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Qualidade de vida: um paradigma em questão

Edilson Pereira de Carvalho

Aluno do Colégio Estadual Professor Gonçalves (RJ), na modalidade EJA

O tema economia é vasto e complexo. Seu impacto na qualidade de vida dos indivíduos e sociedades é inquestionável. O que podemos e devemos questionar é de que maneira esse impacto se dá nos diferentes grupos e classes sociais. Mesmo não sendo economista, somente um observador atento e inconformado da trajetória da aplicação das teorias econômicas adotadas pela elite política, atrevo-me a afirmar que é diametralmente oposto o resultado para o andar de baixo e o de cima do edifício social.

A Economia é uma ciência que trata da produção, distribuição e consumo de bens. Após a Revolução Industrial, a produção intensificou-se em escala vertiginosa, descarregando no mercado uma diversidade cada vez maior de bens de consumo, aumentando assim a demanda por esses produtos. O século XX caracterizou-se pela dinamização do capitalismo, alcançando, com investimentos em pesquisas, avanços técnico-científicos sucessivos e ininterruptos. São inúmeras as conquistas que os vários ramos da ciência conseguiram nesse período.

Entretanto, o capitalismo gerou em seu ventre um monstro de duas cabeças. Essa anomalia metafórica possui uma cabeça altiva e risonha, com a aparência dos bem nutridos, e outra, sombria, triste e famélica. Existe uma explicação para esse fenômeno: o sistema capitalista, hegemônico no mundo, foi muito competente ao promover desenvolvimento e riqueza para uma das cabeças do monstro (a menor delas); a outra, porém, ficou excluída dessa farra, embora, por ser maior, seja (ou seria) responsável pelo equilíbrio que sustenta a coluna vertebral econômica do sistema.

O modelo econômico concentra poder nos países centrais do capitalismo, em detrimento dos países periféricos, que se resumem a coadjuvantes no processo, obedecendo a ordens que vêm de cima. Por outro lado, esses países periféricos reproduzem o modelo, concentrando poder e riqueza, enquanto a maior parte da população fica à margem, como participante de um espetáculo no qual só pode aplaudir.

A meu ver, em sociedade, o nível da qualidade de vida é medido de acordo com o equilíbrio de distribuição dos benefícios que o desenvolvimento socioeconômico tem a oferecer. Portanto, se queremos promover avanço econômico aliado à justiça social, ainda estamos engatinhando. Infelizmente, ainda não podemos vislumbrar em um futuro próximo o sonho da igualdade em termos de qualidade de vida, porque a classe dominante também foi competente em inventar mecanismos paralisantes, visando manter a população conformada em sua condição subalterna.

Através de uma superestrutura eficiente – na qual podemos incluir os meios de comunicação alienantes, o sistema de educação pública abandonado e instituições religiosas anestesiantes, protegidos por um sistema jurídico parcial e omisso –, a elite dominante consciente e unida em sua condição de classe consegue manter seus privilégios inatingíveis, usando a força quando necessário, pois também é prerrogativa sua.

Se o homem usasse toda a capacidade criativa que possui para construir um mundo onde todos pudessem usufruir o resultado desse processo, sem paternalismo, mas com igualdade de direitos e oportunidades, não precisaria empenhar tanto dinheiro e esforço intelectual para aperfeiçoar armas de destruição em massa. Uma sociedade onde alguns têm mais do que precisam e muitos nada têm precisa reavaliar o seu conceito sobre qualidade de vida.

Publicado em 25 de agosto de 2009

Publicado em 25 de agosto de 2009