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Bom dia!

Mara Lúcia Martins

Caminho às pressas pelas ruas
o inverso que trago em mim:
verão e inverno convivendo na mesma estação.
Depois de tantos anos de urgência
refaço o mesmo caminho.
Agora, porém, jogando as sementes
da vida nova que vejo além da TV.
Séries, novelas, filmes, jornais,
tudo ficou ultrapassado aqui.
O mundo é novo e tem a cara lavada:
sua roda é bem gigante e gira ligeiro
em perfeita sintonia com minha corrente -
a do sangue -
que movimenta cabeça, pernas e peito.
Alguns gostos são desconhecidos
e ainda dou a cara ao tapa,
mas não a outra face.
Estou aqui e sei de mim,
da minha competência e cumplicidade.
E se às vezes ainda tento repetições
tenho também muita mais satisfação...
Não abro a mão para um aperto qualquer:
ele tem que ser querido e bem forte.
Preciso da energia autônoma!
A cibernética seria perfeita
para conjugar dois tempos em um só...
Mas a perfeição é um fantasma
que sempre aparece com o medo de abrir as portas.
Os sonhos ainda rolam nas noites de calor
como se fossem dois corpos molhados.
E ainda é preciso sonhar...
Para acreditar que a qualquer momento:
o vinagre vai virar vinho,
a maçã será repartida,
a música será ouvida,
o beijo conseguido.
o poema entendido.
E a alma estará em paz...
Rezo, assim, quase todas noites.
Não quando vou dormir,
mas quando a madrugada já vai alta
e num espaço de tempo,
que nem sei bem qual é,
acordo para dizer, antecipadamente,
bom dia!

Pubicado em 3/1/2006

Publicado em 03 de janeiro de 2006