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Transformando ferramenta em estratégia de aprendizagem

Leonardo Soares Quirino da Silva

Na metade dos anos 60, um jovem estudante universitário britânico estava preocupado em como organizar suas notas de aula e de leitura. Sua capacidade de reter os conteúdos era inversamente proporcional ao volume de material a que era apresentado e que não parava de crescer. Com base em seus estudos de psicologia, em registros de técnicas mnemônicas antigas e em biografias de grandes personalidades, Tony Buzan, esse é seu nome, partiu para o desenvolvimento do que viria a ser conhecido como Mapas Mentais.

Usando cores, palavras e desenhos, ele desenvolveu uma técnica que usa as capacidades de associação e de imaginação para auxiliar as pessoas a esquematizarem e a memorizarem grandes ou pequenos volumes de conteúdo ou ainda a organizarem seu dia-a-dia.

O uso dessa técnica como principal instrumento de uma estratégia de aprendizagem é a proposta dos professores espanhóis Ângela de Luque, Antonio Ontoria e Juan Pedro R. Gómez. Em Aprender com mapas mentais: uma estratégia para pensar e aprender, os autores defendem o uso em sala de aula da técnica, pois ela facilitaria o pensar e o "aprender a aprender", bem como promoveria a integração entre os alunos.

O livro está dividido em três grandes blocos. No primeiro, os autores apresentam as discussões sobre atividade cerebral e os conceitos de pensamento irradiante, aprendizagem holística ou integral e fluxo.

Nessa parte, concentrada no primeiro capítulo, os professores baseiam-se em grande parte nas pesquisas sobre o funcionamento do cérebro e a inteligência emocional para defender a importância do uso de recursos visuais - como os preconizados na técnica de mapas mentais - como forma de desenvolver a inteligência dos alunos.

O segundo e mais extenso bloco do livro é dedicado ao uso dos mapas como estratégia de aprendizagem cognitivo-criativa (capítulo 2). Segundo eles, os mapas também desenvolveriam aspectos metacognitivos, tendo como "ideia-base que os alunos percebam suas ideias de pensar e suas possibilidades como pessoa total para a aprendizagem". Ademais, sua elaboração estimularia a criatividade dos alunos.

Preocupados em como os professores podem aplicar esses recursos em sala de aula, os autores primeiro apresentam a técnica de elaboração dos mapas para depois propor um programa em quatro etapas de ensino (capítulo 3).

Como a elaboração de mapas mentais pressupõe o uso de cores, palavras e imagens, é possível usar o computador em sua elaboração no lugar do papel e dos lápis de cor. O quarto capítulo é inteiramente dedicado a esse ponto, tendo, inclusive, um guia para o uso do Power Point na construção de mapas.

Além disso, sugerem o uso da técnica em trabalhos de grupo (capítulo 5) e como instrumento alternativo para avaliar o desempenho dos alunos (capítulo 6). Neste ponto, eles apontam ainda os critérios pelos quais os exercícios podem ser analisados e depois quantificados para a atribuição de nota.

No terceiro e último bloco do livro, os professores espanhóis discutem a aplicação dessa técnica nos ensinos fundamental (capítulo 7), médio (capítulo 8) e superior (capítulo 9).

O livro chama a atenção pelo cuidado dos autores em sempre apresentarem os fundamentos teóricos de suas posições para depois sugerirem linhas de ação para a aplicação prática desses fundamentos.

Por isso, o livro pode ser uma fonte interessante para os profissionais de ensino interessados em conhecer uma técnica que serve para melhorar seu planejamento de aula, otimizar a memória dos alunos e testar, na prática, a estratégia de aprendizagem proposta pelos autores.

Ficha técnica do livro:

  • Título: Aprender com mapas mentais: uma estratégia para pensar e estudar
  • Autor: ONTORIA, Antonio, De LUQUE, Angela, GÓMEZ, Juan Pedro R.
  • Gênero: Paradidático
  • Produção: Madras Editora Limitada

Publicado em 16/4/2007

Publicado em 17 de abril de 2007