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A carga horária dos professores

Prof. Rondon Mamede Fatá

Há muito se fala/escreve sobre Educação, mas os problemas continuam. Entra ano e sai ano e, por mais que se tente, os resultados são precários, com raras exceções.

No Estado do Rio de Janeiro existem inúmeros problemas educacionais, não só pelos baixos salários do magistério como pela falta de capacitações continuadas dos professores e pela infraestrutura escolar, defasada da realidade.

Um ponto de importância para a melhoria da qualidade do ensino é o tempo de permanência dos alunos na escola,  considerado pelos educadores como muito curto em relação a outros países. Isso sem falar nos cursos noturnos, em que o desastre é maior ainda.

Outro ponto que ninguém consegue resolver é a carga horária dos professores, principalmente, do 2º segmento do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, que é de 16 horas semanais: 12 horas em sala de aula e 4 horas para outras atividades de magistério, raramente cumpridas.

Essa carga horária acarreta uma série de problemas, principalmente para a escola. O pessoal da administração escolar passa longo tempo fazendo e refazendo horários. No final, observa-se que os horários prontos não atendem às necessidades do ensino e não impedem que o professor tenha que atuar em diversas escolas para conseguir ter uma renda mensal digna de sua importância.

Seria de grande interesse para a melhoria da educação escolar e, acredito, para os professores também, se eles fossem contratados/efetivados para trabalhar 20 ou 40 horas – com aumento proporcional de salário, nem seria preciso dizer.

Os professores de 20 horas trabalhariam os cinco dias da semana, escolhendo o turno de sua preferência:  manhã, tarde ou noite. Os professores de 40 horas trabalhariam também nos cinco dias da semana escolhendo dois dos três turnos: manhã e tarde, manhã e noite ou tarde e noite.

Dessa maneira, a escola, sabendo com quais professores poderia contar em cada turno, faria o horário de aulas do modo que mais conviesse ao interesse da própria organização escolar, dos alunos e, consequentemente, da Educação.

A escola tem que ter a cara da direção, do seu corpo docente e discente. Para tanto, é necessária a presença do professor, principal impulsionador do processo educacional escolar. Quanto à direção, se sentisse necessidade de consulta aos professores de uma turma, poderia contar com a presença de todos.

Hoje, por incrível que pareça, alguns professores de uma mesma turma não se encontram, pois os dias "não combinam". Outras vezes, encontram-se no dia do conselho de classe, se puderem faltar em outra escola.

Pergunto eu: se os dias "não combinam", como fazer um trabalho integrado? Como tornar o trabalho interdisciplinar ou multidisciplinar, com discussão constante entre os componentes da escola?

E, finalmente: como avaliar com clareza, o processo de ensinar e aprender?

P.S.: Sugiro um processo gradativo de implantação da nova carga horária. Inicialmente, seria obrigatória para os novos professores concursados/contratados. Os que já estão trabalhando, dependendo das necessidades do governo, fariam a opção entre continuar com a mesma carga horária, sem recompensa salarial, ou aumentá-la, com o consequente aumento de seu salário. Assim, em alguns anos, esse problema educacional poderia estar sanado.

Publicado em 16 de setembro de 2008

Publicado em 16 de setembro de 2008