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Arquivo da Cidade põe livros esgotados na internet

Leonardo Soares Quirino da Silva

Na Biblioteca Virtual há livros sobre a história das escolas de samba e da cidade

O professor que tiver que ensinar para seus alunos as transformações que a cidade do Rio de Janeiro passou ao longo do tempo ou a história das Escolas de Samba, agora, pode ler em casa os livros das coleções Biblioteca Carioca e Memória Carioca. Versões no formato PDF estão na Biblioteca Virtual do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.

Segundo o site do Arquivo, o objetivo é justamente divulgar essas obras, cujas edições estão esgotadas ou tiveram pequena tiragem.

Livros disponíveis

A longo prazo, a Biblioteca Virtual reúna cerca de 50 de títulos. Até o momento, contudo, só há três livros para download.

O primeiro deles é Memória da Destruição: Rio - Uma História que se Perdeu, de Sandra Horta. Por meio de fotografias, Sandra vai mostrando as transformações pelas quais a cidade passou. Tem capítulos sobre a construção das avenidas Rio Branco e Presidente Vargas, as derrubadas do morro do Castelo e do Convento da Ajuda, onde hoje é a Cinelândia, e os aterros da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Para Sandra, a falta de legislação urbana adequada e de participação da sociedade permitiu as modificações ou destruição desses locais de valor histórico, arquitetônico e afetivo.

O principal problema para profissionais que trabalham com a memória, como historiadores e arquitetos, é o que preservar, lembra a autora. Ela observa ainda que as cidades estão em constante transformação, mas que essas devem ser feitas respeitando alguns valores básicos.

A Vitrine e o Espelho: O Rio de Janeiro de Carlos Sampaio é um ensaio biográfico sobre o prefeito Carlos Sampaio. Escrito pelo professor Carlos Kessel, da Universidade do Rio de Janeiro (Uerj), o livro "se aprofunda no processo que transforma o engenheiro e professor da Escola Politécnica em próspero e poderoso empresário". Com isso, procurava entender o que "uma determinada trajetória pessoal diz sobre os momentos político, social e cultural".

Na introdução do livro, o professor da Uerj diz que o título faz referência, por um lado, a intenção de Carlos Sampaio de transformar a cidade em vitrine, em objeto a ser exposto aos estrangeiros. Ainda segundo Kessel, esta visão era partilhada por setores da elite da época.

Por outro lado, o espelho refere-se ao fato de que todas as suas iniciativas tomavam por base sua visão pessoal sobre como deveria ser a cidade, procurando aproximar a urbe real da ideal.

Carlos Sampaio foi responsável pela derrubada do Morro do Castelo, destruição do Convento da Ajuda e pela construção dos pavilhões da Exposição de 1922. A exposição comemorou o Centenário da Independência.

Segundo Kessel, Sampaio assume o cargo após a exoneração de Sá Freire. Este resistia às pressões para embelezar e remodelar a cidade por meio de empréstimos.

O último título disponível é Escolas de Samba: Sujeitos Celebrantes e Objetos Celebrados, do geógrafo Nelson da Nóbrega Fernandes. Nelson parte da perspectiva do historiador das ideias, o professor americano Clarence J. Glacken, que influenciou a geografia cultural.

Nelson cita Glacken, para quem "as expressões artísticas sempre foram importantes instrumentos para as relações entre o homem e seu meio ambiente, principalmente quando este último se mostra hostil, porque por intermédio de tais instituições culturais os grupos sociais podem aprofundar a sua coesão, criar identidades e reinterpretar suas vidas, seus espaços".

Com base nessa abordagem, o geógrafo refuta duas teses correntes. A primeira que reduz o sucesso das escolas à política das classes dominantes para a "domesticação da massa urbana". A outra, de que seria "instrumento para o enraizamento do mito da democracia racial no Brasil".

Para Nelson, por meio das escolas foi possível a essas comunidades se reunirem, ganharem voz própria e criarem uma expressão artística que lhes dá um lugar na cidade, "num processo em que o samba acabará por se confundido com uma das representações mais clássicas desta cidade e da nação".

O livro centra-se no período entre 1928 e 1949 para tentar explicar como os sambistas conseguiram que as escolas se tornassem a representação central do carnaval da cidade e do Brasil.

Segundo o geógrafo, quando esse processo se inicia, o carnaval do Rio já era reconhecido em todo o mundo como uma das maiores festas do gênero. Nesse período, as principais manifestações eram as grandes sociedades e o corso, criados e mantidos por membros das elites, e os ranchos, cujos enredos reproduziam trechos de óperas clássicas.

Para quem não tem internet de alta velocidade - "banda larga" -, a melhor alternativa é salvar no computador antes de abrir os textos. Para isso, basta posicionar o ponteiro do mouse sobre o nome do livro, clicar com o botão da direita e escolher a opção "salvar destino como...".

História do arquivo

O arquivo foi fundado junto com a primeira Câmara de Vereadores da cidade, em 1567, com o nome de Arquivo da Câmara Municipal. Nessa época, a Câmara desempenhava tanto funções legislativas quanto executivas. Só em 1892 a Instituição passa para a esfera do Poder Executivo.

Atualmente, o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro é responsável por gerir a documentação produzida pelo poder público, guardar informações necessárias para que cidadãos e pesquisadores comprovem seus direitos ou estudem o passado, e, por fim, estar próximo das diversas comunidades que formam a cidade.

20/6/2006

Publicado em 20 de junho de 2006

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