Educação Física: planejamento e propostas de aulas para o Ensino Fundamental baseadas nos temas transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais

Erick Dias Teixeira

Licenciando em Educação Física (UNIP, Campus Marquês)

Os documentos norteadores da Educação Básica

A Educação Básica no Brasil vem se transformando e se desenvolvendo desde os primeiros estudos e práticas de ensino e aprendizagem na Ciência. Com sua sistematização e seu desenvolvimento ao longo dos anos, vêm surgindo estudos sobre o que abordar nas salas de aula em cada disciplina que se faça obrigatória pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), os conteúdos tidos como fundamentais para o estudante brasileiro estudar e conhecer durante sua trajetória acadêmica.

Com o desenvolvimento da educação, surgem documentos e currículos que norteiam e amparam os professores, para que desenvolvam os conteúdos necessários dentro da sua ciência de estudo, ou seja, sua disciplina, além de os documentos sugerirem o momento mais adequado para o aluno adquirir certo conhecimento.

Nesse contexto, surgem os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), elaborados pelo Governo Federal. É um documento entre outros e tem por base nortear, conceituar e sugerir tópico/conteúdo a ser atingido na educação em todo o território nacional, seja estudante da zona central da cidade do Rio de Janeiro ou do agreste baiano. O documento foi elaborado depois de anos de estudos, com contribuição de diversos educadores para cada ciclo da Educação Básica e para cada disciplina.
Com a Educação Física não é diferente, sendo obrigatória no ensino básico e facultativa em casos excepcionais, dispostos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) no Art. 26, inciso 3°:

A Educação Física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, sendo sua prática facultativa ao aluno:
I – Que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas;
II – Maior de trinta anos de idade;
III – Que estiver prestando serviço militar inicial ou que, em situação similar, estiver obrigado à prática da educação física;
IV – Amparado pelo Decreto-Lei nº 1.044, de 21 de outubro de 1969;
V – (vetado);
VI – Que tenha prole.

Sendo assim, as aulas de Educação Física devem ser pensadas e planejadas para atingir a aprendizagem dos alunos nesse campo, como disciplina de suma importância, assim como as demais. Deve estar aliada paralelamente ao projeto político-pedagógico da escola.

O planejamento de aula

O professor, ao entrar em classe, deve trazer consigo todo um planejamento e preparo para aquela aula, que é o momento de entrar em cena e colocar em prática todo o seu pensamento acerca do conteúdo a ser desenvolvido nesse dia. A aula é o momento de protagonismo, assim como um ator ao subir no palco do teatro depois de ter ensaiado e se preparado durante os ensaios. O ensaio, para o professor, é pesquisar, refletir e planejar sua aula, ou seja, os momentos que antecedem a aula que está por vir.

Segundo Scarpato (2017, p. 37), “planejar significa pensar nas possíveis ações que pretendemos realizar. Ao pensarmos, planejamos nossas ações; quando estamos agindo, continuamos a pensar a planejar e a replanejar”.

Assim, do professor deve vir um planejamento, sendo adequado entrar em sala de aula sabendo o que irá trabalhar, como será feito e com qual finalidade, para uma boa qualidade dessa aula. O professor de Educação Física bem preparado estará salientando tais procedimentos de ensino; esse planejamento tem por base diferentes campos de que devemos ter conhecimento ao planejar a aula: o que deve ser ensinado e estar amparado nos documentos norteadores da educação (Parâmetros Curriculares Nacionais, Base Nacional Comum Curricular...); conhecer o desenvolvimento motor e cognitivo daquela série do Ensino Básico; estar refletido no projeto político-pedagógico da escola; por fim, deve conhecer a esquematização de um plano de aula.

Levando esses assuntos em consideração, as aulas atingiriam de maneira benéfica os alunos, adequando-se ao que o currículo solicita, de acordo com a faixa etária e aliada ao projeto político da escola (que é elaborado de acordo com o contexto da região na qual está inserida a unidade de ensino).

Os Parâmetros Curriculares Nacionais

É muito importante se basear nos documentos da Educação para a elaboração de um plano de aula condizente com o que é objetivado em nível nacional pelo Ministério da Educação (MEC), que é responsável pela elaboração dos currículos e das metas a serem alcançadas a curto, médio e longo prazo na Educação brasileira.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) indicam o ponto de partida do ensino para os professores de cada disciplina obrigatória na Educação Básica. Na Educação Física, os PCN direcionam os objetivos gerais no Ensino Fundamental a serem alcançados nas práticas e reflexões dessa ciência do movimento humano.

Participar de atividades corporais, estabelecendo relações equilibradas e construtivas com os outros, reconhecendo e respeitando características físicas e de desempenho de si próprio e dos outros, sem discriminar por características pessoais, físicas, sexuais ou sociais (Brasil, 1997).

Além disso, há diversos outros objetivos gerais, como atitudes de respeito, dignidade e solidariedade. Desfrutar das manifestações da cultura corporal no Brasil, adquirir hábitos saudáveis, conhecer a diversidade da beleza, saúde e estética e muitos outros objetivos estão descritos nesse documento. Um professor deve ter conhecimento dele ao planejar sua aula, sabendo se estará atingindo os objetivos propostos.

Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) existem seis temas transversais: Ética; Saúde; Pluralidade Cultural; Meio Ambiente; Orientação Sexual/Sexualidade; e Trabalho e Consumo.

Os temas transversais são assuntos que podem ser abordados em sala de aula e que têm objetivo de formar um cidadão crítico e que reflita positivamente em um convívio social, valores que podemos estimular nos alunos durante as aulas, não sendo regulada como disciplina específica, mas podendo ser abordada por qualquer disciplina escolar. Todas as matérias da grade curricular do Ensino Básico podem abordar esses temas, como ponto de partida da sua ciência de estudo. Por exemplo: o professor de Matemática abordará por meio do estudo dos números ou o professor de História pelo estudo cronológico de comportamento de uma determinada época naquela sociedade. E, claro, o professor de Educação Física, com suas ferramentas, como o esporte e a psicomotricidade, atingindo e refletindo sobre esses temas de grande importância para a cidadania.

Será proposto neste artigo um plano de aula para cada tema transversal na disciplina Educação Física, a fim de estimular outros professores e licenciandos, trazendo uma ideia de como a Educação Física tem muito a contribuir com esses aspectos.

O plano de aula

O modelo de plano de aula baseado nos temas transversais neste artigo é orientado por Scarpato (2017, p. 42), relatando que devemos ter os seguintes tópicos ao planejar: objetivo de ensino (geral e específico), conteúdo a ser abordado, procedimento de ensino, recurso didático utilizado e avaliação de aprendizagem.
Os objetivos são as competências que os alunos devem desenvolver, sendo geral e específico, respondendo a uma pergunta inicial (Scarpato, 2017, p. 43): para que vou ensinar? Ao responder a essa pergunta, temos dois objetivos alcançáveis. Pode ser a longo prazo, um objetivo geral, uma meta, que se busque alcançar ao final de um planejamento de ensino – um planejamento anual, semestral ou bimestral; pode ser um objetivo específico, a curto ou médio prazo, que visa desenvolver no aluno alguma habilidade, competência ou atitude ao final de uma aula ou mais trabalhando aquele conteúdo.

Ao planejar os objetivos a serem alcançados, deve se levar a ideia apresentada por Coll (apud Zabala, 1998), que diz que devemos atingir o aluno por meio de três tipologias:

  • a tipologia conceitual atinge o aluno de forma cognitiva, é a parte na qual o aluno compreende teoricamente o conteúdo;
  • a procedimental, na qual o aluno pratica no âmbito motor, aprendendo pela ação do movimento; e
  • por fim, a atitudinal, em que se esperam respostas de atitudes benéficas e construção de valores de grande importância social (relacionamento com as pessoas), aprendido paralelamente a partir daquele conteúdo vivenciado.

Os conteúdos são os assuntos, as ferramentas de estudo que aquela ciência possui para os alunos aprenderem. Jogos e brincadeiras na Educação Física Escolar são exemplos dessas ferramentas, que fazem os alunos aprenderem sobre esse conteúdo, podendo haver ainda outros ensinamentos paralelamente, como Matemática ou até mesmo Geografia, dependendo de como se aborda esse conteúdo. Deve ser respondida uma pergunta básica para selecionar o conteúdo a ser ensinado: o que vou ensinar? (Scarpato, 2016, p. 44). Deve-se levar em conta o contexto escolar daquela unidade de ensino e o interesse dos alunos para que seja um processo de ensino-aprendizagem benéfico e prazeroso. Esses conteúdos são sugeridos e descritos em documentos de ensino, como os próprios Parâmetros Curriculares Nacionais e a Base Nacional Comum Curricular (2017).

Os tópicos procedimento de ensino e recursos didáticos são as maneiras que temos para ensinar esse conteúdo proposto, como será ensinado e as ferramentas que serão utilizadas nesse procedimento de ensino, sejam recursos de multimídia, sejam materiais esportivos ou quaisquer outros.

Ao fim está a avaliação de aprendizagem, que visa diagnosticar se aquele conteúdo e os objetivos específicos a serem alcançados naquela aula foram atingidos. É importante lembrar que a avaliação não é sinônimo de prova escrita. Existem diferentes maneiras de avaliar, assim como existem diferentes maneiras de aprender. A avaliação deve ser feita de forma contínua, aula a aula.

Ao avaliar os alunos na parte prática de uma atividade, deve-se ter o entendimento de que não estamos formando atletas de alta performance. As aulas de Educação Física Escolar têm por objetivo formar cidadãos. Deve ser avaliado o processo de aprendizagem, não a performance ou a técnica perfeita do movimento a ser executado.

Após esse breve relato do plano de aula para o que será utilizado, serão apresentadas propostas para o Ensino Fundamental II de cada tema transversal, podendo ser aplicadas tanto no 3° ciclo (6° e 7° anos), quanto no 4° ciclo (8° e 9° anos), de acordo com a orientação do plano de aula. É possível trabalhar em Educação Física todos esses temas, necessitando apenas de um pouco de criatividade, interesse e estudo por parte do professor. Além disso, é preciso entender que essa disciplina não é uma mera aula de recreação sem fins pedagógicos, mas sim uma ciência com muitas ferramentas para ensinar e preparar um aluno para sua vida em sociedade.

Será mostrado como simples atividades muito conhecidas podem ensinar transversalmente assuntos de extrema importância. A Educação Física tem muito a beneficiar e desenvolver os alunos, nos aspectos motor, cognitivo ou afetivo/social.

Proposta de aula - Ética

Este plano de aula busca atingir um importante e vital tema que acomete todos: a Ética. Isso se faz por meio de diversos campos de estudo, como Filosofia, Sociologia e Teologia. É muito importante o trabalho da ética, que está presente constantemente no cotidiano e na vida pessoal.
Podemos compreender ética como uma conduta que faz viver harmonicamente com outras pessoas em sociedade, amparada pela moralidade e contra conflitos de interesse; traz princípios de cidadania, sabendo que ao mesmo tempo que se têm direitos, também possui deveres.

Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida: Quero? Devo? Posso? Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve (Cortella, 2016).

A proposta de aula a seguir mostra como um simples jogo pode trazer à tona situações de conflito para colocar em discussão assuntos éticos de nossa sociedade.

- Tema da aula: Queimada

- Objetivo específico: A aula servirá como iniciação esportiva da modalidade handebol, pois a atividade traz aspectos semelhantes que podem ser transferidos para a modalidade esportiva, como arremesso, deslocamento, três passos...

- Objetivo conceitual: Conhecer os aspectos do gesto de arremesso do handebol, entender o porquê de ser realizado dessa forma, analisando os fatores para um bom arremesso. Conhecer aspectos do salto e deslocamento.

- Objetivo procedimental: Vivenciar e apreciar o jogo de queimada em quadra, com suas regras e objetivos.

- Objetivo atitudinal: Entender e refletir sobre a importância da boa execução do movimento, do arremesso por exemplo. Saber que é importante trabalhar em equipe para atingir um objetivo em comum. Relacionar-se de maneira respeitosa com os demais colegas de classe.

- Procedimento de ensino: É feita em sala de aula uma breve explicação do jogo e do movimento básico de arremessar. Em seguida, é realizada a partida em quadra com todos os alunos. É importante fazer uma roda de conversa ao final da aula, que é o momento de relatar e refletir sobre o jogo e os acontecimentos nele.

- Recursos didáticos: Pode ser utilizado recurso de multimídia para a apresentação do jogo e do movimento, além de bolas (que não machuquem ao serem arremessadas).

- Como a aula contribui para a reflexão do tema transversal: O jogo traz circunstâncias e situações que colocam em prática uma boa conduta para o andamento da partida. Com essa atividade, o aluno adquire senso de justiça, pois deve relatar se foi atingido pela bola ou não ou se saiu da zona de arremesso, por exemplo. Na roda de conversa ao final da aula, pode ser discutido como uma boa conduta facilita a partida, assim como a vida em nossa sociedade.

O homem vive em sociedade, convive com outros homens e, portanto, cabe-lhe pensar e responder à seguinte pergunta: “como devo agir perante os outros?”. Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, essa é a questão central da Moral e da Ética (Brasil, 1997, p. 49).

- Avaliação: A avaliação pode ser feita por meio de uma autorreflexão escrita pelos alunos sobre a importância de ter boa conduta de forma ética para realizar um jogo e a vida em sociedade. Pode ser avaliado também se os discentes compreenderam o movimento a ser executado, analisando o processo de ensino, ou seja, a sequência pedagógica do movimento, e não a perfeição da técnica do movimento.

Proposta de aula - Saúde

Saúde não é mera ausência de doença, como tantas vezes citado pela Organização Mundial da Saúde (1946); é o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de infecções e enfermidades.

Ou seja, devemos privar e zelar pela nossa saúde, que está diretamente ligada a uma boa qualidade de vida. A Educação Física tem por obrigação fornecer meios para a manutenção de uma boa saúde, já que está enquadrada como uma ciência da área da Saúde.

Ao atuar na escola, além da prática esportiva, deve ser constantemente compreendida pelo aluno a importância de praticar atividades físicas e os benefícios que estas têm para o corpo humano.

- Tema da aula: Corrida – Atletismo

- Objetivo específico: A aula servirá para o aluno compreender a técnica da corrida, entender os benefícios à saúde e qualidade de vida.

- Objetivo conceitual: Conhecer os aspectos do movimento da corrida, o modo correto de dar as passadas, a importância da boa respiração e hidratação. Além disso, saber que é um importante aliado contra a obesidade e a importância de ter acompanhamento de profissionais para a prática.

- Objetivo procedimental: Vivenciar e apreciar a corrida de velocidade e longa distância, que é muito praticada no Brasil. Pode ser passada em pequenos circuitos trotando, praticando o movimento correto do movimento de correr em velocidade e em longas distâncias.

- Objetivo atitudinal: Entender e refletir sobre a importância de ter acompanhamento de especialistas ao realizar atividades físicas, além de poder transmitir para os familiares essa importância. Entender também a importância de praticar atividades físicas para a manutenção da saúde. Valorizar os atletas de esportes menos divulgados pela mídia.

- Procedimento de ensino: É feita uma breve explicação das diferentes técnicas de corrida: corrida de velocidade para curtas e médias distâncias; técnica da corrida para longas distâncias. Pode ser mostrada em vídeos a modalidade nas olimpíadas, conhecendo os principais atletas e valorizando o esporte brasileiro. Apresentar os brasileiros campeões mundiais de revezamento 4x100 em 2019, no Japão. Após isso, será praticada a corrida de velocidade e o trote (longas distâncias) na pista de atletismo (se houver) ou em circuito adaptado montado na quadra.

- Recursos didáticos: Podem ser utilizados recursos de multimídia para a apresentação do esporte e cones para o circuito.

- Como a aula contribui para a reflexão do tema transversal: A atividade e a explicação em sala podem trazer um debate sobre Saúde e posteriormente pesquisa sobre a saúde no Brasil, trazer reflexões escritas sobre a importância da prática esportiva e ela como aliada importante para o combate à obesidade, que vem aumentando na população brasileira.

- Avaliação: A avaliação pode ser feita mediante debate após a atividade com o aluno opinando sobre a importância de realizar atividades físicas e acompanhamento profissional. Ele pode avaliar também o entendimento do movimento da corrida de velocidade e de longa distância e em quais outros esportes ela pode ser utilizada.

Proposta de aula - Pluralidade cultural

A Educação Física está intimamente ligada à pluralidade cultural. Os esportes, jogos, brincadeiras e lutas, entre outras unidades temáticas, carregam histórias culturais na sua criação e na transformação ao longo dos tempos.

Como descrito nos Parâmetros Curriculares Nacionais (1997, p. 47), a pluralidade cultural se refere à “possibilidade capacitar o aluno a compreender, respeitar e valorizar a diversidade sociocultural e a convivência solidária em uma sociedade democrática”. Nesse contexto, temos diversas maneiras de valorizar e preservar diferentes manifestações culturais que ocorrem em um lugar, para que sejam preservadas e lembradas como patrimônio cultural de um povo ou sociedade.
O exemplo de aula a seguir mostra uma das inúmeras maneiras de trabalhar a pluralidade cultural no ambiente escolar.

- Tema da aula: Dança

- Objetivo específico: A aula servirá para o aluno apreciar diferentes estilos de dança, descobrindo sua origem e vivencia seus movimentos rítmicos.

- Objetivo conceitual: Conhecer as origens de diferentes estilos de dança, sua transformação ao longo dos tempos e os principais movimentos que a caracterizam.
- Objetivo procedimental: Vivenciar e apreciar a dança, preservando-a como elemento histórico-cultural e como uma das formas de arte.

- Objetivo atitudinal: Entender e refletir sobre a importância de preservar e entender que uma simples dança, seja qual for o estilo, carrega traços históricos de um povo, uma sociedade ou uma religião.

- Procedimento de ensino: Pode ser feita a divisão de alunos em grupos. Cada grupo ficará responsável pela a apresentação da história e os movimentos da dança escolhida: samba, axé, tango, hip hop, ballet. Por exemplo: os alunos que ficarem com o tema samba deverão apresentar as influências históricas do povo africano na sua criação e os movimentos característicos da dança. Pode ser sugerido aos alunos que façam uma apresentação para a demonstração do estilo escolhido.

- Recursos Didáticos: Pode ser utilizado recurso de som, como aparelhos sonoros. Os alunos podem realizar a pesquisa em livros, artigos, aparelhos com acesso à internet e semelhantes.

- Como a aula contribui para a reflexão do tema transversal: A atividade e a explicação das diferentes danças pelos grupos em sala podem trazer uma reflexão de como uma dança presente no cotidiano de cada um carrega um peso sócio-histórico-cultural por trás de seus movimentos. Ela cria identidade e preservação desse estilo artístico e a manutenção como patrimônio.

- Avaliação: A avaliação pode ser feita mediante uma reflexão individual. Além disso, pode-se avaliar se a apresentação foi condizente com a história da dança apresentada.

Proposta de aula - Meio ambiente

O tema meio ambiente e sua preservação deve ser tratado de forma incisiva ao ressaltar a importância da preservação ambiental. Sabemos a notoriedade desse assunto e criar uma reflexão por parte do aluno sobre a excelência da preservação é dever das escolas perante a situação caótica desse assunto.

“A temperatura da Terra em 2018 foi a quarta mais alta em 140 anos” (Veja, 06 fev. 2019). Por essa manchete, mostra-se como uma linha desse grandioso e importante tema que é meio ambiente vem à tona. A preservação é fundamental, e a falta dela pode trazer consequências incalculáveis.

Quantas vezes, ao longo do nosso dia, não ouvimos frases do tipo “morreram hoje diversos animais marinhos em consequência de materiais plásticos descartados de forma irresponsável” ou “aumentam os níveis de poluição em certo lugar”? São frases que mostram a irresponsabilidade da sociedade, perante a preservação do meio ambiente.

Como lembra Vernier (apud Córdula, 2015) “meio ambiente seria tudo que está contido no nosso planeta, à nossa volta, do qual fazemos parte, em que cada ação gerada, em qualquer parte, corresponderia a uma reação, simplificando mais ainda, é o nosso Planeta Terra”. Ou seja, o meio ambiente é que gera produtos naturais vitais para nossa sobrevivência da vida.

Assim, devemos criar nos alunos uma preocupação de como utilizar, reutilizar e reciclar materiais e objetos que teoricamente não teriam valor algum. Além disso, criar a consciência da preservação ambiental e do descarte consciente do lixo.
O Poder Legislativo de algumas cidades brasileiras vem elaborando projetos de leis que inibem a produção de produtos que agridem o meio ambiente, como canudos. Em São Paulo, como veiculado pela Folha de S. Paulo (2019), a Câmara de Vereadores aprovou o projeto de lei que proíbe o fornecimento de canudos de plástico em alguns estabelecimentos (PL 01-00099/2018), seguindo exemplo de cidades como Rio de Janeiro e Salvador.

O plano de aula a seguir mostra uma das formas que a Educação Física tem para trabalhar esse tema transversal tão importante.

- Tema da aula: Jogos e brincadeiras.

- Objetivo específico: A aula servirá para o aluno se conscientizar da importância da preservação do meio ambiente e vivenciar brincadeiras com materiais produzidos por ele mesmo.

- Objetivo conceitual: Conhecer as complicações de um descarte não adequado, meios de reutilizar materiais e como produzir algo por meio de produtos que a princípio não iriam ter mais utilização.

- Objetivo procedimental: Construir e usufruir dos brinquedos feitos pelos próprios alunos com materiais reutilizados.

- Objetivo atitudinal: Entender e refletir a importância de preservar o meio ambiente, as consequências da não preservação. Ter a consciência de que nossos atos podem interferir em outros seres vivos, como o descarte inadequado de plástico, poder transmitir os conhecimentos adquiridos aos familiares e conhecidos.

- Procedimento de ensino: Após a apresentação de notícias sobre preservação ambiental e reflexão com os alunos sobre a importância da reciclagem e descarte responsável de lixos, será apresentando maneiras de construção de brinquedos com base em materiais como garrafa PET.

Há diversos manuais de criação de brinquedos, como o “vai e vem” e o “pega a bola”, fáceis de confeccionar e utilizando materiais de simples acesso. Após a confecção dos brinquedos em sala de aula, os alunos poderão utilizar e compartilhá-los, além de levar para casa e mostrar aos familiares.

- Recursos didáticos: Para a apresentação do tema, podem ser usados artigos de jornais e revistas sobre o tema e recursos multimídia para mostrar vídeos e imagens dos prejuízos ao meio ambiente. Podem ser utilizados diversos recursos para a confecção dos brinquedos, como garrafas PET, barbante, corda, varal, latas e fitas adesivas, entre outros.

- Como a aula contribui para a reflexão do tema transversal: A atividade e a explicação em sala trarão reflexão da importância da preservação ambiental e da irresponsabilidade em ações que envolvem esse tema, podem acarretar prejuízos irreparáveis. Mostram, além de consciência acerca desse assunto, como se pode utilizar a criação e a imaginação para criar objetos baseados em outros recursos que aparentemente seriam descartáveis.

- Avaliação: A avaliação pode ser feita com a efetiva participação da criação dos brinquedos com base em materiais e na reflexão oral no debate sobre o tema.

Proposta de aula - Orientação sexual e sexualidade

Quando se toca no assunto orientação sexual/sexualidade, há muito preconceito com a aplicação desse tema em sala de aula. Acaba-se criando uma falsa definição para esse assunto. É de suma importância abordar esse assunto em sala de aula, pois é nele que o aluno pode conhecer seu corpo e o porquê de haver algumas mudanças daquela maneira, suas transformações e funcionamento. Além disso, evitam-se preconceitos que podem vir com o convívio em sociedade.

Falar de sexualidade não significa discutir opção sexual ou ensinar a fazer o ato sexual. Significa que podemos abordar assuntos sobre o corpo humano, sobre o “eu” e como interagir com o mundo, falar de gênero e das transformações que irão ocorrer por fatores hormonais. Os assuntos mudam, de acordo com a faixa etária dos alunos e à medida que eles vão amadurecendo, muda a abordagem desse tema transversal. O professor deve ter sensibilidade para o momento propício a discutir certos assuntos em cada faixa etária.

Discutir sobre a sexualidade na escola, utilizar metodologias que busquem promover o diálogo, a reflexão sobre conceitos preestabelecidos, oportunizando a superação de dificuldades nos assuntos que fazem parte da vida do adolescente, possibilitam desenvolver e rever atitudes, fazer juízo de valores e problematizar assuntos tais como conceito de beleza, a aceitação do próprio corpo, o namoro, o “ficar”, a gravidez na adolescência, as DST e AIDS, proporcionando assim uma construção coletiva para os possíveis encaminhamentos e soluções (Marquini, 2007, p. 3).

Por exemplo, para os alunos do Ensino Fundamental I pode-se levar a conhecer um termo básico sobre o corpo humano: “Meu corpo é inviolável”. Mostrar de forma simples o esquema corporal, além de dizer que não é correto adultos constrangê-los com gestos que aparentemente são formas de carinho. Discutir de forma adequada o assunto com o que é correto ou não ao conviver com adultos; é uma forma de combate ao abuso sexual infantil, que muitas vezes não é relatado, pois as crianças não têm consciência de que aquilo não é certo, pois não houve a oportunidade de discutir esse assunto.

Foi elaborado um curto desenho animado sobre o tema, apresentado pelo Centro Marista de Defesa da Infância no II Congresso Brasileiro de Enfrentamento à Violência Sexual, intitulado “Defenda-se: autodefesa de crianças contra a violência sexual”. Ele pode trazer ideias a todos os educadores do Ensino Básico de como abordar o tema transversal orientação sexual/sexualidade. O vídeo está disponível no Youtube, no Canal Grupo Marista, com o título “Defenda-se! (11): Sentimentos”.
À medida que os alunos crescem, no Fundamental II, pode-se abordar conceitos das mudanças que estão acontecendo no corpo durante a puberdade, dessa fase da adolescência e dos hormônios que agem no corpo humano.

Em uma fase de transição, no fim do Ensino Fundamental II e no Ensino Médio, pode-se trabalhar conceitos de gravidez, opção sexual e infecções sexualmente transmissíveis (IST), entre outros. Tratar desse assunto, é atingir de forma direta problemas de saúde pública, como o aumento de IST e gravidez na adolescência.
Deve haver abertura com a gestão escolar para que seja possível a aceitação para apresentação desse tema transversal em sala de aula, até mesmo uma prévia conversa com os pais para que seja explicada a importância do conteúdo e seu conceito. Dependendo da escola, localização e contexto em que está inserida, é possível abordar essa temática.

A seguir, mostra-se uma sugestão de como podemos abordar esse tema em uma turma dos anos finais do Ensino Fundamental II.

- Tema da aula: Prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e gravidez.

- Objetivo específico: A aula servirá para o aluno compreender como são utilizados os métodos contraceptivos e de prevenção de infeções. A Educação Física, com suas áreas de estudo como a Anatomia e Fisiologia, tem muito a contribuir com esse tema. Pode haver interdisciplinaridade com a matéria de Ciências presente no Ensino Fundamental II.

- Objetivo conceitual: Conhecer os principais métodos de prevenção de gravidez e doenças, e como forma agir caso seja necessária a utilização (por exemplo, não se automedicar, sem uma consulta com especialista médico).

- Objetivo procedimental: Assistir, por exemplo, a algum vídeo sobre doenças ou concepção. Ver e refletir sobre os conceitos apresentados em aula teórica realizada pelo professor.

- Objetivo atitudinal: Entender a importância de prevenir, caso chegue o momento apropriado, e se conscientizar da importância de poder conversar sobre esse tema com os pais ou responsáveis, para que sejam devidamente aconselhados.

- Procedimento de ensino: O professor em sala de aula apresentará teoricamente os métodos contraceptivos, podendo explicar como agem os hormônios em cada situação. Pode apresentar esquemas visuais de sistemas anatômicos responsáveis pela fecundação e como agem os métodos de prevenção da gravidez.

Além disso, deve apresentar as IST para que os alunos tenham conhecimento das doenças que a não prevenção pode acarretar e trazer danos profundos à saúde e à qualidade de vida de uma pessoa.

- Recursos didáticos: Podem ser usados recursos de multimídia, esquemas corporais anatômicos e apresentação dos métodos contraceptivos (como a camisinha masculina e feminina).

- Como a aula contribui para a reflexão do tema transversal: A aula traz uma reflexão sobre a importância da devida proteção quando a vida sexual tiver início. Trabalhar esse assunto na escola é uma forma de política pública para reduzir os números alarmantes no Brasil de índices de doenças sexualmente transmitidas e gravidez na adolescência. Além disso, demonstra que a área da Educação Física firmemente se identifica como área da Saúde, além de provar que a disciplina não se constitui apenas de aula prática em quadra.

- Avaliação: Pode ser realizada uma prova teórica com perguntas pertinentes à aula teórica apresentada.

- Observação: Desde 2016, o Ministério da Saúde trata como infecções sexualmente transmissíveis (IST) as antigas doenças sexualmente transmissíveis (DST), mudança que já era utilizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Torna-se mais adequado, pois pode ocorrer de uma pessoa contaminada não desenvolver a doença, sendo detectada apenas por exames laboratoriais.

Proposta de aula - Trabalho e consumo

Entender esse tema transversal é muito importante para afetar o aluno de maneira benéfica, para que haja efetivamente reflexão acerca desse assunto.

Como relatado nos Parâmetros Curriculares Nacionais (1997, p. 42), é importante estabelecer uma relação entre o que é realmente necessário consumir para determinada finalidade, algumas vezes dissipada pela mídia com promessas tecnológicas, mas que às vezes pouco efeito surtem.

Por exemplo: quando é divulgada pela mídia a nova chuteira do astro mundial de futebol, tornando quase uma “obrigação” a aquisição desse produto pelos consumidores fãs desse atleta. Porém será mesmo que essa chuteira, em aspectos tecnológicos, traz algum avanço em relação à chuteira de menor preço de compra?
A Educação Física pode, de maneira técnica e científica, mostrar as reais necessidades para certa prática de atividade física, e não apenas deixar que os alunos se embasem na divulgação de produtos (que podem ser desnecessários) para a prática.

- Tema da aula: Futebol

- Objetivo específico: A aula servirá para o aluno se conscientizar da importância de conhecer as reais necessidades para a prática do futebol.

- Objetivo conceitual: Entender como eram as chuteiras antigamente e como são as atuais, analisando se há diferenças evidentes.

- Objetivo procedimental: Pesquisar sobre as antigas chuteiras usadas pelos atletas e as usadas atualmente. Diferenciar em relação às tecnologias. Pode haver diferença entre as chuteiras atuais em tecnologia e na relação custo/benefício.

- Objetivo atitudinal: Entender e refletir como às vezes a média pode deturpar e, de maneira inconsciente, trazer um grande desejo de consumir certo produto para uma finalidade. Entender se é importante a aquisição do produto e/ou se poderia ser substituído por outro, até mesmo de menor valor.

- Procedimento de ensino: Após uma breve explicação sobre como a média pode influenciar de forma negativa o consumo de produtos, será feita uma pesquisa por parte dos alunos, em grupo, sobre como eram e como são as chuteiras de futebol. Eles deverão analisar se há avanços e apresentar em uma roda de conversa. Debater sobre o assunto e as consequências da falta de informação adequada.

- Recursos didáticos: Podem ser utilizados artigos, notícias, sites dos produtos do mercado, empregando equipamentos com acesso à internet.

- Como a aula contribui para a reflexão do tema transversal: A atividade pode contribuir para que os alunos entendam que atletas que divulgam alguns produtos não passam de “garotos propaganda” e que esses produtos podem ser substituídos por outros para realizar a prática de um esporte. Fazer com que entendam essas circunstâncias antes de realizar compras influenciadas por alguma mídia ou algum astro esportivo, podendo até mesmo economizar na compra e adquirindo um produto com a mesma tecnologia.

- Avaliação: A avaliação pode ser feita por meio das pesquisas realizadas e dos debates em rodas de conversa.

Considerações finais

Este artigo trouxe um breve relato de como a Educação Física tem muito a contribuir com os temas transversais, além de sugerir certas discussões essenciais com as quais essa ciência promove um desenvolvimento maior para o desempenho da cidadania dos alunos.

Pensar nas contribuições da Educação Física aliadas aos currículos da Educação no Brasil representa uma identificação maior como disciplina e da sua importância na formação escolar dos alunos.

Os professores, não só de Educação Física como de outras disciplinas, podem se inspirar e refletir como abordar os temas transversais, além de entender sua importância para a elaboração de outros planos de aula.

Referências

A temperatura da Terra em 2018 foi a quarta mais alta em 140 anos. Veja, São Paulo, 6 de fevereiro de 2019. Seção Mundo. Disponível em: https://veja.abril.com.br/mundo/temperatura-da-terra-em-2018-foi-a-quarta-mais-alta-em-140-anos/. Acesso em: 14 set. 2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Ensino Fundamental. Brasília: MEC, 2017.

______. Lei nº 9.394/96. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: Senado Federal, 1996.

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Publicado em 03 de março de 2020

Como citar este artigo (ABNT)

TEIXEIRA, Erick Dias. Educação Física: planejamento e propostas de aulas para o Ensino Fundamental baseadas nos temas transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Educação Pública, v. 20, nº 8, 3 de março de 2020. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/20/8/educacao-fisica-o-planejamento-e-propostas-de-aulas-para-o-ensino-fundamental-baseadas-nos-temas-transversais-dos-parametros-curriculares-nacionais