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O Dia da Consciência Negra – A história de Zumbi

Mariana Cruz

No dia 20 de novembro de 1695 assassinaram Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. Quase três séculos depois, em 1971, ativistas do Grupo Palmares, do Rio Grande do Sul, escolheram esta data como o Dia da Consciência Negra. Em 1978, o Movimento Negro Unificado incorporou o dia como celebração nacional até que, em 2003, a Lei 10.639 foi sancionada pelo presidente Lula e o inseriu como parte do calendário escolar brasileiro.

O objetivo da data é lembrar a resistência do negro à escravidão, bem como provocar uma reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Neste dia várias entidades ligadas ao Movimento Negro fazem extensa programação com palestras, debates, passeatas, simpósios, congresso, lançamentos de livro, seminários, mesas-redondas e eventos educativos em todo o país, e são colocados em foco diversos assuntos: inserção do negro no mercado de trabalho, cotas universitárias, discriminação policial, identificação de etnias, moda e beleza negra. As comemorações menos acadêmicas, com samba, churrasco e cerveja, não ficam de fora.

Zumbi e o Quilombo dos Palmares

O Quilombo dos Palmares está localizado na atual região de União dos Palmares, em Alagoas; é considerado o mais importante dos quilombos, devido à sua organização e à resistência de mais de um século aos ataques de portugueses e holandeses. A comunidade – formada por escravos negros fugidos das fazendas brasileiras – vivia de caça, pesca, coleta de frutas, agricultura e produzia artesanatos que comercializava com as cidades vizinhas.

Zumbi nascera livre em Palmares, mas por volta dos seis anos foi capturado, entregue a um missionário português e batizado de “Francisco”. Recebeu todos os sacramentos, aprendeu português e latim. Apesar de todo o esforço em educá-lo de acordo com a doutrina católica e colonizadora, aos quinze anos fugiu e retornou ao seu local de origem.

Em 1677 o governador da Capitania de Pernambuco, Fernão Carrilho, fez uma proposta ao então líder do Quilombo, Ganga Zumba, na qual ofertava a paz e a liberdade a todos os escravos fugidos em troca da submissão do quilombo à Coroa Portuguesa. O líder negro aceitou a proposta, mas seu sobrinho, Zumbi, rejeitou-a juntamente com grande parte dos quilombolas. Não consideravam justo que apenas os negros do Quilombo dos Palmares ganhassem liberdade, enquanto os outros continuavam escravos.

Nesta disputa, Ganga Zumba foi envenenado por seu irmão, Ganga Zona, aliado dos portugueses, e este subiu ao poder. Mas os dissidentes se revoltaram e, por fim, o Quilombo ganhou um novo líder, o maior de todos, Zumbi dos Palmares, que além de coragem possuía conhecimentos militares. Sob sua liderança, a comunidade tornou-se maior e mais fortalecida e obteve várias vitórias contra os soldados portugueses, até a chegada do fatídico dia da grande invasão, comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, quando Macaco, o principal centro político do Quilombo, foi dizimado. No dia 6 de fevereiro de 1694, Palmares foi destruído e Zumbi, ferido; ele sobreviveu e passou a viver escondido.

Mais de um ano depois, Antônio Soares, um quilombola capturado, em troca de uma promessa de liberdade, revelou a localização do esconderijo de Zumbi. Em 20 de novembro de 1695, chegou ao fim a vida de Zumbi, ele foi apunhalado e tem sua cabeça exposta em praça pública. 

Sem a forte liderança de Zumbi, o Quilombo dos Palmares acabou de vez em 1710.

Publicado em 21 de novembro de 2007

Publicado em 21 de novembro de 2007