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Tipo assim: nem losers, nem winners
Se para nossos avós as coisas "eram" ou "não eram" – não havia o meio-termo, o maniqueísmo imperava, tudo se dividia entre o certo e o errado, o “bom” e o “mau”, “o preto no branco” –, para os jovens de hoje nada “é” peremptoriamente, terminantemente, taxativamente: as coisas são "tipo assim" - um vício de linguagem hoje muito utilizado e criticado, até porque tal expressão, sob a ótica da língua culta, é visto como algo medonho, tipo assim uma muleta linguística que gramaticalmente não tem serventia alguma. Mas, do ponto de vista da comunicação, é bem interessante, pois, sob certos aspectos, mostra falta de certezas (“as certezas, meu deus, para que tantas certezas”): “eu gosto dele de um jeito, tipo assim, diferente”, foi o que escutei uma aluna dizer a outra. Como discorrer sobre um sentimento incomensurável como o amor de forma exata? Nem mesmo os mais astutos filósofos conseguiram realizar tal empresa: no mais famoso jantar filosófico, ficaram todos falando sobre o amor, comendo, bebendo e discutindo, e nada de conseguir definir de uma vez por todas tal nobre sentimento (Cf. em O Banquete, Platão). Sendo assim, nada mais justo que leigos refiram-se ao amor como algo “tipo assim”. Pronto: o emissor lançou sua incapacidade de definir em termos exatos seu sentimento, o receptor entendeu que se trata de uma coisa profunda, mas indeterminável (talvez por isso seja “tipo assim”). E fez-se a comunicação.
Não, não posso parar; se paro eu penso; se penso eu choro!
De tudo ficam três coisas: A certeza de estarmos sempre começando A certeza de que é preciso continuar E a certeza de que podemos ser Interrompidos antes de terminarmos. Portanto: Fazer da interrupção um caminho novo, Da queda um passo de dança, Do medo uma escada, Do sonho uma ponte, Da procura um encontro
Escopeta não é chocalho
A reativação da IV Frota Naval dos Estados Unidos na zona do Atlântico Sul provocará uma mudança radical e permanente nas relações militares dos EUA com a América Latina. Foi por isso que surpreenderam tanto as primeiras explicações americanas a respeito da reativação da sua frota, criada em 1943 e desmantelada em 1950, pois teria sido uma simples decisão “administrativa”, tomada com objetivos “pacíficos, humanitários e ecológicos”. A mentira não é um pecado grave no campo das relações internacionais. Pelo contrário, mentir ou dizer meias-verdades com competência foi sempre uma arte e uma virtude essencial da diplomacia.
Pedro Salgueiro e seu Inimigos
Inimigos, de Pedro Salgueiro, é uma das publicações da Editora 7 Letras, que está com seu site renovado e é uma das poucas a investir em escritores iniciantes. Não é o caso de Pedro Salgueiro, premiado em vários concursos nacionais e internacionais; este é seu sexto livro.
A morte e a donzela
Não gosto da Veja. Não leio porque me entedio com as propagandas. Mas a capa desta semana me fez lembrar de Dylan Thomas. A foto de uma mãe acariciando o rosto de sua filha morta no massacre de Beslan me fez pensar nas grandes dores. Naquelas dores que não passam. Naquelas dores que recortam o espírito em pequenas fatias e espalha seus fragmentos na imensidão vazia do espaço e no abismo sem fundo do tempo.
Os sonhadores e a sociabilidade simmeliana
Georg Simmel foi um autor que se preocupou muito com a forma das interações entre os indivíduos, mas que por outro lado não dedicava tanta atenção à forma de suas composições acadêmicas. Como não costumava mencionar as fontes nas quais buscava os fundamentos para suas conclusões e não se conformava a uma estrutura metodológica rigorosa, foi muito desmerecido pelos acadêmicos de sua época, não conseguindo alcançar, em vida, a repercussão que suas ideias obtiveram postumamente.
A “verdade científica” ironizada por Machado
Em pleno século XIX, com tom irônico (adquirido de suas leituras dos escritores ingleses), e um narrador que faz acreditar que o fato narrado é verídico por salientar que “antigos cronistas” já relataram a mesma história, Machado de Assis escreveu O alienista em 1881.
De onde vem o mal?
Assassinatos, sequestros, roubos, violência contra pai, mãe, filhos, crianças e idosos. É o fim dos tempos? “Hoje em dia o mundo está perdido”, dizem uns. Maldade, porém, sempre existiu. Não é à toa que, há mais de dois mil anos, o melhor dos homens, o mais bondoso, o mais justo, morreu pelas mãos de seus semelhantes. Nem mesmo Jesus Cristo conseguiu sair incólume da ira da humanidade. Desde muito antes dele até hoje o mal continua a existir, seja nas guerras, no tráfico de órgãos, nos danos à natureza, nas atrocidades dos regimes totalitaristas, no preconceito com o diferente, nos assassinatos por dinheiro, poder, ciúme, inveja.
Entrevista com Manoel Ricardo de Lima, que lança seu 55 começos na 10ª Mostra SESC Cariri de Cultura
55 começos é uma coleção de artigos originalmente escritos para o Vida e Arte do jornal O Povo. Conta um pouco sobre a sua colaboração no jornal e o contexto de criação desses artigos.
LivroClip
Muitas vezes os alunos ficam horas a fio navegando na Internet e “esquecem” de fazer seus deveres. Para aqueles professores que não sabem mais o que fazer quando pedem para uma turma ler um livro e, no dia marcado, quase ninguém fez o que pediu, o site LivroClip pode ser uma boa saída.