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Museu - novo tempo para o templo das musas

Cláudia Dias Sampaio

2006 - Ano do Museu

A palavra Museu é de origem grega - museîon - significa a residência das musas, as nove filhas de Zeus e de Mnemósine, a deusa grega guardiã da memória. Segundo a mitologia grega, as musas eram ninfas que habitavam os bosques e, mais tarde, foram elevadas à categoria de divindades, inspiradoras da música e da poesia.

Ao longo da história, a residência das musas assumiu diferentes características. Ao pensarmos na arte das civilizações antigas, veremos que as musas sempre cultivaram seu cantinho, fosse em locais fechados, como nos túmulos dos faraós, ou nas esculturas a céu aberto nas cidades gregas. Até mesmo nos períodos mais atrozes, como no nazismo alemão, ou nas ditaduras militares da América Latina, a benção das musas era tamanha que a arte conseguiu se manter presente.

Templos modernos

Os museus conforme conhecemos data do século XVII. Somente no século XX surgiu a maioria dos museus brasileiros. Já se tornou corriqueira a constatação de que cultura e educação nunca estiveram entre as prioridades dos governantes brasileiros. Para tristeza das musas, a situação ainda é precária em muitos de nossos museus e reflete a falta de investimentos com esses templos de inspiração.

Apesar disso, tudo indica que podemos falar em novos tempos para as moradas das musas no Brasil. O que não quer dizer que tudo já esteja às mil maravilhas, mas a atual política, aliada à tecnologia e à rede de comunicação com museus de outras partes do mundo, vêm trazendo alegrias para as musas.

Alegrias que ainda chegam entre lágrimas pelos acontecimentos lamentáveis ocorridos durante este ano. Os sucessivos roubos de obras de arte em museus e centros culturais expuseram a fragilidade dessas instituições. O assalto ao Museu Chácara do Céu foi um dos mais noticiados, pela ousadia dos ladrões que fugiram no meio de um bloco de carnaval em Santa Teresa carregando obras de Salvador Dalí, Picasso, Monet e outros.

Recentemente, obras raras também foram roubadas da Biblioteca Mario de Andrade, em São Paulo. Essa sucessiva violação ao patrimônio público é apontada por alguns como indício de que o Brasil tenha entrado para a rota do tráfico internacional de obras de arte. Sensacionalismo ou não, os episódios marcaram este 2006 em que o Ministério da Cultura elegeu como o ano do Museu.

2006 - Ano do Museu

Diversas atividades fizeram parte das comemorações pelo Ano do Museu. Em maio foi realizada a Semana Nacional de Museus, com o tema Museu e público jovem, e em agosto aconteceu, em Minas Gerais, na cidade histórica de Ouro Preto, o 2º Fórum Nacional de Museus. Durante o Fórum, foi realizado o 1º Encontro dos Museus Iberoamericanos e o 2º Encontro de estudantes de Museologia.

Toda essa programação faz parte da política que está sendo desenvolvida pelo Ministério da Cultura com o intuito de criar novos paradigmas para os museus brasileiros. A proposta do Ministro Gilberto Gil é enfrentar o desafio de reinventar o diálogo dos museus com a juventude, modernizar nossos museus e mostrar que eles são espaços de patrimônio, identidade, cidadania, cultura e memória.

Uma das medidas adotadas foi a criação do Departamento de Museus e Centros Culturais - DEMU e a promoção do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional - IPHAN, que passou de secretaria a departamento, integrando, dessa maneira, o terceiro escalão do Ministério da Cultura. Outro ponto importante da Política Nacional dos Museus é o cadastramento de todas as instituições espalhadas pelos municípios brasileiros. Através da internet, as próprias instituições podem fazer seu cadastro.

A necessidade de organização de uma rede internacional é uma preocupação recente na área e a parceria com o Ministério da Cultura da Espanha tem sido importante nesse processo de modernização e dinamização dos museus brasileiros. Se por um lado a troca permite ao Brasil ter acesso à tecnologia e ações já implementadas nas instituições europeias, como a organização e o cadastro das instituições, por outro, nossa contribuição está, segundo José Nascimento Júnior, diretor do DEMU, justamente na maneira como articulamos as ações educativas. A parceria também está sendo importante na realização das oficinas de profissionalização dos funcionários dos museus oferecidas pelo DEMU. Para o próximo ano, os esforços se voltam para a realização do Dia Internacional de Museus, com o tema Museus e Patrimônio Universal e para a quinta edição da Semana Nacional dos Museus de 2007.

Espanando a poeira

A oficina Espanando a poeira, da professora Miriam Leite, propõe alternativas de visitação escolar a museus históricos. A proposta surge a partir da investigação do processo de construção da imagem pública de D. Pedro II, articulada com a visita ao Museu Imperial de Petrópolis.

Miriam nos mostra como a aula passeio pode ser uma estratégia rica de trabalho e nem por isso deixar de ser divertida. O texto é um convite à reflexão sobre a importância da pesquisa e em como o professor pode transformá-la em uma atividade prazerosa.

Se você se interessou em participar desta oficina, basta acessar aqui no Portal da Educação. Bom trabalho!

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13/11/2006

Publicado em 14 de novembro de 2006

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