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Ela flutua

Hilan Bensusan

Estou sentado em frente à minha janela,
do outro lado da janela, o mundo posto do lado de fora
galhos de árvores misturadas,
folhas por toda parte.
O sol reflete em tudo, a tarde escapa sem ser notada
mas uma estrela prateada flutua entre os galhos cobertos de folhas
cheia de ar, e prateada como os sonhos e as máquinas,
ela flutua, e eu estou sentado em frente à minha janela.
A estrela prateada que flutua entre os galhos pede que eu pare
pare de prender o ímpeto, de hesitar, de contar meus favos
de pensamento e corra brincar.
A estrela prateada é o alçapão para tudo o que não remói,
uma estrela de esquecimento em galhos frondosos de memória,
entre raízes de remorsos, ela flutua.
Quero que esta estrela abra portas para uma galáxia prateada
que seja feita só dos planetas possíveis.

Passaram meses, foi-se o verão, voltou o verão.
Ficou a estrela prateada emaranhada entre os galhos
depois dos vidros da janela
as folhas verdes caíram, as folhas verdes brotaram
e ficou a estrela, apenas mais murcha, apenas sem forma
flutuando presa entre os galhos mais cheios de memórias.
Chove todos os dias. Hesito entre a estrela prateada
e meus favos contados.

Pubicado em 12/2/2007

Publicado em 13 de fevereiro de 2007