Como citar este artigo (ABNT)
COSTA, Elton Laurindo da. Dentro da caixa: Arqueologia na Educação Básica. Revista Educação Pública, Rio de Janeiro, v. 25, nº 12, 2 de abril de 2025. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/25/12/dentro-da-caixa-arqueologia-na-educacao-basica
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