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A superioridade do belo artístico sobre o belo natural em Hegel

Mariana Cruz

A filosofia da arte de Hegel tem como um dos pressupostos a relação do homem com a natureza. Apesar de, inicialmente, tal relação ser algo externo, é através da modificação da natureza pelo homem que ele toma consciência de si. É nesse ato que fica impressa sua subjetividade. Ao modificar a natureza com fins artísticos, ela, que antes era algo estranho, exterior a ele, passa e lhe pertencer. Tais alterações são criações do sujeito, são tiradas de seu interior e colocadas no objeto; sendo assim, fazem parte dele. Ao ver essas modificações materializadas no objeto, é como se visse a si próprio refletido.

Quanto maior for a espiritualidade contida na obra, isto é, na natureza modificada pelo sujeito, maior será o reconhecimento e o seu grau de universalidade.

Hegel considera a obra de arte como a forma mais elevada de produção de si mesmo nas coisas exteriores. O artesão não é considerado um artista, ele está em um estágio inferior porque seu trabalho, apesar de ser também produção, uma transformação da natureza (e, devido a isso, também uma produção de si mesmo), é um trabalho instintivo, como o das abelhas ao construírem sua colmeia ou o da aranha ao fiar sua teia. Hegel considera a obra do artesão um objeto ainda vazio de espírito. Mas, na medida em que tal obra vai se tornando mais orgânica, ele vai tendo um conhecimento de si cada vez maior.

A arte se insere entre os produtos mais elevados do espírito porque é através dela que o homem ganha a percepção de si mesmo, é quando o homem transforma algo alheio ao espírito em algo próprio. É o processo de idealização sensível. Cada ser vivo já está expressando a ideia para que ela se revele. Como se isso não bastasse, o homem duplica esse processo de idealização da vida, ele se apropria da natureza (que já é por si mesma manifestação da vida) e dá uma nova organização a ela, transformando-a em manifestação do espírito (aí não é mais o belo natural e sim o belo artístico, espiritual). Vemos assim que a obra de arte não é um fato e sim um processo, um produto do trabalho humano. A arte é a manifestação sensível da ideia. É o lugar onde a ideia pode ser contemplada.

Para Hegel o belo artístico é superior ao belo natural, pois a criatividade reside no primeiro. A transformação de algo natural em algo espiritual é que faz com que o homem se reconheça enquanto espírito.

Referências bibliográficas

GONÇALVES, M. C. F. O belo e o destino: uma introdução à Filosofia de Hegel. São Paulo: Loyola, 2001. 376 p.

HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do espírito. Parte 1. Petrópolis: Vozes, 1992.

Publicado em 25 de agosto de 2009

Publicado em 25 de agosto de 2009