Este trabalho foi recuperado de uma versão anterior da revista Educação Pública. Por isso, talvez você encontre nele algum problema de formatação ou links defeituosos. Se for o caso, por favor, escreva para nosso email (educacaopublica@cecierj.edu.br) para providenciarmos o reparo.

Você conhece a sua capacidade?

Armando Correa de Siqueira Neto

Psicólogo e professor

Embora algumas pessoas consigam ultrapassar os próprios limites e, assim, alcancem lugares privilegiados na vida, não significa que elas compreendessem tal possibilidade anteriormente. Isto é, ainda que houvesse vontade disponível para o crescimento, talvez lhes faltasse saber que era possível chegar lá, antes mesmo de obter bons resultados. Ao ser indagada sobre o seu sucesso, a maioria delas revela que não tinha ideia de que chegaria a tanto. (Em certas ocasiões, várias até descriam!)

Todavia, cumpre esclarecer um ponto relevante: É possível ignorar o potencial existente dentro de si e ainda assim lutar com fervor obstinado, mas esse tipo de empreendimento, a princípio, não é motivador para muitos, haja vista ele significar uma vaga promessa que demanda enorme esforço e persistência. Por não identificar em si mesmo o terreno fértil e a semente disponíveis, o homem não trabalha adequadamente a seu favor, autoimputando-se colheitas limitadas que ora lhe servem para a sobrevivência, ora sequer dão para o gasto.

Por outro lado, se lhe fosse possível enxergar quão grandiosa é a sua possibilidade de desenvolvimento, talvez ele então se apoderasse da vontade e dela não largasse mais, utilizando-a em permanentes desafios, cujos resultados o colocassem na rota da evolução e do estímulo crescente, tendo em vista que quanto mais se percebe o horizonte que se tem à frente tanto maior é a chance de se dirigir a ele.

O filósofo inglês John Locke (1632-1704) escreveu: “Quando conhecermos nossa própria força, saberemos melhor o que intentar com esperanças de êxito; quando tivermos examinado com cuidado os poderes de nossas mentes e feito alguma avaliação acerca do que podemos esperar deles, não tenderemos a ficar inativos, deixando de pôr nossos pensamentos em atividade pelo desespero de nada conhecermos; nem, por outro lado, poremos tudo em dúvida e renunciaremos a todo conhecimento porque algumas coisas não são compreendidas”.

Desenvolver a vontade é essencial para progredir. Porém, é reduzido o número de pessoas que agem assim em relação ao seu autodesenvolvimento. A falta de perspectiva de crescimento em si próprio pode dificultar tanto o início da jornada quanto a sua manutenção. Pode ainda levar a pessoa a manter-se acomodada na situação em que se encontra. Mas se existir a percepção de que há uma considerável capacidade interna, amplia-se a chance de gerar motivação e avançar. Muitas poderão ser as pessoas que se estimulem a tomar a vontade em suas mãos, antevendo, em parte que seja, a revolução transformadora de suas vidas.

Você conhece a sua capacidade? Já pensou a respeito, pelo menos?

Publicado em 18 de agosto de 2009

Publicado em 18 de agosto de 2009