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Diretor da UNED fala no Cecierj sobre sistemas de avaliação em EAD

Alexandre Rodrigues Alves

Em setembro, Santiago Castillo Arredondo, diretor da UNED – Universidad Nacional de Educación a Distancia, da Espanha, onde é professor titular de disciplinas ligadas a avaliação pedagógica –, esteve no auditório da Fundação Cecierj discutindo esse tema, sobre o qual já publicou vários livros.

No começo, fez questão de lembrar o lema que envolve o emblema da universidade: “Omnibus movilibus mobilior sapientia”, ou seja, “A sabedoria é o que mais se move entre tudo que se move”. Ou seja, a UNED não é uma instituição estática, vem se modificando desde sua fundação, em 1972, como uma instituição universitária voltada exclusivamente para a educação a distância, que tem hoje, nos diversos níveis de educação, da graduação ao doutorado, mais de 170 mil alunos matriculados, atendidos por cerca de 1.300 professores titulares (autores) e 6.500 professores tutores.

Desde o começo, a credibilidade da UNED está firmada sobre três elementos: material didático, tutoria e avaliação. Para ele, não há qualquer razão para que a avaliação de um aluno da modalidade a distância seja diferente daquele inscrito num curso presencial. “O que se espera dele é que seja competente – médico, engenheiro, psicólogo –, independente de como ele estudou”. Mas a avaliação não é algo estanque; é dinâmica, envolve (e é envolvida) pela relação entre professores e alunos.

Arredondo provocou os presentes ao lançar a questão: o que é mais importante, obter informação, formular juízos ou tomar decisões? Depois de várias respostas e argumentações, ele defendeu sua opinião de que é impossível tomar decisões ou formar juízos se não obtiver informações – e daí que uma avaliação deve contemplar todos esses elementos.

Mais uma vez lembrando que não há que diferenciar a avaliação nos cursos presenciais daquela utilizada nos cursos a distância, Arredondo listou os três momentos de avaliação: inicial (antes do início do curso), durante o curso – que deve ser formativa, interativa, orientadora e motivadora – e ao final do curso, quando deve ter características integrativas, acreditativa e promocional (de promoção como aprovação). E ressaltou que a avaliação final deve levar em consideração as outras duas.

Arredondo identifica quatro sentidos para a avaliação:

  • o sentido didático consiste na valorização do processo de ensino-aprendizagem;
  • o sentido psicopedagógico se refere à promoção ou aprovação do aluno, em que ele tem acesso, direito a galgar uma nova etapa;
  • o sentido social, em que é reconhecida a competência daquele que foi aprovado ao ser avaliado;
  • o sentido político, que se vincula à rentabilidade dos investimentos feitos – do país em educação e do aluno em relação a seu curso (no caso da UNED, que é gratuito, esse investimento se dá principalmente em termos de dedicação, horas de estudo e pesquisa).

Nas palavras dele, “o aluno da EaD é senhor de seu tempo, mas tem que saber utilizá-lo”.

A partir daí, Castillo Arredondo deu detalhes do modelo desenvolvido pela UNED, que mescla avaliações a distância com presenciais. As primeiras são formadas por atividades e exercícios propostos em cada módulo, num caderno de exercícios que é encaminhado semanal ou quinzenalmente aos alunos, por atividades práticas (especialmente de laboratório) realizadas com os tutores, que também fazem avaliações individuais pela continuidade dos estudos do aluno. Um dos principais objetivos das avaliações a distância é ajudar o aluno a manter seu ritmo de estudo, levando-o a não deixar acumular aulas até a época das provas presenciais.

As avaliações presenciais, realizadas ao final do semestre, devem conter aspectos abordados nos materiais didáticos e nos trabalhos realizados a distância; esses aspectos devem estar distribuídos em questões de três tipos:

  • objetivas;
  • abertas com respostas breves; e
  • abertas com respostas mais desenvolvidas, com argumentação fundamentada.

O resultado da prova final semestral (presencial) é que determina a qualificação definitiva de cada módulo de estudo ou disciplina.

Depois de responder aos questionamentos dos ouvintes, que consideram que as avaliações a distância deveriam ser contabilizadas na nota final, mesmo que com peso menor que as presenciais, Santiago Arredondo relatou rapidamente o processo de produção e distribuição das provas presenciais, sempre pautado em questões de segurança, contando com malotes de metal que são abertos por um dos professores titulares no pólo em que serão realizadas. Para ele, o controle sobre a produção e realização das provas é um dos pontos primordiais para a obtenção da credibilidade de que desfruta a instituição na Espanha – a ponto de ser relatada hoje certa preferência do mercado de trabalho pelos egressos da UNED.

Ao falar dos processos de tutoria, Arredondo relacionou dois de seus importantes papéis: a humanização da relação da instituição com o aluno, pois lhe dá um acompanhamento individualizado, o que o ajuda a superar suas dificuldades – que, de outra forma, poderiam ficar escamoteadas. Além disso, o tutor colabora com o professor titular ao relatar as dificuldades encontradas pelo estudante na disciplina – especialmente se for de âmbito mais geral – e ao mantê-lo informado das condições e características individuais.

– Por isso a tutoria é um dos pilares do sucesso e da credibilidade da UNED, junto com o material didático e os sistemas de avaliação, concluiu ele.

Publicado em 04 de novembro de 2008

Publicado em 04 de novembro de 2008