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Entrevista com a professora Mary Rangel

Leonardo Soares Quirino da Silva

Pesquisando como as pessoas formam conceitos sobre imagens e fatos, os processos e os papéis e sua influência em condutas e expectativas sociais, Mary Rangel, professora titular de didática da Universidade Federal Fluminense (UFF) e titular de ensino e aprendizagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), organizou e participou de oito livros, tendo escrito ainda mais oito.

Entre estes livros há um verdadeiro best-seller sobre ensino da leitura, Dinâmicas de Leitura para Sala de Aula. Publicado pela primeira vez em 1989, o livro já está na sua 19ª edição - o que dá um pouco mais de uma edição por ano e um total de 28,5 mil exemplares impressos. No livro, são apresentadas 37 atividades para serem usadas em sala de aula com o objetivo de estimular a leitura de textos didáticos. Para saber um pouco mais sobre o livro, o Portal da Educação Pública fez uma entrevista com a professora por e-mail.

Qual a explicação de um livro com dinâmicas para leitura continuar em catálogo por 17 anos e estar na 19ª edição?

É um livro prático, que oferece aos professores recursos simples de trabalho com os alunos, a partir das leituras feitas normalmente em aula, motivando-os a falar sobre o texto. As dinâmicas de leitura são utilizadas para auxiliar e para fixar a aprendizagem, para introduzir elementos que estimulem o trabalho de ler e aprender, para incentivar habilidades necessárias ao estudo (observação, organização e expressão de ideias etc.), para diversificar atividades em todos os graus de ensino e em qualquer disciplina. Desse modo, as Dinâmicas se apresentam como recursos auxiliares a um bom desempenho docente. E um bom desempenho docente é o que se espera do cidadão professor.

O que a motivou a escrever este trabalho?

A necessidade de dinamizar as aulas. Além do domínio da linguagem, da atenção, da concentração, e considerando, também, o hábito de ler, decorrente do exercício, da prática vemo-nos diante de nossos alunos em várias idades - crianças, pré-adolescentes, adultos - e, diante desses alunos, um outro aspecto da realidade: nem todos, ainda, adquiriram habilidades necessárias à leitura e nem todos incorporaram o hábito de ler. É então, neste momento, que podemos recorrer a estímulos e, entre eles, encontram-se as Dinâmicas de leitura.

Como foi que a senhora criou e selecionou as dinâmicas?

Criei por intermédio de pesquisa. Os objetivos da pesquisa foram:

  1. Estimular a prática da leitura em sala de aula;
  2. Auxiliar o desenvolvimento de habilidades de atenção e observação;
  3. Incentivar a organização e a expressão de ideias;
  4. Estimular o aumento e a fixação de vocabulário;
  5. Incentivar a criatividade;
  6. Diversificar atividades de ensino e aprendizagem.

A senhora recebe relatos de pessoas que aplicaram as dinâmicas em sala de aula?

Sim. Muitos professores de ensino fundamental, médio e superior, manifestam-se positivamente em relação ao uso das Dinâmicas de leitura em suas aulas, observando o maior aproveitamento do texto e a maior motivação dos alunos.

Depois de 17 anos, tem alguma coisa que a senhora gostaria de mudar?

Não. Estou agora começando um novo livro sobre dinâmicas, com outros recursos didáticos. Entretanto, as dinâmicas de leitura permanecem atualizadas.

Fora da sala de aula, como estimular os alunos a ler?

Entre as várias formas de estímulo, sugiro o diálogo, observando os valores da leitura.

25/4/2006

Publicado em 25 de abril de 2006