Este trabalho foi recuperado de uma versão anterior da revista Educação Pública. Por isso, talvez você encontre nele algum problema de formatação ou links defeituosos. Se for o caso, por favor, escreva para nosso email (educacaopublica@cecierj.edu.br) para providenciarmos o reparo.

Virada russa: a resposta da arte em momentos difíceis

Cláudia Sampaio

Em tempos de guerra, a expressão do vago sentimento diante do horror e do despropósito da violência pode surgir de diversas maneiras. Os artistas russos que viveram os conturbados anos do início do século XX, sob o efeito das destruições causadas pela Primeira Guerra e pela Revolução Russa, apresentam visões díspares daquele período.

Um romântico passeio e a defesa do amor como saída (Promenade, Marc Chagall), uma locomotiva que parte em meio ao abismo (O trem vai, Aleksandr Labas), estilhaços de corpos cujos fragmentos se acumulam ao infinito (Germany war, Pavel Filonov), ou o olhar arrebatador de uma jovem camponesa (Verka, Filip Maliávin) são algumas dessas visões que o público carioca pode conhecer ao visitar a exposição Virada Russa, em cartaz no Centro Cultural do Banco do Brasil.

Nesta que é considerada uma das maiores e mais significativas exposições já realizadas no Brasil sobre as Vanguardas Russas, estão expostas obras que abrangem a produção russa desde o início do século XX até a década de 1930. É a oportunidade de ver reunidos trabalhos de artistas consagrados como Kandinsky, Malevich, Chagall, Rodchenko e Tatlin.

São 123 obras vindas do Museu Estatal de São Petersburgo: telas, esculturas, cartazes, porcelanas, figurinos e instalações que mostram a efervescência artística e cultural de onde surgiram movimentos como o Suprematismo e o Construtivismo, determinantes no panorama das artes mundiais.

Há trabalhos inaugurais da arte abstrata, como o trio geométrico de Malevich: Cruz Negra, Quadrado preto sobre fundo branco e Circulo negro sobre fundo branco além de Igreja Vermelha, Cruz azul e São Jorge II, de Kandisky. Outro destaque é o Contra-relevo de Esquina, de Tatlin, uma montagem em alumínio, zinco e madeira em alusão ao novo mundo industrial que começava a despontar.

Entre obras célebres – raridades como Promenade, de Chagall – vale um olhar atento ao trabalho de Pavel Filonov, autor de uma das telas mais impressionantes da exposição: Germany war (Guerra alemã). Apesar de não estar no rol dos mais famosos entre os vanguardistas russos, uma pesquisa no site Russian Avantgard revela Pavel como “um dos poucos artistas que definiram o trabalho criativo na arte do século XX”. Seu sistema peculiar, a que chamou “arte analítica”, dota suas obras de uma técnica impecável conjugada à sensibilidade extrema dos que percebem, e aceitam, o mistério do mundo.

Eis aí o engajamento dos artistas capazes de fazer com que suas obras atravessem um século e mantenham a potência de comover.

Ficha técnica da exposição:

  • Título: Virada Russa
  • Produção: CCBB
  • Local: Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB). Rua Primeiro de Março, 66 – Centro, Rio de Janeiro-RJ
  • Data: até 23 de agosto de 2009, de terça a domingo, das 10h às 21h. Entrada franca.

Publicado em 21/07/2009

Publicado em 21 de julho de 2009

Este artigo ainda não recebeu nenhum comentário

Deixe seu comentário

Este artigo e os seus comentários não refletem necessariamente a opinião da revista Educação Pública ou da Fundação Cecierj.