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Quem quer faz

Leonardo Soares Quirino da Silva

Fundada em 1888 para ser abrigo de menores carentes, nos últimos anos a ETE Ferreira Viana vem se destacando na rede Faetec

"Daqui a três ou quatro anos você vai ver outro Ferreira Viana!" profetizou entusiasmada a diretora adjunta, professora Márcia Cláudia Ribeiro Jauffret Coelho (MSc), da Escola Técnica Estadual Ferreira Viana.

Nos últimos três anos, a escola vem se destacando pela participação em eventos externos, pela realização de fórum de tecnologia próprio, pelo desenvolvimento local de material pedagógico e pela apresentação de projetos de modernização com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro - Faperj.

Talvez a professora estivesse fazendo menção a este último ponto quando disse que iria ver uma nova escola. Na rede Faetec, a Ferreira Viana foi a unidade que mais apresentou projetos para a Faperj - dez no total. Esses recursos serão empregados para construir um auditório com recursos multimídia, modernizar a biblioteca e melhorar os laboratórios de edificações, eletrônica, eletrotécnica, física, história, informática, química e telecomunicações.

A melhoria do ensino na escola, naturalmente, não poderia ser feita sem o empenho dos professores, entre eles Antônio Carlos de Oliveira.

História da Escola

O que hoje é escola, começou como lar de crianças abandonadas. Em janeiro de 1888, a imprensa da corte publicou denuncia de que crianças estavam convivendo com criminosos e doentes no Asilo de Mendicidade. O asilo ficava onde hoje é o Hospital São Francisco de Assis, na Cidade Nova, segundo a professora Vilma Alves Machado. A professora pesquisou o período inicial da escola para sua dissertação de mestrado.

Vilma observa ainda que Antônio Ferreira Viana, então intendente-mor da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, promoveu política de caráter higienista na cidade, que também teve grande influência na educação. Foi ele que abriu, por exemplo, o primeiro necrotério e o próprio asilo de mendicidade, encarregado de recolher os mendigos da cidade.

Quando foi criada, a escola era um internato para meninos e chamava-se Casa de São José. A primeira sede foi no Rio Comprido e os recursos vieram de doações de personalidades da época, entre elas José do Patrocínio, a Princesa Isabel, o conde de Bonfim e seu filho, o barão de Mesquita. Algum tempo depois, D Pedro II, que visitou a instituição duas vezes, mandou fazer emenda no orçamento para doar recursos para a escola, segundo Vilma.

A professora Vilma ressaltou que a intenção do intendente-mor foi criar mais que um asilo. Na casa, administrado por irmãs da Ordem de São Vicente de Paula, as crianças recebiam educação e assistência médico-odontológica.

Essa abordagem do problema por parte de Ferreira Viana, ressalta outra professora, Mariana Ferreira de Melo, estava em sintonia com o espírito da época. Segundo ela, o objetivo era ordenar a classe trabalhadora com a política do bom trabalhador, que visava controlar os operários todo o tempo.

Com a proclamação da República, a intenção do novo regime era fechar a escola. Isso só não aconteceu pela intervenção de Vasco d'Alencastro Lima, que alegou que a Intendência (Câmara Municipal) não poderia votar uma lei que revogasse uma lei votada em esfera superior.

Em 1896, o asilo foi transferido do Rio Comprido para seu local atual por se considerar a casa antiga insalubre.

Segunda a coordenadora do Núcleo de Documentação e Memória da escola, a professora de história Vânia Maria Guimarães Félix da Silva, a educação profissional começa em 1912, quando a instituição é transformada em Escola de Artes Industriais. Quatro anos depois, é transformado em Instituto Ferreira Viana, um ano antes da fundação da Escola Normal de Artes e Ofícios Venceslau Brás.

Entre 1933 e 1944, a escola era o que se chamava pré-vocacional, cuja missão era preparar os alunos do antigo primário para o curso profissional. Nesse período, todos os alunos eram internos.

A partir de 1940, começa a funcionar o curso no nível do antigo ginásio, criado oficialmente em 1948, como o nome de ginásio industrial.

O atual ensino médio profissional começa em 1966, quando a escola recebe a denominação de Colégio Estadual Ferreira Viana que ainda mantinha o então chamado primeiro ciclo.

Com a transformação de todo o antigo segundo grau em ensino profissionalizante, pela Reforma Passarinho, de 1971, a escola foi transformada em Centro Interescolar. Dessa forma, alunos da rede do antigo estado da Guanabara iam fazer as matérias profissionais na Ferreira Viana.

Em 1976, a instituição volta a se chamar Colégio Estadual, denominação que manteve até 1988, quando recebeu o nome atual.

Publicado em 12/09/2006

Publicado em 12 de setembro de 2006