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Quando a paz venceu a guerra

Karla Hansen

No último evento do ano do projeto "Professor vai de graça ao cinema", o programa Oficina Cine-Escola apresentou o filme "Feliz Natal", uma produção de vários países sobre uma incrível noite de Natal de 1914.

O filme, do diretor francês Christian Carion, narra uma passagem da 1ª Guerra Mundial, em pleno campo de batalha, na França, em que alemães, franceses e britânicos se enfrentavam. Algo de realmente especial aconteceu e fez com que os oficiais dos três exércitos inimigos entrassem em acordo e estabelecessem um cessar-fogo, para que seus soldados pudessem celebrar o Natal.

O que ninguém podia esperar e, sequer imaginar, era que, num meio tão hostil e desumano como um campo de guerra, surgisse um momento de tão grande humanidade. Eis que, na trincheira dos britânicos, os escoceses começaram a cantar uma canção de saudade de casa, acompanhados pela tradicional gaita de fole escocesa, canção essa que foi ouvida pelos soldados das outras trincheiras. Em seguida, do lado dos alemães, um tenor entoou sua voz numa canção natalina universal. E, assim, profundamente comovidos pela música, os homens dos três exércitos, cansados, com frio e com fome, saíram, espontaneamente, de suas trincheiras e, desarmados, passaram a se confraternizar com o inimigo.

De repente, entre as fardas de cores diferentes, vemos trocas de garrafas de champanhe de soldados franceses por barras de chocolate dos alemães, apertos de mão, enfim, calor humano! Depois, ainda mais elevados e confiantes naquela repentina e generosa paz, todos participam da missa rezada pelo padre escocês e, mais uma surpresa acontece: a esposa do tenor alemão - ali, clandestinamente - e também cantora lírica, canta uma canção religiosa que arranca lágrimas dos soldados.

Assim, depois dos acontecimentos dessa noite "incrível", nada poderia voltar a ser o mesmo para aqueles homens. No dia seguinte, a trégua é mantida, para que eles pudessem enterrar os soldados mortos em combate, deixados à revelia. Após o trabalho, como qualquer grupo de homens jovens, os exércitos, antes inimigos de morte, se tornam apenas adversários de um jogo de futebol!

Trata-se de uma história real que parece uma fábula por seu significado profundo, que atravessa qualquer época ou circunstância: nela, a arte, em particular, a música, exerce seu poder de elevar os espíritos e, nesse caso, de desarmá-los - no sentido concreto - de nos tornar melhores, mais humanos. O ódio, cultivado desde a tenra infância e por séculos anteriores, de repente, se dissipa. Todos se veem como iguais, como irmãos, de uma mesma raça, da raça humana que, contagiados por aquela atmosfera mágica, transcendental, tornam possível o que era inimaginável.

Há, ainda, nesta bela história de Natal, uma lição de grandeza, de elegância e de delicadeza deixada por aqueles homens que, na época, foram esmagados, por seus superiores, por terem sido considerados traidores e fracassados. Para eles, acima da frieza, do ódio, da eficiência da máquina de guerra, havia algo maior, de natureza espiritual e que, naquela noite, teve mais força: o desejo de paz e de fraternidade.

Ficha técnica do filme:

  • Título: Feliz Natal
  • Direção: Christian Carion
  • Gênero: Drama
  • Produção: França / Alemanha / Inglaterra / Romênia

Publicado em 12/12/2006

Publicado em 12 de dezembro de 2006