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De olho no óleo

Mariana Cruz

Vida útil
Dicas para simplificar a vida

Quem não se lembra da época da escola, quando a professora queria mostrar a diferença de densidade entre o óleo e a água? Ela os misturava em um recipiente, mexia, mexia, mexia e depois de uns instantes lá estavam os dois visivelmente separados. E o que estava sempre em cima? O óleo.

A partir dessa pueril experiência, podemos tirar grandes lições ecológicas. E se estão certos os que dizem que a criança que mora dentro da gente nunca morre, dirijamo-nos da sala de aula de nossa infância para a cozinha de nossa maturidade: o que fazemos com o óleo depois de fritos alguns quitutes para as visitas que nos aguardam na sala? Ralo. Antes mesmo de chegar ao seu destino fluvial, o óleo de cozinha jogado nos ralos já vai causando danos por onde passa: forma uma crosta gordurosa nas paredes dos canos, o que dificulta a passagem da água; ao chegar nas redes coletoras de esgoto, causa problemas de drenagem e retenção de sólidos, e o óleo que sobra vai parar nos rios. Nesta hora, ressurge a experiência da nossa tenra infância em proporção, obviamente, maior: o óleo, por ser menos denso que a água, forma uma película sobre a superfície, o que reduz a troca de gases entre a água do rio e a atmosfera, ocasionando a mortandade de peixes, fitoplânctons e outros organismos essenciais para a cadeia alimentar aquática.

Mas não para por aí. Quando o solo é atingido, o óleo impermeabiliza-o, dificultando o escoamento da água das chuvas e aumentando o risco de enchentes.

Não bastassem os males do colesterol ocasionados pelo óleo, agora esses...

Alternativas para o uso do óleo

Mas o que fazer como o óleo que sobra? Para os mais radicais, abolir o consumo de óleo ou virar adepto da BioChip e passar a ingerir apenas alimentos vivos (leia-se: crus), pode ser uma opção. Mas para os que não resistem às tentações gastronômicas mais pesadas, talvez seja mais fácil encontrar um outro destino ao óleo que insiste em participar de nossas refeições.

Assim, após seu uso, o conselho é colocá-lo em um recipiente e vedá-lo. A partir daí, várias coisas podem ser feitas. Alguns optam por jogá-lo no lixo comum. É uma solução, mas não é a ideal, pois o óleo é difícil de se decompor e se houver algum rompimento no recipiente, o solo pode ser contaminado e, consequentemente, os lençóis freáticos também. A solução que parece ser a melhor é reaproveitá-lo para fazer sabão, biodiesel, resina para tintas, detergentes ou qualquer outra coisa que ajude a conservar nosso planetinha. Parcerias com restaurantes, escolas, hospitais já estão sendo feitas com algumas fábricas, neste sentido.

Ligue já

Uma das alternativas é ligar para “Disque Óleo” (visite o site), uma cooperativa localizada em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. A cooperativa recolhe o óleo de cozinha usado em toda a região metropolitana do Rio de Janeiro. É só colocar o óleo em garrafas Pet de dois litros e quando umas três, pelo menos, estiverem cheias... ligue já! É Grátis! E o melhor: eles até dão uma colaboração simbólica por litro. O processo já está sendo feito em restaurantes, condomínios e residências particulares.

O óleo usado vai para a fábrica de Sabão Neutral onde passa por um processo de decantação e separação dos resíduos do óleo. Faz-se a regularização do nível de Ph em padrões adequados para uso industrial e vira sabão. As impurezas são encaminhadas para Usina de Processamento de Lixo do Caju e destruídas.

Telefones: 2260-3326/ 7827-9446 (Caio)/ 78279449

Faça você mesmo

Você também pode fazer o seu próprio sabão. O site do Instituto Akatu dá a receita, mas adverte sobre o cuidado redobrado que se deve ter com a soda, pois se ela entrar em contato com a pele pode provocar queimaduras. Aconselha-se o uso de luvas para garantir a segurança. Nós aqui do Portal da Educação Pública reproduzimos a receita para você:

Material utilizado

  • 5 litros de óleo comestível usado
  • 2 litros de água
  • 200 ml de amaciante
  • 1 Kg de soda cáustica em escama(NaOH)

Passo-a-passo

  1. Coloque a soda em escamas no fundo do balde cuidadosamente.
  2. Coloque, com cuidado, a água fervendo. Mexa até diluir todas as escamas da soda.
  3. Adicione o óleo cuidadosamente. Mexa.
  4. Adicione o amaciante. Mexa novamente.
  5. Mexa até formar uma mistura homogênea.
  6. Jogue a mistura em uma fôrma e espere secar bastante.
  7. Corte as barras e pronto!

Dica: Quanto mais o sabão curtir, mais tempo ficar secando, melhor ele fica. Os utensílios usados na preparação da mistura devem ser de madeira ou plástico e para que não ofereça riscos à pele, deixe o sabão curtir por no mínimo três meses.

Do sabão ao combustível

Não param por aí as utilidades para o óleo de cozinha usado. Em Ribeirão Preto existe um projeto desenvolvido dentro do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, no Ladetel (Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas), no qual o óleo de cozinha vira combustível. É o projeto Biodiesel em casa e nas escolas, que tem parcerias com as lojas do Carrefour da cidade e com algumas escolas da rede pública de ensino da região.

Quem quiser fazer doações para o projeto biodiesel pode entrar em contato com os pesquisadores do Ladetel pelo telefone: (16) 602-3734 ou pelo e-mail antonio@biodieselbrasil.com.br ou  andressa@biodieselbrasil.com.br.

O site do projeto é www.biodieselbrasil.com.br.

Linha 121 (Central-Copacabana)

No início de 2006, a cidade do Rio de Janeiro ganhou seu primeiro ônibus urbano movido a mistura de biodiesel (95% de diesel comum e 5% de biodiesel) do Brasil. O veículo Volkswagen pertencente à Real Auto Ônibus é um projeto-piloto do programa Riobiodiesel, criado pelo Governo do Estado do Rio em parceria com a COPPE/UFRJ e demais empresas privadas.

De olho no colesterol

Agora vocês já podem fritar batatas, quibes e hambúrgueres sem causar danos à natureza, se bem que, com essa alimentação, a saúde é que sofrerá as consequências. Mas aí já é outra história...

Publicado em 10 de abril de 2007.

Publicado em 10 de abril de 2007