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Direitos para todos

Em 5 de outubro de 2008, nossa Constituição Federal chegou a seus vinte anos de criação, assegurando direitos que mudaram a história política e social da nação. Os anos de chumbo, como foi considerado o período militar-ditatorial, baseado em censuras políticas e culturais, cerceamento de liberdades e afloramentos ideológicos, deram lugar às liberdades individuais e coletivas garantidas no artigo 5º da Carta Maior. Direitos sociais como educação, trabalho, saúde, moradia, lazer e segurança, entre outros, são garantias fundamentais que asseguram à sociedade o crescimento cultural e econômico, elementos essenciais para o desenvolvimento de uma nação mais justa e igualitária. As crianças e os adolescentes também foram lembrados: ganharam um estatuto digno de primeiro mundo que os coloca como prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, do Estado e da sociedade a garantia de seus direitos. Quanto aos direitos políticos – livre criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos – isso garante a oportunidade de, dentre os vários partidos, ter a liberdade de poder escolher o dirigente da nação, aquele que possa fazer cumprir os direitos constituídos e a representação de todos os segmentos da sociedade através do voto direto. O sufrágio universal torna-se o expoente maior dentre todas as conquistas garantidas após promulgação da constituição. Foi a partir desse evento que todos passaram a ser considerados realmente iguais, ao ter a oportunidade de escolher seus representantes sem distinção de cor, raça, posição social, ou a partir de segmentos privilegiados da sociedade. Infelizmente, a conquista e a garantia desses direitos ainda estão muito distantes. A consolidação dos direitos emanados da Carta Maior ainda não chegou para muitas pessoas, que se encontram à margem de seus direitos sociais e individuais. Muito se avançou quanto aos direitos políticos, coletivos e sociais. A censura praticamente inexiste, elegemos um operário como presidente e muitas outras vítimas da repressão militar fazem ou já fizeram parte do governo. As questões ideológicas não serão objeto de análise aqui. Mas ainda há muito o que fazer em uma nação com direitos garantidos e não praticados: em 2006, segundo dados do IBGE sobre o ensino superior, 76,4% dos estudantes frequentavam universidades particulares; ou seja: apenas 23,6% estavam em estabelecimentos públicos. No entanto, mais da metade (54,3%) dos estudantes matriculados na rede pública de ensino superior pertence ao grupo dos 20% mais ricos; a taxa de analfabetismo de pretos e pardos é quase o dobro da dos brancos. Estes ganham, em média, 40% mais que negros com mesma escolaridade. Apenas 7,4% das crianças de famílias pobres frequentam creches, há concentração de trabalho infantil em estabelecimentos agrícolas do nordeste. Somam-se a isso a falta de empregos e moradias e a grande concentração de famílias vivendo em situações precárias nas periferias das metrópoles. É salutar dizer que o que se questiona aqui não é a erradicação dos problemas sociais que existem em todas as nações, inclusive nas desenvolvidas. Seria uma utopia almejar viver em uma sociedade em que não houvesse nenhum tipo de problema. O questionamento fica pela garantia desses direitos somente para uma pequena parcela da população, excluindo-se, de forma vexatória, grande parte da população que vive à margem de seus direitos. É preciso que se cumpra o que preconiza a Carta Maior, para que possamos realmente nos sentir iguais e acreditar que os governantes escolhidos pelo sufrágio universal despenderão esforços na direção da diminuição da desigualdade e, consequentemente, da concentração de renda e de direitos. Os poderes constituídos, como Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público, devem esmerar-se para que os direitos constituídos possam chegar aos menos favorecidos, garantindo assim um mínimo de condições para que essas pessoas possam alcançar a plena consciência de seus valores morais e éticos, o que somente poderá ser alcançado com ensino de qualidade para todos. Esse é o ponto de partida para que as diferenças diminuam. Um povo educado aprende a julgar e a fazer uso das suas convicções pessoais para analisar comportamentos e cobrar de quem quer que seja uma atitude condizente com os interesses sociais, questionando toda forma de imposição ideológica e, acima de tudo, para que se sinta igual, em uma nação tão desigual.

A menina má, de Vargas Llosa

Quando, em 1981, Mario Vargas Llosa veio ao Brasil, João Antônio escrevia a seu amigo Mylton Severiano: “o escritor brasileiro está inteiramente marginalizado; quem dera a Rui Facó ou ao próprio Euclides da Cunha que recebessem a metade do que o enfatiotado e engravatado moço peruano de pega-rapaz na testa ganhou, de graça”. Ele se referia à badalação da imprensa em torno do escritor, talvez sem imaginar que a situação do escritor brasileiro ainda seria bastante piorada e que, depois de ter embranquecido bastante os cabelos, aquele moço de 30 anos atrás seria candidato à presidência do Peru e permaneceria quase um ano na lista dos livros mais vendidos no Brasil: Travessuras da menina má esteve na lista dos mais vendidos (lidos?) desde outubro de 2006 até agosto de 2007!

MEC estuda reformulação do Ensino Médio

Não é de hoje que as autoridades educacionais têm problemas para definir o papel do Ensino Médio na formação do estudante brasileiro. Há duas vertentes principais, muitas vezes conflitantes: a profissionalização em nível técnico e a preparação para a graduação. Para solucionar esse impasse, várias experiências foram realizadas, nos 12 anos da Lei de Diretrizes e Bases (Lei 9.394/96), mas nenhuma apresentou resultados satisfatórios.

Saramago e os objetos desconfiados

Saramago é um nome. Saramago é uma teimosia. Uma escrita que não desiste de seu escritor. Há que viver. Há que ser teimoso. “Se tens de escrever, escreverás”, afirmou, recentemente, o Prêmio Nobel de Literatura de 1998, José Saramago. Se tens de imaginar, imaginarás, meu novo leitor. O que é a matéria de uma narrativa? Do que ela é feita? O que é um assunto? O quanto pode a imaginação?

Ler o escrito e escrever o lido: Luiza Neto Jorge

Como mensurar o valor de um presente que muda nossa vida? Pode ser um apartamento, uma viagem a Paris, uma flecha certeira enviada por Vênus... Certamente mudam a vida. Mas quando se trata do que ganhamos quando lemos algo que nos leva para um lugar íntimo e até então desconhecido, e com total surpresa vemos que estar nele é estar em (e com) todo mundo? Um recanto especial, como repouso sobre nuvem fina e ligeira a nos carregar para o arco-íris do mundo, entre raios de sol e o cinza chumbo da tempestade iminente. Algo próximo a um dos mais célebres, e complexos, conceitos da teoria da arte: o sublime kantiano. Tal presente é imensurável.

Interdisciplinaridade e especialização: duas faces da mesma moeda

A cada vez maior especialização das disciplinas e a tentativa de pôr em prática a interdisciplinaridade são dois fenômenos – aparentemente opostos – bastante debatidos e presentes no atual cenário da educação no Brasil.

O fantasma das rebeliões

JLF, Valor Econômico, 5/11/2008

Leituradiaria.com

Um bom e interessante modo de os professores de literatura incentivarem seus alunos a adquirir o hábito de ler é leituradiaria.com. Simples de manusear, sem muitas entradas e saídas, com um menu principal objetivo, o site é um ótimo estimulante à leitura dos alunos, bem como de pais que não possuem tempo de visitar bibliotecas e/ou livrarias. A divisão é bem sucinta, contendo, um menu dividido em Título, Autor e Gênero, este por sua vez subdividido em seções como Auto, Conto, Filosofia, Política etc.

O filho eterno, de Cristóvão Tezza

Ricardo Piglia, ficcionista e crítico argentino, diz em uma de suas teses sobre o conto que uma história sempre esconde outra história. Por extensão, o escritor sempre escreve uma coisa querendo dizer outra. É dele também a famosa afirmativa de que tudo que se escreve, até mesmo a crítica, é autobiográfica. Pensando nisso, quero falar aqui do mais recente livro de Cristóvão Tezza, O filho Eterno (Record, 2007). Mas antes, numa linguagem bem contemporânea e mesclada, quero lembrar outro autor: Aníbal Machado.

Inventores de asas, arquitetos de labirintos: Julio Cortázar e Guimarães Rosa e a estética da recepção

Ao compararmos literaturas à luz da estética da recepção professada por Jauss, a análise da interseção entre obras torna-se uma provocação ao leitor quando um dos pontos em comum é a consciência da literariedade, ou do efeito estético, daquelas obras. Como afirma René Wellek, o texto literário deve ser visto como “uma totalidade diversificada, como uma estrutura de signos que, no entanto, pressupõe e requer significados e valores” (1994, p. 118), isto é, a obra presume estrutura mas também reação estética. Reconhecer a literariedade de uma obra é também entregar ao leitor a ocupação de a reescrever, ainda que apenas para si mesmo. Encontrar as interseções, sejam estas de estilos, de influências sociológicas ou psicanalíticas, não pode mais ser o único objetivo ao comparar literaturas. O efeito estético da obra também se elege como fenômeno legítimo a ser comparado entre obras. E, se estamos no nível estético, devemos concordar mais uma vez com Wellek: “os estudos literários tornar-se-ão um ato da imaginação, como a própria arte” (1994, p. 119). A comparação entre textos literários deve comportar a comparação entre os efeitos literários.