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educare.pt

Mariana Cruz

O espírito universal da educação

Imagem da página inicial do site
http://www.educare.pt

O site educare.pt é, como a própria extensão indica, um site português que trata de educação. Por isso, algumas de suas seções tratam de assuntos específicos de lá, como a parte de eventos, legislação e concursos. Assim mesmo, é interessante dar uma olhada em tais partes e notar as diferenças e semelhanças entre o sistema educacional do Brasil e de Portugal e tirar, quem sabe, algumas ideias.

Já as outras seções ultrapassam qualquer barreira de especificidade, por tratarem de temas gerais direta ou indiretamente ligados à educação – um tema universal por natureza. Até mesmo seções como Pediatria, Psicologia, Nutrição têm suas matérias focadas na relação com a educação ou com o universo dos jovens e crianças. Cada uma das seções é escrita por um especialista no tema que, na maioria dos casos, tem experiência em sala de aula. Os artigos ultrapassam as diferenças culturais e políticas e resultam em ótimas reflexões acerca da educação. Num rápido passar de olhos pelos temas abordados vemos que são bem próximos dos nossos, como a questão do bullying, do bullying virtual, da indisciplina, de como tornar as aulas mais prazerosas, entre outros.

A seção sobre Pediatria traz uma matéria sobre como reagir às birras das crianças; ali a autora aconselha: “não se oponha se não tiver a certeza de que será capaz de ir até ao fim. Se decidir enfrentar a birra, terá que agir com calma e firmeza. Firmeza não implica ser agressivo, muito pelo contrário”. Na seção sobre Psicologia, há matérias sobre o regresso às aulas e o nervosismo que tal evento pode acometer em algumas crianças. O artigo que leva o curioso título de “Adolescente tire-me desse filme” trata transformações que tal fase da vida acarreta no indivíduo e ensina que: “Em primeiro lugar, é fundamental admitir que não é possível viver sem um certo sentimento de perda a mudança de comportamento de um filho que, anteriormente, pedia licença para tudo, era obediente e bem-comportado e, de repente, se torna respondão, exige sair à noite até tarde, desobedece sistematicamente ou acata as ordens com má cara” ; para alívio dos pais, a autora explica que: “Um adolescente que estrebucha, que põe em causa a autoridade parental, que passa horas a olhar para o espelho, que se fecha no quarto e que resiste a dar informações sobre a sua vida ‘íntima’ é um adolescente saudável!”. A seção de Nutrição também relaciona muitos de seus textos ao ambiente educacional, como nas matérias “Frutas e legumes na escola”, “Como proporcionar uma alimentação equilibrada a crianças e adolescentes” e “O regresso à alimentação em tempo de aulas”, entre outras. A seção Aprendiz de utopias é escrita pelo ex-professor da Escola da Ponte e mestre em educação José Pacheco, que escreve ótimos artigos sobre sua experiência como educador e sua crença em uma educação mais prazerosa, como pode ser lido no texto “Na bromélia”. Ali ele escreve que “Aquilo que mantém viva a minha esperança é o trabalho de muitos professores que, anonimamente, vão construindo novas práticas e suportando o desdém de múmias pedagógicas. Até nas melhores revistas da área da educação há quem desdenhe da prática de assembleias de escola ou imputem o insucesso dos alunos à influência de novas pedagogias”. Pacheco fala também sobre os diferentes tipos de tratamento recebidos pelos professores de acordo com a situação que ocupam, como no artigo: “Você é colega ou contratado?”.

E, como não podia faltar, existe, é claro, a seção Educação, cuja autora, a mestre em educação Armanda Zenhas, faz interessantes reflexões acerca da teoria e da prática pedagógica em Portugal, como no artigo “As escolas boas e as escolas más” em que fica clara a proximidade com questões brasileiras. Nesse texto, Armanda fala sobre a publicação de um suposto ranking das escolas portuguesas que compõem a "lista das melhores e das piores escolas". E mostra que tal avaliação é tendenciosa, na medida em que as escolas consideradas boas são as que têm alunos de classe média alta, com todas as condições de estudo e excelente apoio e ambiente familiar. “Os professores sentem que esses alunos aprendem a bom ritmo e que com muita facilidade correspondem aos objectivos que lhes são solicitados”, enquanto numa outra escola situada num bairro muito problemático e cujos “alunos não têm qualquer acompanhamento familiar são nulas as condições de trabalho em casa, alguns têm mesmo carência de alimentos e de vestuário. Mesmo assim, os professores empenharam-se na motivação desses alunos para a frequência da escola, através de múltiplas actividades educativas de carácter interdisciplinar e, muitas delas, desenvolvidas extracurricularmente. Essa escola obteve um resultado educativo notável. Reduziu significativamente o abandono escolar, o absentismo às aulas, o insucesso académico e realizaram-se mesmo programas de apoio comunitário. Quanto aos resultados escolares nos exames nacionais...”, tais grandes progressos, porém, não foram suficientes para impedir que a referida escola ficasse no fim da lista do ranking nacional. Outros interessantes artigos apontam algumas das possíveis causas da indisciplina, como falta de interesse pelas matérias ensinadas; dificuldade em acompanhar as matérias dadas na aula devido à falta de bases ou por dificuldades de aprendizagem; excessiva permissividade ou demasiado autoritarismo por parte do professor; aulas pouco motivadoras; dificuldades de relacionamento entre docentes e discentes. É interessante ler e ver que muitas vezes a culpa não é só do aluno ou da escola, o professor também deve tentar dar aulas estimulantes.

Após essa pequena amostra acerca do conteúdo do site, dá para perceber que, apesar de se tratar de um site de outro país, as questões tratadas são universais e podem ser de grande auxílio para os educadores do Brasil ou de qualquer outro lugar do mundo.

Publicado em 17 de novembro de 2009

Publicado em 17 de novembro de 2009

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