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Eliseu Visconti Website

Leonardo Soares Quirino da Silva

Visconti: o pintor da alegria

Imagem da página inicial do site
http://www.eliseuvisconti.com.br

Criado por Tobias Stourdzé Visconti, o site Eliseu Visconti é a homenagem de um neto a seu avô. Em 2003, após a morte de seu pai, Tobias ficou encarregado da guarda do acervo de Visconti. Em e-mail ao portal, ele declarou que, "como primeiro objetivo do projeto, elegi a elaboração de um site sobre o artista, já que o único livro oficial sobre o pintor, intitulado Eliseu Visconti e Seu Tempo, de Frederico Barata, encontrava-se há muito totalmente esgotado".

Ainda segundo ele, o site foi feito pela família e lançado em 2005. No mesmo ano, juntou-se ao projeto a historiadora Christina Penna. Ela trazia consigo 26 anos de experiência no Projeto Portinari. Quem ganhou com a decisão da família e a parceria foi o grande público.

Pioneiro do impressionismo e do design no Brasil, Eliseu Visconti (1866-1944) é um dos mais importantes artistas brasileiros do século XX. Apesar de nascido na Itália, foi aqui que Visconti viveu a maior parte de sua vida e onde construiu sua carreira.

Vários começos

Mesmo sendo de bom-tom começar pela Apresentação, o visitante pode pular direto para a Biografia e, aí sim, começar pelo início.

Mas é possível ainda principiar pela Obra. Apesar de o nome sugerir uma coleção de imagens das peças de Visconti, é nesta parte do site que os autores apresentam as diferentes fases do artista (Visconti Pintor), comentando-as uma a uma.

As atividades de Visconti como artista gráfico e desenhista industrial também estão lá (Visconti Designer), bem como sua participação na decoração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Neste ponto, vale a penar ler sobre o debate, através da imprensa, entre Visconti e críticos anônimos do pano de boca – a cortina que separa a plateia do palco. O cerne foi a inclusão de um D. Pedro II boquiaberto e "uma preta mina, com tabuleiro cheio de bananas, além de outros atributos ridículos ou deprimentes".

Por fim, na subseção Classificação por Tema, há uma seleção do trabalho de Visconti. Uma das características do artista foi ter pintado vários autorretratos ao longo da vida. Aí vale, primeiro, ver como ele se retratava de forma cada vez mais leve e radiante, ao se comparar as expressões do jovem artista, em 1896, com a forma como se retratou no último trabalho, em 1943. Uma dica: não saia dessa subseção sem dar uma olhada em Ilusões Perdidas (1933). Apesar de ter composição parecida, qualquer semelhança com o Sonho da razão produz monstros, de Goya, terá sido mera coincidência.

Em Rio Antigo, podem causar surpresa para os cariocas as pinturas de Copacabana nas primeiras décadas do século XX. Em Ladeira dos Tabajaras (1928), o bairro parece uma pequena cidade à beira-mar.

Quem quiser ler os comentários da crítica especializada sobre o artista, o caminho é entrar em Textos Críticos. Nessa parte, pode encontrar-se uma síntese da obra de Visconti em um texto do catálogo da II Bienal de São Paulo (1954), escrito pelo crítico e artista plástico Quirino Campofiorito:

"Mire-se com devoção o amor que anima para a existência eterna da arte da obra criada por Visconti. O humano amor pela natureza, pelos homens, pela vida, com as energias e o sangue que a arte exige, de quem com ela assume o sagrado compromisso de servi-la com humildade e com esperança de alcançá-la, para a comunhão da beleza na imortalidade".

Publicado em 11 de dezembro de 2007

Publicado em 11 de dezembro de 2007