Este trabalho foi recuperado de uma versão anterior da revista Educação Pública. Por isso, talvez você encontre nele algum problema de formatação ou links defeituosos. Se for o caso, por favor, escreva para nosso email (educacaopublica@cecierj.edu.br) para providenciarmos o reparo.

Escola Popular de Comunicação Crítica

Karla Hansen

Linguagem da Mídia para Jovens

O Observatório de Favelas do Rio de Janeiro se define como uma "rede sócio pedagógica, com uma perspectiva técnica-política". A Ong é formada por uma equipe de pesquisadores e estudantes universitários ligados a diferentes instituições acadêmicas e organizações comunitárias, sendo que seus principais coordenadores são moradores ou ex-moradores de comunidades de periferia do Rio de Janeiro.

Criada em 2001, e transformada em Organização da Sociedade Civil de Interesse Público dois anos depois, a instituição tem como principais focos a formação de lideranças comunitárias, a produção de conhecimentos específicos sobre os espaços populares e a assessoria de ações inovadoras nas favelas cariocas.

O Observatório de Favelas desenvolve uma série de projetos, entre eles a Escola Popular de Comunicação Crítica, cujo objetivo é formar adolescentes e jovens de comunidades populares no domínio da linguagem da mídia, tanto de forma teórica e crítica, quanto prática. A Escola oferece cursos profissionalizantes no campo da mídia impressa, de produção de vídeo, fotografia e rádio comunitária.

Além dos cursos profissionalizantes, a Escola também oferece acesso a cursos básicos de informática e de Línguas Estrangeiras aos alunos e, a partir de parcerias com empresas e entidades públicas e privadas, encaminha os jovens ao mercado de trabalho.

Esta semana, o Portal da Educação Pública entrou em contato Vitor Monteiro de Carvalho, do Núcleo de Comunicação, que nos concedeu essa entrevista por e-mail. Esta é nossa primeira aproximação da Escola Popular de Comunicação Crítica:

Quando a Escola foi criada?

A Escola iniciou suas atividades em setembro de 2005. É uma iniciativa do Observatório de Favelas com apoio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) do MEC, em parceria com Escolas de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal Fluminense (UFF), o canal educativo Futura, o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), a Associação Cultural Afroreggae e a Associação Brasileira de Produtores Independentes (ABPI-TV).

Como surgiu a ideia de criar a Escola?

Devido à urgente necessidade de oferta de conteúdos dedicados à formação e informação cidadã, o Observatório de Favelas pensou na elaboração de projetos integrados para atuação nos espaços populares, que tenham como característica central a participação ativa dos seus moradores na elaboração dos produtos, seja no plano do vídeo, da fotografia, do rádio, cartilhas e/ou livros voltados para públicos específicos.

Por quê uma escola de comunicação?

O estímulo à emergência de uma nova linguagem no campo da comunicação, protagonizada por moradores de comunidades populares, oferece a oportunidade de que novos olhares possam ser elaborados a respeito desses espaços e permitem que se avance na luta pela hegemonia no campo da representação da cidade, na qual esta seja vista, acima de tudo, como espaço da diferença, da solidariedade e do encontro plural.

Qual ou quais os objetivos da escola?

A Escola visa criar condições para que os adolescentes e jovens das favelas possam ampliar seu espaço/tempo subjetivo e objetivo e, nesse movimento, interferirem de forma efetiva na realidade de seu lugar, de sua cidade.

Caracterizado pela pluralidade e pelo compromisso comum com a melhoria da qualidade de vida dos grupos sociais populares, o conjunto de parceiros não ignora a necessidade de que as atividades nesse campo levem em conta o contexto sócioeconômico e cultural. Reconhecemos, da mesma forma, a necessidade de se evitar reproduzir os tradicionais esquemas de tutela que, sob várias formas, caracterizam a relação das organizações sociais dos setores médios com os grupos sociais populares. Unidos pelo desejo de contribuir para o desenvolvimento social em bases humanistas plenas, o eixo estratégico da Escola é a formação de redes sociopedagógicas de comunicação. Através da formação dessas articulações de práticas e lógicas acredita-se que as populações das comunidades populares ampliarão seu acesso a novas linguagens e valores, gerando-se novas formas de representar o espaço local e o conjunto da cidade.

Onde ela está sediada?

A Escola fica na Maré, favela do Rio de Janeiro.

A Escola atende a quantos alunos?

Sua primeira turma, do curso de vídeo se formou em outubro de 2006 e contou com 40 jovens, a partir de 18 anos.

Os cursos têm quanto tempo de duração?

As aulas acontecem durante todo o ano, todos os dias da semana, no turno da noite, e algumas aulas práticas, aos finais de semana, durante o dia, no caso dos cursos de fotografia e vídeo, que dependem da luminosidade natural.

Os cursos são gratuitos?

Os alunos não têm nenhum custo para participar da Escola, e ainda conseguimos algumas bolsas de instituições parceiras para o transporte, no caso de jovens de outras comunidades.

Para saber mais acesse Observatório de Favelas

16/10/2006

Publicado em 17 de outubro de 2006