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Projeto transforma escolas de Quatis em galerias de arte

Leonardo Soares Quirino da Silva

Democratizar as artes plásticas reproduzindo obras de artistas brasileiros, tirando suas obras de dentro das galerias e trazendo-as para os corredores das escolas foi o objetivo do grafiteiro Júlio César Morais ao criar o projeto Meu Brasil brasileiro, em Quatis.

Inspirado na arte mural mexicana e no grafite, o projeto de Morais reproduz, com a ajuda dos alunos, quadros de Tarsila do Amaral, Candido Portinari, Aldemir Martins e Romero Britto (veja links no fim da reportagem) e é realizado com apoio da Secretaria Municipal de Educação e de uma empresa de ônibus local.

Meu Brasil brasileiro é o ponto atual de uma trajetória voltada para as artes plásticas. Foi a experiência nos muros da cidade que levou Morais a se interessar por artes plásticas e depois a fazer curso superior de Artes Visuais. Tema da monografia de conclusão? Murais e grafites.

Enquanto espera a abertura de concurso para a rede pública, o atual funcionário municipal realiza o projeto, um desdobramento de suas oficinas de grafite.

Grafite x Pichação

Uma das preocupações do professor é justamente diferenciar essa forma de arte urbana de sua prima pobre, a pichação. Em seus cursos, Júlio enfatiza que a pichação é uma contravenção e que vem da escrita. A primeira é uma forma de arte e se origina do desenho, ele lembra.

Segundo o professor, há três técnicas para fazer um grafite. A primeira é à mão-livre, em que o grafiteiro aplica a tinta spray ao mesmo tempo que produz o desenho desejado. Uma alternativa é o uso de estêncil ou máscara com partes ou toda a figura que se pretende transferir para a parede. A última é o hip-hop, em que o tema do grafite são letras estilizadas.

Por questões de custo, em Meu Brasil brasileiro, ele optou por usar tinta látex junto com a spray. A primeira é empregada para se cobrir grandes áreas, e a segunda para definir os contornos.

Escolas

Morais nota que é possível começar a ensinar essa técnica para crianças que tenham entre oito e dez anos de idade.

Nas escolas do primeiro segmento, ele tem procurado reproduzir trabalhos do artista pernambucano Romero Britto. Ele escolheu o trabalho de Britto por causa da temática e do traço. Segundo Morais, o fato de o desenho ser bem estilizado facilita a tarefa para as crianças. Os elementos nacionais levaram à escolha dos outros três artistas.

De maio até agora, quatro escolas da rede municipal na área urbana de Quatis e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais foram visitadas pelo projeto. Até o fim do ano, o trabalho será realizado em mais duas escolas ainda, sendo uma delas a Escola Estadual Américo Pimenta.

Para o ano, será a vez das escolas municipais na área rural.

Para saber mais:

Publicado em 11 de dezembro de 2007.

Publicado em 11 de dezembro de 2007