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O cuidado com o professor

Mariana Cruz

Beber não sei quanto litros de água por dia, não abusar do café preto, comer frutas no café da manhã, não espremer os cravinhos inoportunos que aparecem no rosto, tomar banho frio, não comer até ficar saciado, evitar ingerir líquidos durante as refeições, usar filtro solar chova ou faça sol, mastigar bastante os alimentos e praticar exercícios físicos com regularidade são uma ínfima amostra de coisas que deveríamos pôr em prática, mas nem sempre (ou quase nunca) colocamos. Há pessoas que não cumprem nenhuma dessas coisas e estão muito bem assim. Mas para quem é professor algumas dessas dicas não podem não ser levadas a sério, pois a própria vida profissional corre o risco de ser encurtada drasticamente devido a algum descuido com a voz, com o corpo ou com a cabeça.

Foi pensando nesses heróis da resistência que têm tão pouco tempo para cuidar de si que decidi enumerar uma série de dicas para que eles resistam longos anos nesta tão nobre profissão com o máximo de qualidade. A melhor medida é a preventiva. Assim, antes que tenha que ir atrás de um otorrinolaringologista às pressas para dar um jeito em suas desgastadas cordas vocais e ainda gastar seu parco dinheirinho com sessões de fonoaudiologia, o professor deve cuidar muito bem de seu principal instrumento de trabalho: a voz. Mas de que adianta ter uma potente voz se o estado psicológico está em frangalhos? Surge assim a necessidade de preparar-se psicologicamente a fim de saber lidar com turmas de 30, 40 adolescentes sem se estressar, e, quem sabe, até ter prazer nisso? Outro ponto é o condicionamento físico. É importante que o professor esteja bem disposto fisicamente para dar aulas durante dois turnos seguidos (quiçá três), com pequenos intervalos, e não terminar suas atividades como se tivesse corrido uma maratona.

Assim, coloco aqui algumas dicas ensinadas por colegas ou aprendidas na marra por experiência própria, outras retiradas de sites especializados e das minhas aulas de didática especial com a ótima professora Íris Rodrigues de Oliveira.

Quanto ao uso da voz e a correção postural:

  • Saber usar a voz de modo que todos o escutem, sem que para isso force seu tom. Para isso, deve aprender a respirar inflando o diafragma;
  • Tomar água em intervalos regulares (o indicado é de 2,5 a 3,5 litros ao dia) para lubrificar a laríngea;
  • Evitar o consumo de pastilhas e balas, principalmente as mentoladas, pois dão uma falsa sensação de alívio, devido ao seu efeito anestésico. A pessoa tem a impressão de estar com a potência vocal melhorada e acaba forçando a voz sem sentir;
  • Não fumar e abolir da dieta bebidas alcoólicas, leite e chocolate. Tais alimentos aumentam a secreção de muco;
  • Evitar usar roupas apertadas na cintura, que dificultam a respiração, pois podem contrair o diafragma;
  • aquela maçã que os alunos dão para os professores no dia do mestre, para quem não sabe, tem grande importância: essa fruta, assim como o salsão, tem função adstringente, limpa a boca e a laringe. Além disso, faz bem à saúde;
  • O professor não precisa falar o tempo todo: fazer o aluno interagir é bom tanto para a dinâmica da aula quanto para as cordas vocais do professor;
  • A chamada não precisa ser feita em voz alta, pode se pedir para os próprios alunos informarem seus nomes e números;
  • Após terminar as aulas do dia, ficar um período de silêncio é recomendável para repousar as cordas vocais;
  • Não se deve falar alto logo que acordar. O ideal é “acordar” a voz com calma, massagear o pescoço, o rosto, fazer movimentos com a boca e a língua. Dentre os exercícios de relaxamento está a rotação da língua contornando os lábios, bocejar, rodar o pescoço em todas as direções e empurrar a língua contra a bochecha;
  • A fim de evitar tensões na região do pescoço, deve-se evitar dormir com travesseiros muito altos; além disso, o corpo deve ser mantido ereto, isso é, deve haver alinhamento entre o pescoço e a coluna cervical.

Quanto à relação com os alunos:

  • Elogiar um trabalho bem-feito, uma pergunta bem colocada, uma melhora de comportamento nunca é demais. Dependendo, tais atitudes podem até ser gratificadas;
  • Tentar ser bem-humorado sem perder a seriedade;
  • Ouvir todos os lados e conseguir ser justo;
  • Incentivar os alunos a participar da aula e a não ter vergonha de se expor;
  • Tentar manter a calma sempre, evitando medir forças;
  • Relacionar a matéria dada com fatos cotidianos;
  • Contar uma história, ler um poema ou uma letra de música que tenha relação com o que está sendo dado; 
  • Mostrar que se preocupa com seus alunos e que torce para o desenvolvimento deles;
  • Dar tarefas de responsabilidade aos alunos mais indisciplinados, como recolher trabalhos, tirar cópias, distribuir textos, pois tais pessoas muitas vezes têm excesso de energia que, se bem canalizado, pode surpreender;
  • discutir ou negociar com a turma as regras para o desenvolvimento de um trabalho;
  • mostrar como o conteúdo pode ser aplicado na vida real;
  • Explicar sempre os objetivos da atividade;
  • Em vez de recriminar respostas ou atitudes erradas, reconheça o trabalho bem-feito.

Levar tais dicas a sério pode transformar a sala de aula num agradável centro de vivências, interatividade e aprendizagem. Quem tiver mais dicas é só escrever para a revista.

Aos mestres, com carinho.

Sites pesquisados:

http://www.bernerartes.com.br/ideiasedicas/dicas/motivacao.htm
http://www.tdah.com.br/paginas/gaetah/Boletim8.htm

Publicado em 30 de junho de 2009

Publicado em 30 de junho de 2009